Notícia 17:57 - 07 de outubro de 2019

O mercado espanhol de jamón ibérico apresentou um dos melhores resultados de toda a sua história no décimo congresso mundial do setor, realizado em setembro no centro de exposições IFEMA (Institución Ferial de Madrid). O evento reuniu produtores, abordou temas sobre exportações - que cresceram 140% nos últimos dez anos – e também estratégias de marketing para atrair mais clientes estrangeiros com pouca participação no faturamento dessas empresas espanholas.

Atualmente, o jamón ibérico é exportado a cerca de 140 países. De acordo com dados da Asociación Interprofesional del Cerdo Iberico (ASICI), em 2018 a Espanha exportou 52.305 toneladas do embutido, crescimento de 14% em relação ao ano anterior.  Essa quantidade representa hoje nove milhões de unidades exportadas, o equivalente a 20% de toda a produção espanhola.  Isso significa que uma em cada cinco peças produzidas são vendidas para outros países. Europa e América representam 91,5% das exportações totais, sendo o mercado europeu  responsável por 80% das vendas.

A consumo do produto ainda tem muito potencial de crescimento fora dos países europeus. Segundo o embaixador mundial do jamón ibérico pela Academia Internacional de Gastronomia, Florencio Sanchidrián, o alimento é um verdadeiro clássico da culinária espanhola. “Estamos tratando de um produto excepcional, sem dúvidas. Para aumentar a sua exportação, é necessário falar sobre a experiência gastronômica proporcionada pelo jamón. Cada fatia desse embutido representa a magia da nossa terra”, diz. 

Foi pensando nisso que a ASICI criou no final do ano passado a campanha “Ham Passion Tour. El Jamón, la pasión de Europa” com investimentos de 6 milhões de euros. A estratégia permitiu ao setor dar passos gigantes na consolidação do produto em mercados através de campanhas publicitárias voltadas para esses públicos em específico. De acordo com a entidade, a ação atingiu 265 milhões de potenciais consumidores e confirmou a aceitação do produto espanhol em uma acertada iniciativa.

Como resultado, França, Alemanha, Reino Unido e Itália totalizaram 72,2% das exportações no ano passado. Fora da Europa, se destacaram exportações para os Estados Unidos, totalizando 16,34 milhões de euros  - incremento de 50% em relação a 2017, México (14,67 milhões de euros - crescimento de 7,96%), China (14,2 milhões de euros - crescimento de 7,96%) e Japão (7,22 milhões de euros - crescimento de 31,1%).

Uma pesquisa do Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX) aponta a Espanha como o principal exportador do embutido no Brasil. Em 2017, foram 88 mil quilos de jamón, totalizando 1,053 milhão de dólares - outros embutidos espanhóis como morcilla e chorizo totalizaram 3,8 milhões de dólares.  Entre 2013 e 2017, houve um crescimento considerável de 52,87% nas exportações. No mesmo período, o consumo de carne de porco aumentou 6% entre os brasileiros, o que é muito positivo para o setor.

Para a Casa Flora, uma das principais importadoras de jamón em São Paulo, representante da marca espanhola Josep Lllorens, as expectativas são otimistas. De acordo com a gerente de marketing Thais Carvalhal, existem quatro regiões na Espanha classificadas como “denominação de origem” autorizadas a produzir o jamón ibérico: Extremadura; Gijuelo, em Salamanca; Pedroches, na região de Córdoba e Jabugo, na Andaluzia.  “Estamos presentes em alguns dos principais restaurantes espanhóis aqui na cidade de São Paulo como Loup, Cantaloup, Aragon e Adega Santiago.  Além disso, nossa marca é a mais vendida no Empório Casa Santa Luzia”.

De olho no potencial do mercado latino-americano, o Consórcio del Jamón Serrano Español, formado por um grupo de empresas espanholas, realizará até o final do ano diversas ações de marketing com prioridade para consumidores do Chile e México. “Acreditamos que essas ações contribuem com o reconhecimento das nossas marcas, divulgam os controles de qualidade e incentivam o consumo do produto nesses dois mercados que são prioritários para a nossa entidade”, afirma o diretor de marketing e promoção do Consórcio, Carlos del Hoyo.

A indústria espanhola também tem expectativas muito boas para o mercado chinês, após acordo alcançado pelos governos de China e Espanha no começo do ano. Este acordo, conhecido como “o novo protocolo do porco”, aumenta de forma significativa a gama de produtos que podem ser exportados para a China, que até agora eram limitados a carne congelada ou sem ossos e curados por um mínimo de 313 dias. 

Apesar do cenário positivo, os consumidores devem ficar atentos à qualidade do produto ofertado pelas marcas de jamón. A ASICI (Asociación Interprofesional del Cerdo Ibérico) apresentou no final do ano passado um aplicativo para celulares que garante ao consumidor a autenticidade do jamón ibérico. A partir do app, os consumidores podem verificar e consultar o selo de autenticidade.

De acordo com o presidente da entidade, Francisco Javier Morato, a novidade mostra a preocupação do setor com a qualidade - e veracidade do termo “ibérico”, utilizado muitas vezes de forma equivocada. “Nosso objetivo é fazer com que o consumidor participe de todo o processo de elaboração e produção. Atualmente, há muita informação, graças às ferramentas tecnológicas. Queremos que o público tenha um conhecimento mais aprofundado sobre o produto que compra e consome ”.

Ibérico original - Há uma grande diferença entre o jamón serrano e o jamón ibérico. O primeiro, é fabricado a partir de um porco comum, em maior escala, e portanto, possui um valor mais acessível. Já o segundo, é procedente da raça ibérica, patrimônio exclusivo espanhol e de raça pura. Esses animais são alimentados com cereais, frutos secos e o que mais encontrarem no campo - são criados em liberdade, na montanha, com o mínimo de interferência possível.

O jamón ibérico mais desejado na Espanha é feito com os “porcos manchados” de Jabugo, na Andaluzia. O da marca Dehesa Maladúa foi reconhecido recentemente pelo Guiness Book como sendo o mais caro do mundo: uma pata de jamón ibérico de aproximadamente 6  quilos custa 4.100 euros - ou o equivalente a 7 euros uma fatia. O preço é justificável: esses animais “vivem melhor do que muitos humanos”, segundo o dono da marca, Eduardo Donato. “Eles bebem a água pura da montanha, vivem em um lugar paradisíaco, assistem o pôr do sol todos os dias, não sabem o que é o estresse. Tomam banho nos rios, caminham entre 12 e 14 quilômetros diariamente. São porcos verdadeiramente felizes”, garante.

Serviço:

X Congresso Mundial do Jamón - www.congresomundialdeljamon.es

Jamóm Dehesa Maladúa - www.dehesamaladua.bio

Asociación Interprofesional del Cerdo Ibérico (ASICI) - www.iberico.com

Casa Flora - www.casaflora.com.br/