Artigo 12:23 - 10 de novembro de 2020

Em tempos de pandemia a busca por novas estratégias, possibilidades e formas de refazer as coisas tornou-se um desafio inevitável. Nesse cenário em que estamos, algumas “perguntas” aparecem a todo momento: qual a capacidade que as empresas do varejo têm de reagir ao imprevisto, a pressão, ao incerto?  Qual o seu potencial de criatividade, estratégia e resiliência?  

Mudanças, que pareciam fadadas como demoradas, acontecem em tempos recordes. Desburocratizou-se processos em prol do bem maior, passou do offline para o online em um flash para salvar a saúde financeira das empresas.  E por que isso aconteceu? Porque tinham de fazer para sobreviver, foram lá e fizeram. Não parece estar aí também uma possibilidade de reflexão? O que de fato segura as mudanças em nossas vidas e nas empresas? Será que muitas vezes não são as “histórias que inventamos para nós mesmos” que nos impede de ir além? Ou o engessamento dos processos?

Os medos e inseguranças, por diversas vezes, criam em nós muros e não as pontes que necessitamos para ultrapassar nossos limites e crescer. Dar um passo a mais, passar de uma margem para outra exige de cada pessoa, escolher, se posicionar e dar voz aquilo que pulsa dentro de nós, nossos desejos e propósitos. Isso muitas vezes, assusta.

Dentro das empresas de varejo, o desafio se apresenta da mesma forma. Os comitês de crise, que surgiram nos diversos segmentos, atuam como mola propulsora e catalizadores das decisões e ações necessárias nesse cenário, abrindo espaço para diálogos e ecossistemas de aprendizagem que são de grande valia para o momento. Construção horizontal, integração, valorização do conhecimento do outro, visão estratégica e atuação sistêmica são pilares desse trabalho no processo de se reinventar.

Então, diante de tantas perguntas e possibilidades fica quase impossível não falar da importância de cuidar do equilíbrio emocional, pois atrás de cada cargo, está uma pessoa com todas as suas inquietações e construções.  O campo das emoções ficou em foco, pois a pandemia traz consigo questões e reflexões sobre a morte, solidão, saúde, tempo, família, escassez, prosperidade e tantas outras que provocam uma série de sentimentos e sensações nos profissionais. Não à toa, há um aumento do número de casos de pessoas em busca de atendimento para quadros de ansiedade e depressão.

É tempo de escrever um novo capítulo, e muitas vezes será preciso deixar de lado o massacre de informações e surfar um pouco na onda de cooperação, cumplicidade, criatividade, inovação e amor que também vem acontecendo e que é lindo de ver. E se apertar demais é só lembrar o que sabiamente disse a canção...”No novo tempo, apesar dos perigos, da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta, pra sobreviver...”. E sim! Vamos sobreviver e sair melhores disso tudo! E você no que acredita?

*Micheli Pessin Nunez - CEO da Pessin Gestão e Desenvolvimento Personal, Professional e Leader Coach, Psicóloga, especialista em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Mulheres do Varejo.

 


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