Notícia 10:44 - 03 de setembro de 2019

por Mirella Scattolin

A PMA, Produce Marketing Association – entidade que representa a indústria de hortifrútis - realizou o evento PMA Fresh Connections Brasil, que reuniu mais de 870 produtores e profissionais do varejo de FLV para debater estratégias para aumentar a penetração destes produtos nos lares, baseada na pesquisa “Estímulos e barreiras para o consumo de hortifrútis – um estudo com base em ocasiões”.

Além dos números de consumo de frutas, legumes e verduras, o evento também teve a tecnologia como umas das pautas, que registrou crescimento significativo na cadeia de produção de alimentos agrícolas. No ano passado, por exemplo, os níveis de financiamento da tecnologia agroalimentar atingiram os US$ 16,9 bilhões, superando, assim, os US$ 10, 1bilhões em 2017.

“Interessante notar que houve aumento em investimentos nos setores de varejo, serviços da indústria alimentícia e e-commerce em comparação ao valor investido no lado produtivo da cadeia de suprimentos”, observou a CEO do PMA, Cathy Burns.

Outro ponto que também chamou atenção foi o expressivo crescimento do consumo de alimentos a base de plantas. Em todo o mundo, estas opções que substituem a proteína animal atingiram faturamento de US$ 19,5 bilhões no ano passado, registrando crescimento de 20% ante os apenas 8% em 2017, de acordo com dados da Plant Based Foods Associations e da Nielsen.

Muito deste crescimento é reflexo da nova geração de consumidores, em especial os millennials e da geração x, que, cada vez mais, baseiam suas decisões alimentares pensando no bem-estar do planeta e do meio ambiente.

Com isso, cerca de 30 milhões de brasileiros se consideram vegetarianos, sendo 7 milhões autodeclarados como veganos – que excluem radicalmente todo e qualquer alimento, bebida ou produto de origem animal e/ou que envolva animais em sua produção.

Além disso, essa geração também realiza mais compras online. Sendo assim, a Forrester Research - empresa norte-americana de pesquisa de mercado – divulgou uma pesquisa que prevê que o faturamento do mercado global de compras de alimentos online irá dobrar de US$ 150 bilhões em 2017 para US$ 334 bilhões até 2022.

Para o presidente do PMA Brasil, Giampaolo Buso, a mudança no hábito do consumidor vem acontecendo no mundo todo, começando pelo fato de estarem cada vez mais conectados e menos isolados, fazendo com que a penetração digital cresça cada vez mais. “Essa informação sobre saudabilidade é pauta de todas as classes sociais porque nós temos uma expectativa de vida maior e o hábito alimentar está correlacionado com estes aspectos”, declarou.

“Além disso, o FLV tem uma ligação direta com bem-estar, eles estão conectados com ‘ser saudável’ e ‘ter uma vida mais longa’. Então, essas mudanças fazem ir para o ponto de venda buscando alimentos com essas características, seja in natura ou processados e industrializado”.

Muitas mudanças, mesmo canal

Mesmo com estas mudanças nos hábitos alimentares, o consumidor ainda prefere o supermercado como canal principal de compra do segmento, como explica Buso. “ A importância do supermercado é enorme nesse processo, porque ele é um ponto de informação, de conexão com o consumidor fundamental com esta cadeia”, analisa.

“O supermercado também está trabalhando na evolução do digital, com seus programas, seus acessos mais diretos e mais específicos para o consumidor, com cada perfil – que são CRMs. Ou seja, o canal de venda ainda preferido e mais buscado é o supermercado e ele representa mais do que 70% da busca de FLV”.

A Benassi observou este crescimento. De acordo com o diretor comercial do grupo, Bruno Benassi, o setor supermercadista é de extrema importância para os negócios da empresa. "Mas nem sempre foi assim. No passado nós atendíamos outros distribuidores e alguns feirantes também. Mas com estas mudanças no mercado, nos hábitos de consumo, o supermercado, hoje, é o nosso grande ponto de escoamento das nossas mercadorias", afirma.