Notícia 10:44 - 25 de agosto de 2020

Dizer que conceitos como saudabilidade, bem-estar animal, sustentabilidade, valorização do local e economia circular são algumas das palavras de ordem na nova dinâmica da indústria e do varejo significa também que há certa urgência para que os supermercadistas comecem a se adaptar. Afinal, é o próprio consumidor que tem ditado essa lógica. Então, para ajudar os supermercados a compreenderem melhor esse movimento, conversamos com a sócia-fundadora da Evolution, Cristina Lopes (foto ao lado), consultora em varejo. 

Para começar, dados do estudo global Vida Pós-Covid-19: Retomar, Reiniciar e Reinventar, elaborado pela Nielsen, ajudam a mapear os padrões éticos valorizados pelo shopper. Entre os elementos que influenciam as decisões de consumo, destacam-se a preferência por marcas que tenham consciência social, trabalhem pelo bem comum, valorizem ações locais e racionalizem o portfólio concentrando em itens com propósito. A projeção de médio prazo feita pela pesquisa, período que corresponde ao terceiro trimestre deste ano, salienta que ações de marca só serão recompensadas se o tom for de empatia e não de oportunismo.

Por conta de todo cenário, a consultora reuniu cinco tendências que precisarão ser observadas na tomada de decisão daqui em diante, no que diz respeito à escolha do sortimento, estrutura do PDV, ações e serviços. São elas:


1. Sustentabilidade: cresce a relevância das lojas verdes, que funcionam com reaproveitamento de água e energia solar, oferecem carrinhos recicláveis, pontos de coleta para reciclagem, bolsas retornáveis, embalagens em vidro, sacolinhas em tecido para vendas a granel, entre outros recursos e ferramentas que apoiam e facilitam a conservação do meio ambiente.

2. Economia circular: quando aplicado à realidade supermercadista, o termo significa dar a correta destinação às embalagens pós-consumo e aos resíduos da loja, com a intenção de evitar o desperdício e a geração de lixo.

3. Saudabilidade: ascensão dos PANC (produtos alimentares não convencionais), como itens à base de plantas, kombucha, alimentos proteicos e todos da linha “sem”: isentos de hormônios, glúten, açúcar, sódio, lactose etc. “Além disso, os orgânicos invadem todas as categorias e não apenas o FLV. O mais interessante é que esse padrão já estava presente, mas ganhou relevância com a Covid. Saudabilidade se tornou ainda mais importante graças à preocupação com a imunidade”, ressalta.

4. Circuito curto de alimentos: valorização do local e regional para contribuir com o pequeno produtor e levar itens mais frescos aos clientes. “O shopper quer saber de onde vêm os produtos e espera informações cada vez mais completas sobre eles”, reforça Cristina

5. Praticidade: quanto mais rápida e fácil for a compra, melhor, principalmente dos itens básicos. Cada vez mais, o shopper quer economizar tempo para fazer o que lhe dá prazer.

Mas isso custa caro?

“Não é necessário ter dinheiro para introduzir produtos que estejam alinhados com as tendências de mercado, apenas visão”, responde a especialista. A consultora ainda diz que todos esses valores independem de classe social e são uma questão de conscientização.  

“Ainda que as classes mais favorecidas tenham acesso a informação e que os orgânicos ainda estejam focados no público AB, grande parte dessas tendências estão relacionadas a valores como proteger os animais da crueldade (veganismo) ou até mesmo a restrições alimentares.”

Nesse processo de adaptação, ela sugere, como primeiro passo, conhecer bem o cliente. “A maior lição de liderança é saber que você nunca conhece seus clientes, pois eles mudam constantemente e estão cada vez mais exigentes”, orienta. Em outras palavras, ampliar o entendimento sobre o público é fundamental para todos os supermercadistas. “Hoje, os dados são o oxigênio do varejo: CRM e promoções personalizadas são o que o shopper espera.”

Ela também indica criar um espaço para os saudáveis na loja, se ainda não houver, ou dedicar atenção especial a esse ambiente, incluindo itens light, diet e orgânicos selecionados.

“Sabemos o quanto custa fazer, mas alguém sabe quanto custa não fazer?”, provoca.

 

GPA e Carrefour: atender aos novos valores gera retorno financeiro  

Dupla de peso no setor nacional, o GPA e o Carrefour têm servido de inspiração aos demais supermercadistas no que se refere a meio ambiente, apoio a pequenos produtores locais, bem-estar animal, gestão de resíduos, diversidade e inclusão, bem como na escolha de fornecedores alinhados a essas condutas.

Entre as iniciativas consolidadas no Relatório de Sustentabilidade de ambas as redes, os números saltam aos olhos. No Grupo Carrefour Brasil, por exemplo, durante o ano passado, 5,5 milhões de embalagens não recicláveis foram substituídas por opções recicláveis, foram doados 3.887 toneladas de alimentos e houve a redução de 5% no total de emissões de gás carbônico pela malha logística, o equivalente a 1,3 mil toneladas. Além disso, um dos maiores objetivos do grupo para 2022 é liderar a transição alimentar. Ou seja, por meio do posicionamento institucional Act for Food, realizar iniciativas e investir para tornar a alimentação saudável e de qualidade acessível a todos, por um preço justo.

O Relatório de Sustentabilidade do GPA, por sua vez, documenta que, no ano passado, o grupo assumiu o compromisso de substituir 100% das bandejas de isopor de FLV das suas marcas próprias por material biodegradável. E ainda afirma ter coletado mais de 6,7 mil toneladas de materiais recicláveis nas lojas do Pão de Açúcar e Assaí, arrecadado mais de 2.000 toneladas de alimentos para instituições e evoluído nas ações de bem-estar animal.

Escolhas que, aliás, também geram retorno financeiro. É o que ilustram os cases de Extra e Pão de Açúcar, que têm registrado um aumento, a uma média constante acima de 150%, nas vendas de alimentos plant-based (preparados com ingredientes vegetais) desde a segunda quinzena de maio de 2019, quando passaram a incluir a categoria em suas gôndolas. Isso significa que a comercialização quase triplicou a cada mês.

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