Notícia 17:11 - 10 de setembro de 2019

Os números comprovam que o e-commerce está cada vez mais consolidado e longe de ser apenas uma tendência passageira. No Brasil, por exemplo, o comércio online cresceu cerca de 15% no ultimo ano em comparação a 2017, segundo dados divulgados pela Ebit Nielsen.

Porém, nem todos os setores surfam nesta onda. O supermercados, quando comparados com outros segmentos, ainda tem certa resistência ao se adaptarem a este mercado, principalmente quando o assunto for frutas, legumes e verduras.

Além disso, outro ponto de atenção para a digitalização completa do setor supermercadista, é a necessidade de uma reforma completa da dinâmica de manuseio e transporte que, adequada ao modelo, surtiria bons resultados, como alerta a diretora executiva do Ibevar, Patricia Cotti, que conversou com a SuperVarejo e trouxe algumas questões que deveriam ser trabalhadas no offline para refletir nas vendas online.

  1. Não mergulhe no e-commerce de uma vez

Antes de começar o atendimento online de fato, a companhia deve primeiramente entender qual propósito deseja atingir: usar o e-commerce para aumentar vendas, apenas para entregas ou migrar totalmente para o digital, entre outras opções. Nesse sentido também é importante considerar o investimento e a logística da operação para não “dar um passo maior que as pernas”.

Assim, a primeira medida é iniciar e manter uma presença nas redes sociais, além de elaborar um site para exibir o portfólio de itens disponíveis nas lojas, incentivando vendas físicas e gerando demanda. Em seguida, podem ser estabelecidos programas de entrega, como clique e retire, para posteriormente considerar a comercialização de produtos. Para começar, devem ser privilegiadas as categorias com maior prazo de validade, como bebidas e itens de limpeza, e – se houverem – categorias complementares, como roupas e eletrônicos.

A parte alimentar propriamente dita deve ser a última a ser implementada, visto que exige tempo de entrega diferenciado e um cuidado maior. À medida que o supermercado vai se abrindo ao e-commerce, ele deve considerar o plano estrutural, fazendo estoques integrados e criando canais conectados entre online e offline. Dessa forma é possível realizar testes, verificar as necessidades operacionais e corrigi-las.

  1. Omnicanalidade é a melhor estratégia

A omnicanalidade, ou integração dos diversos canais de uma empresa, não é uma simples estratégia para aumentar as vendas. “A ideia não é só a divisão entre online e físico – é cercar o consumidor de opções”, esclarece Patricia. O cliente quer ter aquele produto quando quiser e como quiser, então é preciso ter meios que atendam todas essas necessidades, de modo a evitar perder espaço para a concorrência. Assim, o e-commerce não funciona apenas para incrementar vendas, mas para não desperdiçar um possível momento de compra do consumidor.

  1. Os dados são a chave para entender o cliente

De maneira geral, a inteligência de gestão de dados é fundamental para o varejo, incluindo o supermercado. Os dados funcionam como chave para entender o consumidor, desde sua preferência por determinada mercadoria até comportamentos de compra mais complexos, como horário e localização principais de demanda.

 “As empresas que lideram o varejo são as que melhor utilizam dados e têm maior conhecimento de seu consumidor”, afirma a executiva.

  1. O dilema do aplicativo de entrega próprio

Sem dúvidas, a principal dificuldade dos supermercados no e-commerce está na entrega, que exige atenção especial por envolver alimentos. Os grandes players do mercado físico estão solucionando este problema através de parcerias com aplicativos de entrega, a exemplo do Carrefour com a Rappi, ou o Pão de Açúcar com o James Delivery. Dessa forma eles conseguem terceirizar a parte da "entrega em casa", ficando com uma operação online simplificada.

Apesar de aplicativos próprios serem uma boa estratégia de marketing, eles só funcionam se apresentarem apelo e vantagens muito grandes e a rede tiver uma clientela fidelizada. Até porque “o consumidor hoje não quer 67 aplicativos diferentes no celular”. A taxa de resistência para novos apps, em geral, entre os brasileiros é muito alta, com cerca de 85% deles sendo utilizados apenas uma vez, afirma Patricia.

Assim, para os negócios menores, parcerias são mais interessantes por não exigirem grandes mudanças operacionais no dia a dia, como a criação de uma equipe própria para esse canal.

  1. Fique atento às tendências de consumo no geral

Não basta estar disponível online, para atingir o público, o supermercado tem que entender os movimentos do mercado e as tendências de consumo mais relevantes da atualidade. Na verdade, essas alterações impactam todos os meios, como o aumento do modelo de lojas de bairro e vendas de indulgência (impulsionadas pela vontade imediata) entre categorias como as de snacks.

Porém, por serem resultado de uma vontade passageira, as vendas desse tipo de produto não traduzem muito bem para o online, por exemplo, a não ser que a entrega seja praticamente imediata.

Além disso, outra movimentação é a de serviços de assinaturas sem compromisso com o varejo físico, principalmente de produtos saudáveis, a exemplo do Clube Orgânico.

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