Notícia 14:24 - 17 de junho de 2019

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), registrou deflação em maio, com queda de 0,61%. O que contribuiu para desacelerar o acumulado do ano, que está em alta de 3,04%.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, o IPS apresentou aumento de 7,82%, ainda refletindo os efeitos da quebra da safra de feijão em 2018, que aumentou o preço nas gôndolas em mais de 100%, e da cotação do dólar, que permaneceu acima do marco de R$4,00 por um período extenso.

No entanto, a expectativa para o futuro é positiva para o economista da APAS, Thiago Berka. “Vivemos a expectativa da votação da reforma da previdência e que ela seja aprovada sem alterações significativas em seu texto original. Considerando esse cenário, esperamos um segundo semestre com a economia destravada, o dólar em queda e os preços mais estáveis nos supermercados”, diz.

O estudo ainda analisou o desempenho de diferentes categorias - de alimentos até artigos de higiene e beleza - nos supermercados e, em maio, apenas oito das 27 estudadas apresentaram inflação. Essas são: carnes bovinas (1,10%), aves (2,60%), leite (2,87%), adoçantes (0,59%), doces (1,44%), massas (0,02%), bebidas não alcóolicas (0,56%) e artigos de limpeza (0,69%). Este cenário é muito mais positivo que o observado em abril, quando 17 categorias sofreram inflação.

Destaques de maio

  • Feijão: As safras de abril e maio foram muito proveitosas e resultaram no aumento da oferta no mercado interno, reduzindo os preços. “A saca, que chegou a algo entre R$300 e R$400, já caiu para cerca de R$150. O bom resultado no Paraná, que obteve 8% a mais de área plantada e ótimo desempenho no campo obtido pelos produtores, deve manter quedas do preço do feijão para os próximos meses”, avalia Berka.
  • Carnes: Com a alta do dólar, as exportações seguem influenciando os preços das carnes de modo geral. O grupo de aves registrou alta de 2,60% em maio e 5,74% no ano, impulsionado primariamente pelo preço do frango, que subiu 3% em 2019. Já a carne suína apresentou queda de 1,38%, mostrando que o aquecimento do mercado chinês observado em abril não se repetiu. As carnes bovinas tiveram aumento de 1,10% em maio e 1,58% no ano, mas deve voltar a cair entre junho e julho. “Uma vaca foi encontrada a ‘doença da vaca louca’ no Mato Grosso e o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a exportação do produto para a China por questão protocolar do acordo entre os dois países. Dependendo do tempo desta suspensão, os preços podem aliviar nos próximos meses nos supermercados”, explica o economista da APAS.
  • Hortifrutigranjeiros: Por conta de safras produtivas, a laranja, a maçã, o tomate, e a cebola devem ter uma diminuição em preços nos próximos meses. O preço da laranja já caiu 6% em maio, enquanto o da maçã caiu 7,3%. A deflação do tomate foi recorde: 22,1% em maio, a maior para o mês desde 2010. Já a cebola, tendo apresentado uma boa safra nacionalmente, não vai precisar do mesmo volume normalmente importado da Argentina, portanto seu preço caiu 5,56% nas gôndolas.

Redução da inflação generalizada

Conforme previamente divulgado pela SuperVarejo nesta nota, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que mede a inflação no Brasil, atingiu 0,13% em maio, o menor valor para o mês desde 2006.