Notícia 10:31 - 13 de janeiro de 2020

Não existe forma única de consumi-lo. Há quem o prefira antes de praticar atividades físicas, ou os que não o dispensa quando “o sono bate” e, claro, os que gostam de misturá-lo com drinques alcoólicos em festas ou bares noturnos. 

Originária da década de 1980, a bebida criada pelo empresário austríaco Dietrich Mateschitz já passou por inúmeras transformações, seja em composição, gosto, tamanho e, até, circuito. Nos últimos anos, por exemplo, a categoria vem ganhando espaço no autosserviço alimentar.

De origem croata, ele foi cofundador da empresa Red Bull em 1987. Tornou-se bilionário com o energético e passou a investir em diferentes negócios. Em 2004, comprou a equipe de Fórmula 1 Jaguar Racing, da Ford, e a renomeou para Red Bull Racing

Com essa evolução, naturalmente, o produto ganhou novas versões para diferentes momentos de consumo, e surgiram as garrafas PET, de 1 e 2 litros, por exemplo. E, para o consumo imediato, a latinha continua na preferência do consumidor da categoria.

Importante destacar que quando o cliente pensa em consumo imediato, a temperatura aparece em primeiro lugar no critério de escolha, seguido por formato, sabor, teor e marca. A partir daí, é que se define a compra por promoção ou preço. Esse cenário indica a relevância de se manter o energético nas geladeiras da loja para estimular a compra por impulso.

Outra questão que não deve ser esquecida é a saudabilidade. Cada vez mais, as pessoas estão buscando hábitos alimentares novos e melhores, por isso, ter disponíveis itens sem açúcar – os famosos sugar free – é condição obrigatória. Sem contar nas opções saborizadas, que estão em constante ascensão, também. 

No entanto, junto com todo esse crescimento vem o risco de rupturas, principalmente, em momentos sazonais – o verão, por exemplo. Sendo assim, o supermercadista pode evitar o problema reforçando o abastecimento se baseando no histórico de vendas e no potencial da categoria da loja.

Segundo pesquisa realizada pela Euromonitor International, o mercado brasileiro de bebidas energéticas, em 2017, apresentou declínio de 7% em volume e 1% em vendas. No ano vigente, os brasileiros consumiram cerca de 67 milhões de litros do produto, movimentando, assim, um pouco mais de R$ 1,6 bilhão. A projeção deflacionada para a categoria até 2022 é de que haja crescimento de 15,6%, de acordo com dados da Euromonitor divulgados em 2018.

Ainda conforme dados desse estudo, entre 2012 e 2017, houve elevação em faturamento no varejo e volume de 38,3% e 3,1%, respectivamente.

Mas, no último ano esse número voltou a subir. Ainda refletindo a expressiva crise econômica do país nos últimos anos, a compra de bebidas alcoólicas e não-alcoólicas evoluiu, visto que o brasileiro mudou os hábitos de consumo a fim de economizar e diminuiu os gastos com bares e restaurantes, dando preferência a encontros em casa.

Esse cenário foi observado pela Bebidas Grassi do Brasil, com sede em Tubarão, Santa Catarina. A detentora do energético Baly registrou, nos últimos dois anos, expansão de dois dígitos – ao ano –, tanto em volume quanto em vendas. “Os principais motivos que contribuíram para o resultado foram a maior aproximação dos clientes, juntamente com o reposicionamento de preços de alguns produtos, assim como lançamentos de itens”, explica a diretora comercial da companhia, Dayane Cardoso.

Para o sócio-diretor da Moriá Consultoria, Weber Alves, essa mudança é claramente percebida nos supermercados, visto que o corte de gastos possibilitou à categoria atingir o desenvolvimento médio de 30% em relação à média do ano.

“O supermercadista deve ficar atento para essa oportunidade, revendo desde mix, volume de compra e apresentação de tudo isso nos tabloides de ofertas e também na área de venda. Temos observado que, em alguns casos, quando não existe atenção à categoria, a venda cresce em função da sazonalidade, porém, menos que o potencial que a loja tem a oferecer”, ressalta.

Além disso, o executivo lembra que o trabalho dos supermercados quanto à gestão das bebidas, na maioria das lojas, ainda está longe de ser o ideal. “O espaço que temos para exposição não é flexível, mas, sim, fixo e que deve receber toda a categoria de bebidas”, explica.

Manter os energéticos nas geladeiras da loja estimula a compra por impulso

“Mas quando temos a oportunidade de utilizar um ponto extra de exposição, o mesmo item poderá ocupar um espaço menor na gôndola – uma vez que já estará sendo bem exposto no ponto extra – e, assim, conseguimos mais espaço para os demais itens”.

No Supermercado Castanha, localizado na Vila dos Remédios, bairro em São Paulo que faz divisa com a cidade de Osasco, a categoria, recentemente, passou por algumas mudanças, que já estão surtindo efeito, como esclarece a diretora da rede, Shirlei Castanha.

“Nós estamos cada vez mais investindo no segmento de energéticos porque este segue crescendo de forma expressiva. Por esse fator, nós fazemos compras mensais desses produtos para atender a toda demanda dos clientes. Além disso, podemos observar que as opções de 2 litros estão resultando em bons números”, comenta.

Outra questão considerada pela diretora é a maneira de os produtos que complementam os energéticos serem expostos nas gôndolas – os destilados, por exemplo. “Eles estão próximos e o volume dessas vendas, tanto de um quanto de outro está aumentando significativamente. Hoje, nós temos uma ponta de geladeira apenas de energético, posicionada à frente de outra com itens que podem ser consumidos juntos. E mais uma ponta de gôndola de energético bem próxima dos destilados”, disserta Shirlei.

Atenção ao mix e ao PDV

É de extrema valia que o supermercadista se atente ao público que prefere bebidas energéticas, na faixa etária dos 18 aos 35 anos, e que se mantém cada vez mais engajado e preocupado com o que consome.

Além disso, o sortimento deve ser sempre trabalhado com vistas ao perfil do cliente. No caso das classes A/B, por exemplo, deve-se privilegiar o segmento de latas e, sempre, ter algo de inovador que possa atrair a atenção do consumidor, como variantes com zero açúcar e sabores das marcas líderes do setor.

Em relação às classes C/D/E, recomenda-se estar antenado às oportunidades de diversidade dos formatos e tamanhos de embalagens. No caso, a opção de 250 ml é responsável pela atração desse público à categoria, imprimindo um papel de experimentação e, por consequência, fidelização.

Quanto à embalagem de 500 ml, esta representa uma boa opção para os shoppers já acostumados a consumir a categoria e com necessidade de maior volume no que diz respeito ao melhor custo x benefício. E não podemos esquecer da PET, figurinha carimbada nas ocasiões de consumo compartilhadas, geralmente, para o público mais jovem.

Juntamente com tudo isso, o supermercado deve explorar o potencial que a categoria oferece e não apenas se limitar à comercialização do produto, enfatizando a venda das sensações e dos desejos de consumo, que podem fazer toda a diferença. As vendas seriam bem maiores se os clientes fossem conquistados pela oportunidade de criar momentos únicos de consumo.

Sejam atrativos

Independentemente da categoria em questão, o investimento em ações diferenciadas no PDV tem o intuito de contribuir com o aumento do faturamento. Por isso, ser criativo e ter clareza no jeito de trabalhar o segmento é indispensável.

“Sabemos que os energéticos nem sempre são consumidos tal como vêm na apresentação, são muito utilizados para compor receitas ao misturar com outras bebidas. Algumas pessoas ingerem a mistura pronta nos bares, mas não sabem como preparar em casa”, diz Alves.

Sortimento deve privilegiar latas, com marcas líderes do setor e diferenciais, a exemplo das versões zero açúcar

“Sendo assim, seria interessante promover uma ação com um profissional bar tender ou barman que demonstrasse a composição dessas bebidas, acompanhadas de locução, convidando os homens da loja a aprender como preparar, servindo pequenas doses de amostra”, complementa.

Esse tipo de ação é realizado pela empresa Produtos Cristal, situada no Acre, que trabalha com o energético Bad Duck. Com o setor supermercadista representando 82,3% do total, a companhia investe nas promoções em PDV, ou seja, degustações dos produtos, exposição de ilhas temáticas em alguns supermercados da região.

“Apoiamos eventos locais e, para isso, oferecemos o suporte estruturado de uma equipe de marketing. Essas ações ajudam a disseminar a marca e, aos poucos, nos consolidamos no mercado. Também contamos com ações envolvendo microinfluenciadores digitais da área, que falam pela marca e distribuem conteúdo voltado à audiência com baixo custo e alto impacto local”, comenta o presidente do grupo, Francisco de Araújo Melo.

“Dentro, é só a exposição, mesmo. Fora, a gente usa mui - to as mídias. Nós estamos, sem - pre, fazendo alguma promoção e veiculando. Temos, também, o nosso e-commerce, que está sempre com uma bandeirinha de um dos energéticos para divulgar mais e, realmente, é divulgar e vender melhor”, exemplifica Shirlei, do super - mercado Castanha.

A Baly, seguindo por esse ca - minho, foca em ações que bene - ficiam tanto o consumidor fi - nal quanto o cliente supermer - cadista, por exemplo, as degus - tações e as promoções criadas em conjunto com os varejistas e que premiam consumidores com passeios de carros esportivos.

Aproveitar as ações da indús - tria direcionadas ao consumidor final, como “pague e leve”, pre - ços em promoção, são estraté - gias válidas que podem ser usa - das dentro e fora do PDV.

Independentemente de como agir, é importante aproveitar as oportunidades que sirvam melhor os clientes, e, claro, que sejam adaptáveis ao formato e ao público da região onde o supermer - cado está localizado. Buscar um melhor atendimento e proporcio - nar ótimas experiências ao con - sumidor é resultado de números sempre em crescimento.

Em geral, as festas de fim de ano contribuem para alavancar as vendas e começar 2020 com bastante energia, é claro.

por Mirella Scattolin


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