Notícia 15:46 - 06 de setembro de 2019

O número de consumidores que atrasaram pagamentos recuou 1% em agosto, na comparação com julho, de acordo com dados da Boa Vista. Porém, em relação ao mesmo período do ano passado, a inadimplência aumentou 1,3%. Assim, o indicador acumula queda de 4% no ano e 3,2% no acumulado de 12 meses – setembro de 2018 até agosto de 2019 ante os 12 meses anteriores.

Na análise do acumulado, observa-se que todas as regiões brasileiras apresentam queda: Centro-Oeste (-4,6%), Norte (-2,6%), Nordeste (-3,1%), Sul (-6,7%) e Sudeste (-2,2%).

Essa redução da inadimplência, iniciada em 2016, pode ser atribuída à maior cautela das famílias no momento atual, em que a capacidade de endividamento dos consumidores ainda está limitada pelo fraco crescimento da renda e pelo efeito defasado da maior seletividade dos bancos no período mais agudo da crise.

Com isto, a inadimplência dos consumidores atingiu um patamar historicamente baixo, o que proporcionou a redução dos juros e motivou o aumento das concessões a partir de 2017.

No entanto, os economistas da Boa Vista têm alertado que o elevado nível de desocupação e subutilização da mão-de-obra, somado à lenta recuperação da renda, aumenta o risco de que a expansão recente dos empréstimos resulte em maior inadimplência.

Por enquanto, ao menos, porém, o indicador de registros segue oscilando nas variações mensais. Após a queda de junho e alta em julho, o indicador voltou a recuar em agosto. A queda no acumulado em 12 meses, por sua vez, permaneceu praticamente igual ao resultado de julho.

A liberação dos recursos do FGTS é uma boa notícia para o mercado de crédito, já que pode aliviar a situação financeira de muitas famílias. De qualquer forma, uma retomada mais vigorosa e generalizada do crédito aos consumidores, sem aumento dos riscos, segue condicionada à evolução do mercado de trabalho e do endividamento das famílias.

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