Notícia 16:09 - 17 de abril de 2019

O otimismo econômico que começava a se esboçar no final do ano passado não conseguiu resistir aos primeiros meses de 2019. Em fevereiro, o consumo apresentou desempenho negativo devido à grande taxa de desemprego – que atinge mais de 13 milhões de brasileiros - e ao atraso na aprovação das reformas políticas, segundo o Consumer Thermometer da Kantar.

O estudo apontou que - nos 12 meses terminados em fevereiro de 2019 – houve queda de 1,3% nas unidades compradas pelos brasileiros ante comparação com o mesmo período do ano anterior. O motivo disso é reflexo de uma redução de 0,5% na frequência de compras e 3,3% no volume médio levado por visita.

Levando em conta o acumulado do ano até agora, de janeiro mais fevereiro, o declínio chegou a 5,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Frequência e volume por viagem também apresentaram redução de 2,2% e 5,7%, respectivamente.

Esse quadro se estende por todas as classes sociais e regiões do país, de forma praticamente homogênea. Durante os períodos analisados, o consumo foi reduzido nas classes AB e C.

Somente as classes DE apresentou leve crescimento de 1,6% nos últimos 12 meses terminados em fevereiro. Na análise das regiões, o interior de São Paulo obteve destaque negativo, perdendo 10,3% nos dois primeiros meses de 2019.

Já quanto aos canais, somente o atacarejo conseguiu manter-se sem quedas. A venda porta a porta perdeu grande participação, e os hipermercados, supermercados e supermercados de vizinhança também registraram quedas.

O Consumer Thermometer também indicou que produtos como alimentos, bebidas, lácteos, de limpeza e de higiene, sofreram cortes nas cestas dos consumidores.

A diretora de marketing e insight da Kantar, Giovanna Fischer, afirmou que o cenário atual tem como protagonista um consumidor que, ainda sentindo os reflexos das incertezas políticas e econômicas - e também impactado pela alta taxa desemprego - precisou retrair as compras.

“Isso não ocorreu apenas nas classes mais baixas, sendo sentida por todas as camadas da população. Além disso, os consumidores continuam endividados, o que afeta ainda mais o potencial de consumo”, disse.