Artigo 11:17 - 06 de agosto de 2021

Os executivos de supermercado que acompanham o DRE – Demonstrativo de Resultados da Empresa com precisão estão muito preocupados com o aumento do custo de servir o shopper e com razão.

Antes da pandemia, em conversas com executivos do varejo, um questionamento frequente, que se fazia era sentido operar com e-commerce pelo fato da operação em si não ser rentável. Por outro lado, segundo um artigo do MIT[1], comprar online, retirar na loja ou entregar no domicílio não são mudanças passageiras.

Mas essa mudança não veio sozinha. Com a pandemia, as empresas de delivery como Rappi e Ifood se destacaram e, junto com os custos do e-commerce, as empresas supermercadistas também tiveram que incorporar os custos desta conveniência e repensar na infraestrutura e todas as suas implicações. Uma análise feita em abril de 2021, pela Deloitte, com 100 varejistas de 11 subsetores de varejo mostra como as recentes tendências de experiência do cliente estão agravando uma crise de margem que já estava acontecendo antes da pandemia.

Se o consumidor ia até a loja e investia tempo no deslocamento até o ponto de venda, seleção de produtos e depois no retorno para casa e esse custo precisou, por várias razões, ser assimilado pelas empresas e o varejo se torna gradativamente uma empresa de serviço e, consequentemente, o custo de servir aumentou. Ainda segundo o artigo do MIT, entre 2013 e 2019 numa análise que eles fizeram com 100 empresas varejistas norte-americanas de capital aberto, o EBITDA das mesmas caiu 3% neste período, o que reforça que este novo custo de servir está realmente impactando o resultado do varejo.

Neste sentido a pergunta que não quer calar: a sua organização tem um DRE para cada modelo de operação para apurar com precisão os custos envolvidos?  A precisão das informações será essencial na gestão do negócio e cadastro e processos essenciais.

Se considerarmos os investimentos que empresas como Magalu, Mercado Livre, Amazon e outros têm feito e muitos varejistas abrindo loja física, a concorrência ficará mais intensa e consequentemente atrair e reter clientes mais desafiador. Neste contexto, será fundamental ter informações financeiras precisas para tomar melhores decisões e aumentar não só a eficiência – fazer bem-feito, mas também a eficácia – fazer a coisa certa. O espaço para tomar decisões com base no feeling está se reduzindo e não é mais possível improvisar na gestão do negócio. Não existe mais a solução aparentemente óbvia de repassar custos para o consumidor. Até porque esse shopper tem mais opções de locais de compra seja online ou offline.

 

Olegário Araújo

Cofundador da inteligência360, pesquisador do FGV CEV, conselheiro consultivo da Pricefy e Local.e

Com a colaboração de Sandro Benelli, Graduado em Física, doutorando em ESG pela FGV/EAESP. CEO dos supermercados Intermarket (Angola) e Veran. Com carreira em Carrefour, GPA, Casino (França).

 

 

 

 

 

[1] Rodney R. Sides and Lupine Skelly - The Retail Profitability Paradox – MIT Sloan Management Review – June 22, 2021

Créditos da imagem de capa: iStock


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