Artigo 08:52 - 17 de abril de 2019

Não é de hoje que escrevo artigos, livros, realizo palestras sobre shopper e a relevância de tê-lo no centro de nossas decisões. A era da “Shoppercracia”! Termo criado por mim para trazer à tona provocações e reflexões sobre até que ponto o varejo, indústria, suas agências desenvolvem ações pautadas efetivamente pelo shopper.

E eis aqui, a convite da SuperVarejo, para estrear a coluna do grupo Mulheres do Varejo, onde semanalmente todo time escreverá.

E você deve estar se perguntando, por que Mulheres do Varejo? E o que isso tem a ver com o shopper? 

Explico. Em pesquisa online realizada entre outubro e novembro pela Connect Shopper e Youpper, com mais de 2 mil consumidores e shoppers, novos atributos foram apontados como relevantes no processo escolha, compra e decisão.

Questionados de forma espontânea sobre quais os atributos mais relevantes para uma marca se destacar e se manter forte no futuro (seja de varejo ou produto e serviço), citaram: ter propósito claro e veracidade (entregar o que promete) - para 72% “cumprir aquilo que promete” e “não oferecer riscos (saúde, ambiente).  Além de temas como acolhimento, proximidade; diversidade citados por 68%; forte apelo a praticidade e conveniência para mais de 80%; feito pra mim; simplicidade, entre outros. O fato é que, entre os cinco principais atributos, nenhum faz referência a aspectos funcionais.

Soma-se a isso que quase 80% das decisões de compra sobretudo no varejo alimentar ainda são realizadas pelas mulheres. E mesmo no varejo da construção hoje temos forte presença de mulheres indo às compras.

Mas, apesar de termos grande presença de mulheres no dia a dia do varejo, na alta gestão, em vários segmentos, ainda hoje é um ambiente, predominantemente, masculino.

E na última pesquisa realizada pelo Mulheres do Varejo, preconceito, discriminação, desequilíbrio, um nível alto de exigência foram citados. Vejam mais dados:

  • 80% das mulheres dizem que o esforço para alcançar cargos de direção é alto;
  • 94% não estão satisfeitas com o tratamento dado ao papel da mulher no varejo;
  • 62% declaram estar insatisfeitas com sua relação com os homens;
  • 84% das mulheres e 79% dos homens afirmam que as profissionais sofrem preconceito no mundo corporativo quando engravidam. Cerca de 70% das mulheres acreditam que elas têm mais dificuldades para se recolocar no mercado depois que se tornam mães, e 65% dos homens entrevistados concordam; 
  • 64% afirmam que para alcançar os cargos mais altos da organização elas precisam desenvolver um estilo de liderança mais masculino.

Se isso é fato, como poderemos mudar essa realidade? Como poderemos juntar forças por mais mulheres na liderança? Como poderemos “transformar” o varejo, conectando-o com a nova era?

Estamos falando da era da nova economia. Uma era pautada por valores como acolhimento, proximidade, orientação às pessoas, atenção ao ambiente, forte tendência à cooperação, ações inclusivas, empatia, entre outros.

Características estas, inerentes ao universo feminino. Não se trata de gênero, mas sim, estilo de liderança. E é aí que entra o Mulheres do Varejo, um grupo de mulheres, todas atuantes direta ou indiretamente no varejo, com o propósito de promover, construir e disseminar estratégias, ações e boas práticas que propiciem as condições necessárias para fortalecer o papel e ampliar a participação e liderança da mulher no varejo, construindo laços, trazendo mais equilíbrio e inovação à gestão e resultado ao varejo, à economia e a sociedade.

Não queremos “facilidades”, e sim, equidade!

  - Quantas mulheres em cargos de liderança em sua empresa?

-  Como funciona as remunerações entre homens e mulheres? Há diferenças quando se trata de mesmo cargo?

- Avaliamos gênero ou competências?

- Praticamos a meritocracia?

- Somos flexíveis em permitir homens e mulheres a dedicar tempo ao cuidar dos filhos? E/ou em alguns afazeres domésticos?

Essas e outras questões e reflexões devem estar nas agendas de nossas empresas para que possamos mudar o nosso mindset, crescer e se fortalecer nesta nova era...
Que tal sermos nós os agentes das mudanças que queremos? Que tal levarmos para as nossas empresas, RHs, boards etc, esta reflexão para ação?

#mulheresdovarejo
#unidasparatransformar

 

Fátima Merlin – autora dos livros “Shoppercracia” e “Meu Cliente Voltou, e Agora?”, coordenadora do Comitê de Gerenciamento por Categoria do ECR e uma das fundadoras do Mulheres do Varejo.

Contato: fatima.merlin@mulheresdovarejo.com.br

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