Notícia 09:06 - 30 de abril de 2021

Durante o evento online do Grupo Carrefour Brasil, realizado esta semana, com o intuito de promover a equidade e discutir o combate ao racismo, a rede aproveitou para apresentar sua cláusula antirracista nos contratos com fornecedores e sua política de tolerância zero ao racismo. 

Na prática, a cláusula vem sendo aplicada desde janeiro para os novos contratos, mas agora ela foi comunicada pelo CEO, Noel Prioux, para toda a base, por meio de uma carta que inclui também a política revisada de diversidade do grupo e a política de consequências, que reforçam a tolerância zero ao racismo.

"Queremos que todos que se relacionam com Carrefour adotem as melhores práticas, apoiem iniciativas e incentivem mudança de comportamento. Não basta combater o racismo, é preciso ser antirracista", detalhou Prioux, durante o evento.

A cláusula faz parte de uma série de 72 iniciativas reunidas em oito compromissos públicos para o combate à discriminação e inclusão de negros e negras no ambiente de trabalho, assumidos pela empresa como forma de contribuir para o enfrentamento do racismo no Brasil. Todas tomadas após a morte de João Alberto, espancado por dois seguranças brancos de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre (RS), há pouco mais de cinco meses. 

Com base nisso, a empresa também apresentou as novas diretrizes para a segurança interna, com investimentos de mais de R$ 5 milhões para a internalização dos agentes de fiscalização e a implementação de um novo modelo.

Além de apresentar projetos e apoiar as causas da população negra do Brasil, o Grupo Carrefour Brasil revisou nos últimos meses suas politicas internas de Valorização da Diversidade e os códigos de conduta, e lançou um canal de denúncias de enfrentamento ao racismo e discriminação para os colaboradores, clientes terceiros e fornecedores.

"Queremos assumir de forma clara e transpartente o nosso compromisso. Queremos que todos que se relacionam com o Carrefour adotem as melhores práticas, apoiem iniciativas e incentivem mudança de comportamento. Não basta combater o racismo, é preciso ser antirracista", completa Prioux.

As iniciativas do Grupo para combater o racismo estrutural podem ser acompanhas por meio do site Não Vamos Esquecer

Inclusão no mercado de trabalho

Encomendada pelo Carrefour, o instituto Locomotiva apresentou um levantamento realizado por telefone, no mês de abril, com 1.630 entrevistados, de 72 cidades do País, que evidencia uma grande falta de conhecimento com relação ao caráter estrutural do racismo. Cerca de 64% dos entrevistados disseram que o racismo é fruto da ação de indivíduos e não de uma cultura de exclusão, e, mais da metade (59%), acreditam que as pessoas brancas também são vítimas de racismo.

Os dados mostram também que cerca de 86% da população concorda que para as empresas venderem para todos, elas precisam respeitar a diversidade racial. No mercado de trabalho, 76% dos brasileiros consideram que as pessoas negras são discriminadas; mais de 52% dos trabalhadores pretos e 26% dos negros (incluindo pardos) já sofreram preconceito em ambiente laboral, e 57% dos trabalhadores do País já presenciaram uma pessoa negra sendo discriminada ou humilhada em ambiente de trabalho. Em termos de salário, os trabalhadores negros ganham, em média, 76% a menos do que outras raças e etnias.

"O racismo é estrutural e para combatê-lo é preciso ter tolerância zero. O brasileiro precisa enxergar o racismo na sociedade e os impactos que ele traz. Existe um mercado gigantesco de pessoas que são discriminadas e não antendidas e, mais do que isso, seguidas em supermercados, sofrendo violência policial. A promoção da diversidade nas empresas é um dos caminhos para mudar esse cenário", completa Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Créditos da imagem de capa: Diego Vara/Reuters

 

 


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