Artigo 19:57 - 03 de maio de 2019

A discussão sobre a equidade no varejo brasileiro ocorre já há algum tempo e alguns números mostram que já há uma igualdade entre homens e mulheres. Porém, os desafios estão quando olhamos para cargos ou posições estratégicas onde esta proporção precisa melhorar. É muito comum os proprietários de supermercados, por exemplo, colocarem seus filhos como sucessores e não suas filhas.

De fato, poderia listar inúmeros motivos para essa desigualdade como falta de oportunidade, reconhecimento e inclusive preconceito mas, de acordo com nosso último estudo do grupo Mulheres do Varejo, um dos temas mais citados pelas executivas foi a questão da maternidade e como melhor administrar sua vida profissional e pessoal.

Segunda elas, o nível de esforço para alcançar cargos de direção é muito alto e elas declaram que "em geral exige-se que a mulher escolha entre a carreira e a maternidade”.

Aprofundando mais sobre o tema, observamos que:
 

  • 84% das mulheres e 74% dos homens disseram que é verdade que mulheres sofrem preconceito no mundo corporativo quando ficam grávidas.

 

  • 59% das mulheres disseram que é verdade que mulheres têm preconceito na contratação de outras mulheres com relação a questão da maternidade.

 

"Eu evito contratar profissional sem filho em uma possível idade de ter. Para contratar ela tem de ter um diferencial. Infelizmente nesse momento preciso pensar como empresa. Se estou contratando é porque preciso do profissional. Sabemos que a consciência no Brasil é baixa” declara uma participante da pesquisa realizada em Fevereiro/2019 | base: 107 mulheres e 77 homens

 

  • 49% das mulheres disseram: é verdade que engravidar atrasa a carreira.

 

“Atrasa a carreira e te coloca em um ponto de eterno delay, pois você vai precisar sair no horário certo para pegar a criança na escola e as decisões continuam sendo tomadas mesmo quando você não está lá".
 

Pensado nisso, preparamos algumas dicas de como podemos ajudar as mulheres a vivenciarem esse momento tão importante e se sentirem acolhidas no ambiente corporativo:

 

  1. Licença maternidade de 180 dias: além dos benefícios maternos como amamentação, resultados já apontam que o maior tempo da mãe com o filho deixa a mulher mais produtiva e engajada quando volta ao trabalho.

 

  1. Respeitar os horários e permitir que homens ou mulheres possam sair para buscar seus filhos na escola ou levar ao médico é algo fundamental e precisa ser igualitário e sem preconceito.

 

  1. Licença paternidade estendida: há empresas no Brasil que já oferecem 4 meses de licença aos pais. Isso poderá trazer inúmeros benefícios, mas permitirá mais tempo livre para outras atividades, além divisão mais igualitária das tarefas.

 

  1. Ter uma proposta estruturada para home-office: além da diminuição no tempo de deslocamento, permite uma concentração maior e uma administração melhor da vida e responsabilidade materna e paterna.

 

  1. Substituição temporária: ter um plano para substituir durante a licença ajuda na manutenção dos objetivos corporativos, em não sobrecarregar a equipe e trazer maior tranqüilidade a esta mãe. E claro, sempre demonstrando que o retorno desta mãe é algo desejada pela corporação.

 

Vamos refletir, debater e mudar as regras corporativas? Afinal, todo mundo tem uma esposa, uma filha ou uma mãe - comecem pensando nelas!

 

 

 

Bruna Fallani é especialista em shopper, com experiência de mais de 18 anos no mercado de FMCG, fundadora da Shopper 2B e membro do Comitê Executivo do Mulheres do Varejo.