Artigo 10:31 - 04 de maio de 2020

Em todo o mundo, as necessárias medidas de isolamento social para proteger vidas e impedir o imediato colapso do sistema hospitalar estão causando profundas transformações no comércio e no varejo. O momento traz desafios complexos em um cenário sem precedentes. Nesse contexto, ter boa gestão financeira e do caixa, bem como conhecer bem os clientes e se fazer presente no seu dia a dia, mesmo a distância, são pontos essenciais para garantir a sobrevivência do negócio. Além disso, em situações extremas, é preciso se reinventar e buscar novos caminhos para passar melhor pela turbulência. Nesse sentido, a tecnologia é a maior aliada dos varejistas.

Não é possível lidar com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus adotando medidas que deram certo até agora. Os empreendedores do varejo precisam agir com velocidade e sair do lugar comum. Iniciativas simples e foco em servir aos clientes já podem abrir campo para mudar os rumos do negócio. Também é preciso, mais do que nunca, considerar que a tecnologia não é apenas um recurso adicional, mas sim uma das chaves para ter sucesso em tempos bicudos.

É preciso ter muita criatividade, visão e coragem para testar novos modelos e formas de chegar ao consumidor, pois o maior desafio é se aproximar e estar perto dos clientes, mesmo estando longe. A seguir enumero seis dicas para empreendedores e gestores de marcas do varejo:

1- Coloque o cliente no centro: conhecer os clientes já existentes e sentir seus anseios e “dores” é fundamental. O que sua empresa pode oferecer para clientes da terceira idade? Como organizar sua logística para oferecer serviços, comodidade e, consequentemente, surpreender quem consome seus produtos? Pensar soluções passa por entender a alma e o imaginário dos clientes.

2- Venda online: na impossibilidade de abrir as portas, busque outros modelos de venda no e-Commerce. Se não puder montar um comércio digital próprio, explore os horizontes abertos pelos marketplaces. Existem iniciativas desde as mais abrangentes a alguns que atendem nichos específicos.

3- Redes sociais: toda empresa hoje tem que se preocupar em construir presença nas mídias sociais, não somente para continuar a divulgar produtos e serviços, mas, principalmente, para manter o relacionamento com seu público alvo. Explore o potencial de cada plataforma para aumentar pontos de contato e engajamento com clientes já existentes; e use dados de interesses e geolocalização, entre outros, para se aproximar de novos clientes.

4- Avalie custos: é muito importante ter custos bem parametrizados para alinhar precificação, definir margem de lucro e saber, de fato, o que pode ser enxugado ou cortado.

5- Negocie com fornecedores: muitas empresas estão em dívida com fornecedores e eles também estão preocupados em receber. Desta forma, há espaço favorável para renegociar de forma justa e íntegra, caso precise ganhar fôlego.

6- Preserve seus colaboradores: demitir deve ser a última alternativa, se não tiver mais jeito, pois essa crise vai passar e, quando houver ventos melhores, sua empresa precisará de equipe bem treinada para a retomada do seu negócio. O “Movimento Não Demita” (#nãodemita), formado por empresários conscientes, tem enfatizado esse ponto e quase 2 mil empresas se comprometeram a não demitir, pelo menos, até o final de maio.

Nos momentos mais delicados, a sociedade e o mundo empresarial se reinventam e inovam. Os empreendedores devem evitar postura protocolar, buscando novos caminhos com abertura, foco e entusiasmo. Atitude é a chave para passar melhor pelas dificuldades neste momento, bem como para deslanchar na recuperação pós-pandemia. Como já diziam nossas avós, não há mal que dure para sempre!

*César Souza, presidente da Empreenda Consultoria, palestrante e autor de  “Clientividade®: Como Oferecer o que o Seu Cliente Valoriza” (Best Business, 2016) e “SuperDicas para Conquistar Clientes” (Saraiva, 2012)

 


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