Notícia 17:47 - 24 de abril de 2019

A economia brasileira fechou 43.196 empregos com carteira assinada em março deste ano, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo Ministério da Economia nesta quarta-feira (24/04).

O número é o saldo, ou seja, a diferença entre as contratações (1.216.177) e as demissões (1.304.373) no período, e trata-se do pior para o mês desde 2017, quando foram fechadas 63.624 vagas. Em março do ano passado o resultado foi positivo, com 56.151 vagas abertas.

Foi também o primeiro declínio em três meses, desde dezembro – quando houve fechamento de 341.621 postos, fato que surpreendeu os analistas do mercado financeiro, visto que estes esperavam a abertura de mais vagas.

No entanto, o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, afirmou que o fechamento de vagas em março é um movimento natural do mercado. Segundo ele, a abertura de 173 mil vagas em fevereiro veio acima das expectativas, ocorrendo um ajuste no mês seguinte.

Para o subsecretário-substituto de Políticas Públicas e Relações do Trabalho, Mário Magalhães, os números do emprego formal mostraram que a economia não decolou. Ele observou que ela continua em ritmo lento, por conta da conjuntura da reforma da Previdência e da expectativa de mercado suspensa. “Mas os resultados de março não significam que a economia entrou em processo de estagnação ou retração”, acrescentou.

Criação de vagas

Os números oficiais mostraram que, nos três primeiros meses deste ano, foram criados 179.543 empregos com carteira assinada. Já nos últimos 12 meses, foram registrados 472.117 postos.

Em março, o estoque de empregos estava em 38.590 milhões de vagas, contra 38.118 milhões no mesmo período de 2018.

Nos setores

O relatório ainda revelou que dos oito setores analisados – Indústria de Transformação, Serviços, Agropecuária, Construção Civil, Extrativa Mineral, Comércio, Administração Pública, Serviços Industriais de Utilidade Pública -, apenas três registraram saldo positivo de empregos.

Esses foram os de Serviços – que apresentou melhor desempenho -, de Extrativa Mineral, e de Administração. Dentre os que sofreram retração, o setor de Comércio ganha destaque; fechando 28.803 postos.

Por regiões

Segundo o governo, todas as regiões apresentaram saldo negativo em março. Nordeste e Sudeste tiveram os piores resultados, fechando – respectivamente – 23.728 e 10.673 vagas.

Além disso, das 27 unidades federativas, 19 tiveram saldo negativo. Os maiores saldos positivos de emprego ocorreram em Minas Gerais (+5.163), Goiás (+2.712) e Bahia (+2.569 vagas). O maior volume de demissões foi registrado em Alagoas (-9.636), São Paulo (-8.007) e Rio de Janeiro (-6.986).

Intermitente e temporário

O trabalho intermitente - que ocorre esporadicamente, em dias alternados ou por algumas horas, e é remunerado por período trabalhado – teve 10.328 admissões e 4.287 desligamentos em março. Como as admissões foram superiores aos desligamentos, a modalidade obteve um saldo positivo de 6.041 empregos.

Ainda foram registradas 7.085 admissões e 4.956 desligamentos em regime de trabalho parcial, gerando um saldo positivo de 2.129 vagas.

Queda do salário

O salário médio de admissão foi de R$1.571,58 em março, o que representa queda de 0,51% em relação ao mesmo período de 2018. Em relação a fevereiro de 2019, porém, houve um aumento de 0,12%.