Notícia 17:47 - 23 de março de 2020

Após alguns decretos adotados pelas autoridades públicas nos últimos dias, muitos consumidores temem a falta de alimentos e itens básicos durante o período de quarentena, e saem desenfreadamente estocando itens que acabam fazendo falta para os demais. Alguns exemplos disso foi o que aconteceu com o álcool em gel e as máscaras.

De acordo com Robson Munhoz (foto à esquerda), vice-presidente da Neogrid, empresa especializada na gestão automática da cadeia de suprimentos (Supply Chain Management - SCM), a corrida aos supermercados, nos últimos dias, se deve a euforia da população, ao aumento do consumo dentro de casa e ao medo de não encontrarem alguns itens durante a quarentena.

“Verificamos que o índice de ruptura subiu por causa das vendas pontuais de alguns produtos como o álcool em gel, que registraram uma ruptura de 31,1%, e do papel higiênico, com ruptura de 9,3%, até o dia 14 de fevereiro. Ou seja, os brasileiros viram os outros países comprando estes itens, muitas vezes importados, sem se darem conta de que não havia motivo para correr ou ter medo que eles acabassem, se somos produtores de muitas matérias primas, como a celulose, por exemplo”, esclarece.

Segundo Munhoz, a falta de alguns itens nas gôndolas se deve ao desespero das pessoas por não saberem direito como lidar com o período de quarentena, e à falta de mão de obra para repor mais rapidamente todos os produtos nos supermercados. Para evitar que essa ruptura continue acontecendo, ele propõe algumas soluções que poderiam ser adotadas pela cadeia de abastecimento.

“Para começar, o varejo deveria colocar uma fila limite dentro da loja, como foi feito na Itália. O abastecimento também deveria ser noturno ou no começo do dia, e as indústrias, por sua vez, poderiam adotar esquemas de rodízio, como uma carona solidária para os promotores de categorias diferentes, e em horários mais tranquilos. Além disso, o varejo também poderia aumentar o número de promotores temporários”, propõe Munhoz.

Até isso acontecer, ele acredita que aos poucos a população deve ir se conscientizando de que os produtos e os alimentos não vão acabar, e que todos podem diminuir a frequência com que estão indo aos supermercados, nos próximos dias. “Com o passar dos dias será preciso criar regras de convívio para que todos se deem bem. Afinal, é injusto comprar tudo por egoísmo, sem pensar no outro”, conclui.

Imagem de capa: Pixabay

 


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