Notícia 16:34 - 21 de agosto de 2020

A pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE, constatou que o consumo dos alimentos in natura e minimamente processados andam perdendo o espaço que tinham na mesa do brasileiro, nos últimos quinze anos. Os cereais, leguminosas e oleaginosas, por exemplo, ocupam somente a metade do espaço no orçamento doméstico, em comparação ao início dos anos 2000.

Os dados são da última edição da POF, referente a 2017/18, e mostram que a população destinou apenas 5% da despesa média mensal para o grupo destes tipos de alimento. Na edição de 2002/03 da mesma pesquisa, o índice era de 10,4%. As regiões Nordeste (6,7%) e Norte (5,7%) marcaram os melhores resultados no levantamento, enquanto o Centro-Oeste (5,1%), o Sudeste (4,5%) e o Sul (3,7%) ocuparam as últimas posições.

Por outro lado, os recursos destinados ao consumo de carnes, vísceras e pescados saltou de 18,3% em 2002/03 para 20,2% em 2017/18. Além disso, os alimentos preparados também tiveram um movimento semelhante, passando de 2,3% para 3,4% no orçamento doméstico do mesmo período.

Esse tipo de mudança na base nutricional do brasileiro não ameaça somente o meio ambiente, mas principalmente a saúde, segundo a Associação Dietética Americana. Além de consumir menos recursos naturais, uma dieta a base de vegetais previne várias doenças nos seres humanos.

Na opinião de especialistas, o desequilíbrio nutricional também pode afetar o desenvolvimento econômico e social do Brasil. O cenário contraria, por exemplo, boa parte dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ODS-ONU) em 2015, com metas estabelecidas até 2030.

“A manutenção de animais como estoques de alimento exerce uma pressão sem precedentes sobre todos os ecossistemas. Além de produzir resíduos sólidos, líquidos e gasosos em grande quantidade, dietas com alta proporção de alimentos de origem animal estão associadas a prevalências mais altas de doenças cardiovasculares, diabetes e vários tipos de câncer”, explica Renata Victoratti, nutricionista e assistente de campanhas da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

De acordo com um relatório do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e Agência Alemã para a Cooperação Internacional, a pecuária é o setor da economia com os maiores custos em perda de capital natural: para cada R$ 1 milhão de receitas do setor, R$ 22 milhões são perdidos em capital natural e outros danos ambientais. De forma semelhante, as operações de abate e processamento de animais custam ao país, em danos ambientais, 371% a mais do que a receita que geram.

Problemas com a saúde 

A falta de uma dieta equilibrada tem feito com que o número de brasileiros obesos já chegue a 70%, entre 2006 e 2019, no Brasil. O Vigitel, que pertence ao sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis do Ministério da Saúde, aponta inclusive que a porcentagem de brasileiros obesos passou de 11,8%, no início do período, para 20,9% no ano passado. Ou seja, dois em cada dez brasileiros sofrem com esse problema atualmente.

Imagem de capa: iStock

 


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