Entrevista Notícia 16:59 - 24 de abril de 2020

Silenciosamente, a depressão vem fazendo vítimas, cada vez mais cedo. Em muitos casos, leva ao suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa será uma das doenças mais comuns até 2030. Estima-se que, hoje, cerca de 5% da população mundial sofra de depressão; o índice dobra no Brasil. O impacto chega ao mercado de trabalho. O Ministério da Saúde concedeu, em 2017, perto de 2,3 milhões de benefícios por episódios depressivos e transtorno depressivo recorrente. Embora venha despertando atenção, a depressão ainda é carregada de estigma e preconceito.

Para discutir a doença, a SuperVarejo convidou um dos mais respeitados estudiosos do tema, o psiquiatra Dr. Sérgio Ricardo Hototian, membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Com trabalhos em congressos mundo afora e citado em revistas científicas, como a inglesa The Lancet Psychiatry, Dr. Hototian alerta empresas para que se preocupem com a saúde mental dos empregados e de seus dirigentes. Também secretário da Comissão Científica de Gerontopsiquiatria para os Países do Cone Sul da APAL na Associação Latino-americana de Psiquiatria, o médico costuma dizer que muitos empresários sucumbiram à depressão. Nas páginas a seguir, ele explica esses e outros pontos de vista, baseados em sua ampla experiência no tema.

Por que é tão difícil falar sobre depressão nas empresas?
Primeiro, quero parabenizar a revista por trazer esse assunto à discussão. Falar de doença mental é um tabu e temos que enfrentá-la sem preconceito, sem psicofobia. Muitas vezes, funcionários escondem dos RHs que fazem terapia ou tratamento para ansiedade, sentem vergonha de dizer que têm depressão, pois muitas organizações consideram isso uma fraqueza; há casos, inclusive, de demissão. Isso não é adequado! Depressão é uma doença reconhecida pela OMS. O indivíduo não fica depressivo porque quer. Precisa de ajuda, de tratamento! Psicofobia é preconceito, crime! Não se pode desqualificar uma pessoa porque é depressiva, bipolar, borderline etc. Todo mundo está sujeito a adoecer, sem exceção.

Por que episódios de depressão ocorrem cada vez mais cedo?
Enquanto em outros países percebe-se uma estabilização, no Brasil, a incidência de novos casos de depressão vem aumentando muito, acompanhado pelo índice de suicídios, principalmente entre adolescentes e idosos. Acreditamos que isso se deva às pressões sobre as famílias, principalmente de classe média; a dificuldade financeira dos últimos anos tem gerado muita crise no ambiente familiar. Pais estressados geram filhos estressados, com alterações de comportamento nas escolas, problemas de bebidas e outras drogas etc. Em sociedades muito exigentes, como na japonesa, é alto o índice de alcoolismo na população adulta, e de suicídio, inclusive em crianças. Uma das explicações é que os adultos são cobrados e passam a cobrar também dos filhos. Além disso, o Brasil é um país violento, instável e passou por grave crise de confiança quanto ao futuro. Em uma sociedade assim,  o  estresse é  muito  grande, aumenta muitoo risco de suicídio, principalmente quando não  se  tem  o  diagnóstico e  o tratamento adequado da depressão, e fatores de risco como dependência química. A psicoterapia é forte aliada do tratamento psiquiátrico, indispensável na maioria dos casos, pois ajuda a resgatar a esperança. Esperança é uma proteção psicológica, que se cria com tratamento eficaz. O sujeito com esperança fica mais otimista, tem menos angústia depressiva e se sente menos culpado. Depressão é a doença da culpa. O indivíduo se culpa por estar doente e, lamentavelmente, pode ouvir coisas que reforçam ou pioram seu estado, como: “Você precisa sair disso, não pode ficar assim”. Ou, o que é pior: “Você não tem nada, isso é falta de ocupação”.

Depressão pode ser confundida com estresse?
Sim, e é bom esclarecer a diferença entre depressão, estresse e síndrome de burnout. A depressão tem muitos sintomas de ansiedade, de burnout e vice-versa, e alguns pacientes podem ter sinais dos três. Burnout se caracteriza por um cansaço profundo, uma sensação de esgotamento físico e mental, que pode ser temporariamente incapacitante. O indivíduo não fica depressivo no humor, fica agitado, perde as energias e não consegue produzir. Sente-se principalmente incapaz, não reconhecido e a autoestima cai. Começa a dormir mal, tem dificuldade de acordar, pode apelar para a bebida e outras substâncias químicas, e isso tende a piorar, com reflexo na produtividade. O estresse é a reação do organismo a uma pressão interna ou externa. A depressão é um processo mais profundo, o indivíduo sente uma tristeza enorme, perde a atenção e o foco. Diferentemente do burnout, a apatia não se dá pelo estresse, mas pela própria depressão. É muito comum, ainda, confundir esses sintomas com a Síndrome de Déficit de Atenção e com o TAG, Transtorno de Ansiedade Generalizado.

Os sintomas de depressão variam de pessoa para pessoa?
Temos a  depressão maior, aquela em que   o indivíduo acorda deprimido, desanimado e melhora no decorrer do dia. É típica dos bipolares, é grave. Antigamente era chamada de depressão endógena, podendo ser incapacitante. Já as distimias são as que variam durante o dia, o indivíduo acorda bem e piora no final da tarde. Muitos distímicos bebem para se sentirem bem da ansiedade, da angústia que advém de um quadro depressivo, o que agrava a depressão e pode desencadear o alcoolismo e outras dependências químicas. Existe a depressão sintomática e a assintomática, que chamamos de depressão sorridente. Classificam-se também as depressões por faixas etárias e elas diferem entre si. A juvenil é bem distinta da rebeldia própria da adolescência. O jovem com quadro depressivo tem alterações importantes da energia, inverte o sono, passa a se queixar bastante do rendimento, tem baixa autoestima e passa a se achar incapaz para tudo. Na meia-idade, a depressão pode ter relação com dependência química. A partir dos 25/30 anos até os 50, é maior o risco de evoluir para uma dependência de álcool ou outras drogas quando não diagnosticada e tratada. O perfil da sintomatologia depressiva muda a partir dos 60 anos. É somática, normalmente com diagnóstico de fibromialgia, dores de cabeça, musculares etc., que melhoram com antidepressivos. A relação entre dor e depressão é muito grande e conhecida. Os próprios reumatologistas confirmam o benefício de antidepressivos para pacientes com depressão irritável e dor.

Síndrome de borderline pode ser entendida como depressão?
Borderline é um transtorno de personalidade limítrofe que faz a pessoa viver em função do risco e do prazer. Quando frustrada, reage mal, entra em crise, não dorme, tolera pouco os baques de pressão de grupo. É o jovem que se ofende ao ser repreendido, se desespera, se sente humilhado, entra em um quadro que pode ser confundido com depressão; mas é restrita a um episódio de frustração. À parte disso tudo, temos a chamada geração “floco de neve”, que reúne jovens de personalidade bastante frágil, imediatista e pouco tolerante à frustração e à angústia, que têm sido observados após a era da excessiva tecnologia digital, porém, nem sempre com diagnóstico de borderline.

Estudos mostram que 75% dos entrevistados com depressão nunca receberam tratamento adequado.
Curioso que o Brasil é um dos maiores consumidores de calmantes do mundo, mas depressão se trata com antidepressivo, não com calmante. Se usado de forma abusiva, fora dos padrões médicos, o calmante pode, inclusive, agravar um quadro de depressão. Um dos muitos equívocos que se ouve por aí é que antidepressivo causa dependência. O tratamento com antidepressivo é eficaz e não altera a habilidade do indivíduo, embora possa modificar a reação a situações comuns, porém, sem grandes prejuízos cognitivos ou funcionais, especialmente nos antidepressivos de última geração. A atenção é alterada pela depressão, não pelo medicamento e, muitas vezes, uma depressão só melhora a partir da segunda semana de tratamento.

Como explicar o aumento de suicídios em idosos no Brasil?
O risco de suicídio em pessoas acima dos 60 anos sempre foi alto, aumenta à medida que o indivíduo perde condição social, se aposenta, se despede de amigos e familiares. A solidão acaba sendo um fator desencadeante importante. Some-se a isso uma sociedade muito estressada, como a nossa, em que há um baixo retorno em serviços públicos, planos de saúde caríssimos etc. A depressão em pessoas acima dos 60 anos é potencialmente biológica e o fator de risco é a córtex cerebral, que diminui com a idade. Além disso, o aumento expressivo do número de idosos no país é, com certeza, um dos fatores que explicam o crescimento de casos.

Como o senhor define um chefe destrutivo?
Muito exigente, narcisista, que pode surtar até grupos inteiros. É o que mais se vê por aí. Recentemente, o Ministério da Saúde da França identificou um aumento no número de suicídios em uma cidade. Averiguou e acabou chegando a  uma empresa de  telefonia, que tinha um chefe extremamente difícil de lidar, com exigências de “grupo de luta ou fuga”, que deixava os funcionários muito perturbados por instituir um clima de terror. Ao mesmo tempo, é preciso bastante cuidado. Muita gente tende a culpar o ambiente de trabalho pela doença, mas não se pode afirmar que uma depressão “foi criada pela empresa”. O fator ambiental é apenas um dos vários aspectos que levam à depressão. Obviamente que um ambiente saudável diminui bastante o risco de desenvolvê-la. A doença é uma combinação de três fatores: biológico, da própria pessoa, da genética, às vezes com vários casos na família, inclusive de suicídio; o fator psicológico, uma pessoa de personalidade saudável tende a lidar bem com a pressão de grupo, mas há os imaturos, que não toleram limites e têm mais dificuldade para lidar com pressão, mas isso não apenas em empresas, na vida; e o fator social, em um ambiente estressado, mesmo uma pessoa equilibrada pode desmoronar em algum momento. Há controvérsia entre os especialistas. O psicanalista Pérsio Nogueira, um de meus supervisores, dizia que uma pessoa saudável, tolerante à angústia é aquela que, na guerra, não se estressa, mantém o equilíbrio. Isso seria uma situação ideal, pouco perceptível na prática, especialmente porque a maioria da população não tem acesso aos tratamentos em saúde mental que promovem esse estado mental apontado pelo Pérsio.

O que são grupos de luta ou fuga e grupos de dependência?
O psicanalista britânico Wilfred Ruprecht Bion dizia que, do ponto de vista mental, há três tipos de grupo observáveis em um determinado momento, ou seja, temporais: o de trabalho, o de luta ou fuga e o de dependência. No primeiro, a verdade é premiada, o indivíduo progride pelo mérito. Grupo de luta ou fuga é o que promove disputa de poder entre os membros, mas uma disputa quase que autodestrutiva. Luta ou fuga é o estado de alerta no qual, na selva, os mais frágeis se protegem de um perigo iminente, um coelho, por exemplo, sabe que não tem como enfrentar um predador e, por isso, se esconde ou foge. Na vida é assim, ou a gente foge ou luta diante de uma ameaça. Normalmente, um grupo de luta ou fuga adoece muita gente, potencializa o risco de depressão, dependência química e, em alguns casos, suicídio. Finalmente, quando o grupo passa de “luta ou fuga” para “grupo de dependência”, ocorre uma liderança ditatorial, a verdade é morta, os indivíduos são punidos por serem sinceros, não há liberdade alguma, nem mesmo para acertar. Esse é o grupo em que o último a sobreviver apaga a luz e isso ocorre quando o líder morre. Tudo depende do que se passa na cabeça de uma única pessoa, que está há trinta/quarenta anos na empresa. Geralmente, tem perfil muito narcisista, autoritário, não delega, resiste a mudanças e não faz sucessão. Acontece muito em empresas familiares. Quando morrer, será inevitável uma guerra na família. Um conhecido executivo dizia para os funcionários: “não me falem a verdade. Me falem apenas o que eu quero ouvir”. A empresa dele acabou. Quando somos chamados para avaliar a saúde mental dos funcionários de uma organização, observamos se existe nela o que nós,  psiquiatras e psicoterapeutas, classificamos de angústia flutuante, como funciona e se existe algo persecutório ali, quer dizer, algo como o que faz o coelho perceber que está sendo perseguido pelo predador, estimulando o desejo de fugir. É isso que produz doenças, depressão, alcoolismo, desgaste, burnout e outros males. A partir daí, orientamos o que evitar e como devem ser montadas as engrenagens de grupo para que as pessoas possam produzir mais e melhor sem afetar a saúde.

Como cobrar resultados sem gerar um clima de selva?
Os líderes precisam passar por treinamento para evitar riscos de doenças mentais nos grupos. Uma competição pode ser agradável, positiva, ou virar uma guerra. O historiador grego Tukídidis dizia que a guerra ocorre quando há equilíbrio de forças. Na maior parte das vezes, são negativas, porque os líderes, 90% deles, não estão psicologicamente preparados para essa guerra fraticida, não sabem as consequências desse constante estado de alerta para os funcionários e a própria empresa, que acaba perdendo profissionais excelentes e assumindo risco de problemas legais. Ambiente saudável só é possível com o primeiro grupo, o de trabalho, que tem compromisso com a realidade, não cria bodes expiatórios e beneficia não os puxa- sacos, mas os produtivos. Na palestra Saúde mental no século 21, apresento o mito do bode expiatório, por definição, o inocente que é excluído de um grupo patológico, justamente por ser inocente. Isso é muito frequente. O grupo que mais adoece é o que pune o inocente. Excluir alguém é uma forma de assassiná-lo ou matar sua reputação, dependendo do cargo e função. E como fica depois? Tem de ter uma autoestima muito grande para superar coisas tão cruéis assim.

Qual dos três grupos, segundo Bion, é o mais comum nas organizações?
Até bem pouco tempo, era muito raro o “grupo de trabalho”, aquele que premia pelo mérito, em que as pessoas não temem ser demitidas. Os de luta ou fuga e de dependência são os mais comuns e os mais enlouquecidos. O  de dependência normalmente diz respeito à empresa toda. O  de  luta  ou  fuga pode se evidenciar em determinadas equipes, dependendo do perfil do líder, e, uma vez detectado, é possível resolvê-lo, seja por orientação/treinamento da liderança, seja pela troca do líder que resiste a mudanças. Sempre gosto de lembrar que a pressão que os empresários sofrem é muito grande, por isso, não se deve culpar apenas o líder ou apenas o empresário. A angústia flutuante em grupos de luta ou fuga nem sempre é percebida pelo dono. Muitas vezes, ele desconhece o que se passa ali nos microgrupos.

Como lidar com um funcionário com sinais da doença?
O RH tem obrigação  de  encaminhá-lo ao médico, não pode demiti-lo. Conheço profissionais brilhantes que, demitidos de seus empregos, viraram alcoolistas ou se afundaram em outras drogas, porque não se deram conta de que estavam doentes. Exemplo disso são os yuppies do mercado financeiro de Nova York, da década de 1990. Tinham a falsa sensação de que a cocaína aumentava a atenção e que renderiam mais, passaram a usar drogas, ficavam dois/ três dias acesos em frente a um computador. Acabaram doentes, deprimidos, dependentes de múltiplas drogas, porque uma droga pode levar a outra, principalmente quando o indivíduo não é tratado adequadamente.

Em suas entrevistas, o senhor costuma dizer que muitos empresários sucumbiram à depressão.
Sim, sei de muitos casos. Fala-se muito da pressão sobre os empregados e se ignora a pressão sobre os empresários. O peixe fede pela cabeça, já dizia Sêneca, senador romano. Pressionado de todos os lados, pelo mercado, pelos impostos, pela necessidade de sobrevivência, ele acaba por pressionar e culpar a equipe pelo baixo resultado, e o desfecho também pode ser uma depressão, um burnout nele próprio. Muitos se suicidam em crises financeiras. A maior parte dos casos que ouvi falar foi de empresários que, ou não foram tratados, não receberam qualquer tipo de atenção psicológica ou psiquiátrica, ou foram subdiagnosticados. Geralmente, eram pessoas que tinham a clara sensação de sua responsabilidade sobre as famílias dos funcionários e que adoeceram sem perceber e sem procurar ajuda. O empresário que tem a percepção do tamanho da responsabilidade que recai sobre a empresa sofre muito quando tem de demitir alguém ou quando vê seus funcionários adoecidos. O sofrimento do líder mostra o seu caráter. Um líder que tem empatia, que é capaz de sofrer com o sofrimento de seus funcionários é o líder ideal, tem ética, caráter. Essas são as lideranças do “grupo de trabalho”, que fazem progredir os negócios mesmo em crises externas. Mas eles precisam de ajuda, de tratamento para suportar a carga. Não precisa esperar adoecer para procurar um psiquiatra ou psicoterapeuta. Bebidas e drogas passam a ser uma saída inadequada para a ansiedade que nasce de uma depressão subclínica ou malcuidada, por sua vez, advinda de uma pressão sobre-humana e hipodimensionada.

Os jovens usam cada vez mais cedo a chamada droga recreativa. Como a empresa lida com o problema?
Primeiro, quem tem problemas com drogas tem de ser tratado, e essa história de uso recreativo de maconha é um engodo. Ela causa dependência. Um cigarro de maconha contém cerca de 4.000 substâncias ativas e apenas uma tem efeito antiepilético, anticonvulsivante. Agora, estão falando em usar cannabidiol para tudo, para depressão, até para Alzheimer. Estudo memória há mais de três décadas e nunca vieram me perguntar se maconha causa doença mental psiquiátrica. Já vi pacientes idosos em surto psicótico por síndrome de abstinência de maconha, quebrando tudo em casa. O assunto é tão sério que, no final de 2019, a Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association - APA) emitiu um documento em que declara não haver sustentação científica para uso de cannabis e derivados em doenças psiquiátricas. E acrescento mais: só passamos a conhecer os reais danos do álcool e do cigarro no organismo a partir do momento em que foram legalizados. O álcool provoca vários tipos de câncer! O pior é que, depois de se permitir o uso, não tem como voltar a proibir.

Depressão pode levar à demência?
Existem depressões tão severas que podem não responder a nenhum tipo de tratamento eficaz, inclusive tratamentos biológicos como o ECT, e que provavelmente são manifestação de demência. Conheço vários casos. Isso ocorre muito nas demências frontotemporais, cuja primeira manifestação pode ser uma depressão resistente a tratamentos adequados segundo as regras do CFM (Conselho Federal de Medicina). Por isso, é importante esgotarmos todos os tratamentos disponíveis e reconhecidos pela ABP e CFM quando estivermos diante de uma depressão severa: com risco de suicídio, não respondedora aos tratamentos e com piora da atividade funcional cognitiva e perda de emprego. Pode ser um indicativo de um quadro, cuja característica depressiva é apenas a ponta do iceberg de uma síndrome a ser diagnosticada por meio do tempo, por exemplo, a própria demência.

Por que o índice de recaída em depressão é tão alto: segundo a ABP, pelo menos quatro vezes ao longo da vida?
Se a primeira crise de depressão for tratada durante, pelo menos, três anos com medicação, sem interrupção, o risco de recaída é menor. Quanto maior o tempo de antidepressivo em dose terapêutica, menor o risco de recorrência. Depressão não pode ser tratada com seis meses de medicamentos. Recaídas ocorrem pelo tratamento interrompido, que é uma característica do brasileiro. O paciente fica melhor e deixa de tomar remédio por conta própria, para poder beber com os amigos, porque a família pede para parar, ao receber um tratamento espiritual que garante cura etc. É uma pena que existam tantos preconceitos quanto ao tratamento médico psiquiátrico, apesar de toda a evidência de eficácia dos antidepressivos, inclusive em idosos, pelas meta-análises publicadas pela biblioteca Cochrane e revista The Lancet.


 

 


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