Entrevista Notícia 09:58 - 19 de agosto de 2019

Nos últimos anos, o gim se transformou na bebida queridinha dos brasileiros. Mas a febre não foi apenas por aqui. Segundo informações da Euromonitor, esse produto foi o destilado que registrou o maior crescimento no volume total consumido no mundo em 2017, com avanço de 5% em relação a 2016.

Contudo, o destaque do gim pode estar ameaçado. Em conversa com a SuperVarejo, a head de marketing da Bacardí no Brasil, Veridiana Carvalho, mostra que há um movimento mundial em torno de outra bebida, com promessa de se transformar na próxima sensação no segmento de coquetelaria. Confira, a seguir, a entrevista. 

Qual é a relevância do Brasil para os negócios da Bacardí a nível global?
Não podemos dividir com os números, porque como a empresa é privada, familiar, não divulgamos tais dados. Mas o que podemos dizer é que a Bacardí é uma empresa global, está presente em mais de 140 países, e aqui no Brasil, tem uma relevância muito grande para a América Latina.

E qual é a representatividade do canal off-trade para os negócios da empresa?
É um canal relevante que trabalhamos e está dentro da nossa estratégia. Atuamos com frentes direcionadas de ativação, de atendimento, seja comercialmente, seja como marketing mesmo, ou seja, temos atividades voltadas para esse canal. Sabemos que hoje para o mercado de bebidas, atendemos os grandes clientes [as grandes redes supermercadistas] diretamente. E também temos atendimento indireto através de distribuidores, atacadistas para outros tipos de varejos, e alguns varejos regionais que não atendemos diretamente. O varejo supermercadista acaba sendo uma vitrine para nossa empresa, principalmente de grandes contas, grandes varejos ou mesmo varejos regionais bem relevantes. Precisamos estar presentes nesse canal porque o nosso consumidor está lá também. 

Dentro das categorias que a Bacardí atua, quais são as que têm melhor desempenho no mercado brasileiro?
Estamos com um boom, uma moda do gim, o que não é novidade para ninguém. O gim está avançando muito, crescendo duplo dígito ano após ano. Isso tem informação da Nielsen, dados do IWSR [instituto britânico que fornece dados e inteligência de mercado para o segmento de bebidas alcoólicas], que é onde está o mercado de bebidas globalmente, e é a categoria que mais cresce em destilados dentro do Brasil. E claro que é uma das nossas apostas.  

Além do gim, quais são os demais destaques?
Como uma segunda grande aposta temos a vodca. Temos uma marca de vodca super premium que é também a mais vendida dentro dessa linha no mundo, e é o que estamos  trabalhando também estrategicamente aqui no Brasil. Temos investimentos para construção de marca, com uma plataforma de influenciadores nas mídias sociais muito forte. E apesar do mercado de vodca super premium estar caindo, até por conta do consumo alto de gim, caminhamos junto com essas duas categorias, esses dois produtos, pois acreditamos muito nessa estratégia de portfólio. Unimos os esforços para ter mais força no ponto de venda, mais força nas negociações comerciais e mais força no varejo. Então tudo isso nos ajuda a nos fortalecer, a fortalecer a Bacardí como portfólio.

Os investimentos da Bacardí no mercado brasileiro estão mais voltados ao gim e à vodca então?
O nosso terceiro foco é o rum. Já escutamos muito do mercado, já lemos muitas matérias internacionais, já conversamos com bartenders de fora, especialistas no mercado de bebida e muitos estão dizendo que o rum é a próxima moda da vez, é o “próximo gim”. Acreditamos muito nisso também, e a nossa companhia se chama Bacardí, leva o nome do rum. Então temos essa categoria como uma grande aposta para o futuro. E é uma categoria muito versátil. Assim como a vodca, assim como o gim, ela é muito fácil de beber, muito fácil de misturar, e acreditamos que atende a várias necessidades do nosso consumidor hoje.

E o que tem de novo nesse segmento de rum?
Já temos a marca Bacardí com seis variantes no mercado e acabamos de lançar a linha premium. Já mirando nessa tendência, de que a categoria vai evoluir, assim como o gim está se desenvolvendo, acreditamos que a categoria vai se 'premiuminizar', as pessoas vão atrás de produtos com mais qualidade, que realmente entreguem aquilo que gostariam de beber, seja coquetel sofisticado, seja um coquetel mais simples. E é por isso que a Bacardí mundialmente está liderando a premiuminização da categoria. Isso não é só no Brasil, mas lançamos essa linha no mundo praticamente junto com os outros países [a empresa acaba de apresentar ao mercado quatro variações de rum, envelhecidos 4, 8 e 10 anos, além de uma linha limitada].

Então o rum é o “novo gim”?
Muita gente de fora do Brasil está apontando nessa direção. E temos, entre os dez coquetéis mais consumidos do mundo, o Mojito, que é um drinque com rum, além do Daiquiri, outro drinque também preparado com rum. Falamos muito que o mercado de bebidas é cíclico. Nossos pais, nossos avós, consumiam gim tônica muito tempo atrás. E hoje a bebida voltou à moda.  

Como está o comportamento do brasileiro no segmento de bebidas alcoólicas?
A coquetelaria no Brasil tem se desenvolvido bastante. De dois, três anos para cá, temos visto vários bares daqui na lista de melhores do mundo. Eventos internacionais vindo para cá. Os bartenders têm tido preferência em trabalhar com o rum também, para sair um pouco do gim tônica. O consumidor é cada vez mais exigente também, e quer experimentar opções diferentes, algo que ele não esteja acostumado a beber, e estão muito abertos à experimentação.

Qual é análise de penetração do rum no mercado brasileiro?
Hoje, a nossa principal fonte de pesquisa é a Nielsen, que é onde a gente se mune de informação e também o IWSR. A partir daí, vimos que a categoria de rum, nos últimos anos está caindo, até porque tivemos - há uns cinco anos –, um boom muito grande que foi o Bacardí Big Apple, que foi um produto saborizado nosso, que fez um super sucesso. E atingiu números que nem imaginamos que pudéssemos alcançar. Vindo dessa moda, que é da mesma forma que ela pegou, ela também cai, porque como é um produto saborizado, ele enjoa, aí precisamos de novidades. Então o mercado está caindo muito, refletido pela categoria de saborizados. Mas quando a gente olha a categoria de runs tradicionais, que são os que fazem os coquetéis, o Cuba Libre e o Mojito, esses sim estão crescendo. Quando olhamos a categoria toda, nos engamos por conta da parte de saborizados que vem caindo, mas por outro lado, a parte para coquetelaria, está crescendo. Então vemos um potencial de avanço para o futuro, até por isso que estamos apostando muito nesse segmento.

Por Nathalie Gutierres


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