Notícia 17:29 - 19 de fevereiro de 2021

Tomamos mais banho, escovamos os dentes com mais frequência, usamos mais desodorantes e lavamos mais roupas. Comparados à média mundial, que é bem menor, o Brasil já era o terceiro país que mais consumia as categorias de higiene e beleza, antes da pandemia, perdendo somente para a China e os Estados Unidos, por conta da população.

Agora, nesta pandemia, imagine como a frequência no uso desses produtos aumentou ainda mais? Segundo Marcos Bauer, diretor de inteligência de mercado da P&G do Brasil e convidado do nosso bate-papo da última quinta-feira (dia 18) pelo Instagram (@supervarejo), as pesquisas recentes, realizadas no centro de estudo e inovação deles, em Campinas (SP), constataram inclusive que os banhos se tornaram uma fuga, durante este período de isolamento social.

“Se antes os brasileiros já tomavam em média 8,5 banhos por semana, enquanto os Estados Unidos tomam no máximo 5, agora estamos cada vez mais recorrendo aos banhos demorados, na tentativa de termos o nosso momento de alívio do estresse, após o convívio de um dia inteiro com a família ou os filhos, dentro de casa”, explica o executivo, detalhando a importância da sua área em não só coletar os dados, como também procurar interpretá-los, fazendo as perguntas corretas para as respostas pesquisadas e, principalmente, agregando a essas informações a análise do comportamento humano. “Hoje é mais rápido e mais barato obter essas respostas, utilizando ferramentas de BI (Business Intelligence), entrevistas online com os shoppers ou o Social Listening (acompanhando os posts dos consumidores nas redes sociais) para transformar dados em insights”, deixa a dica.

Principais tendências no varejo

De acordo com Bauer há atitudes que definitivamente vão continuar fazendo parte da rotina do brasileiro, após a pandemia. No longo prazo será mantida a preocupação com a higiene e isso inclui o hábito de lavar as mãos; continuar usando o álcool em gel e as máscaras, por mais um bom tempo, como na Ásia, "pelo simples fato de que agora temos a consciência de que podemos transmitir quaisquer outros vírus, como os da gripe, para as pessoas", exemplifica.

No curto prazo, ou seja, ainda este ano, a tendência é de que o shopper continue realizando compras concentradas,com tickets maiores nas lojas físicas e em tamanhos maiores de embalagens. Além disso, serão mantidas as preferências pelo varejo de proximidade, a procura por experiências durantes as compras, já que segundo ele “ir ao mercado se tornou um entretenimento, em tempos de isolamento”, e a necessidade de compras multicanais. “Basicamente teremos um ano de ticket médio alto, com grande concentração de compras, mas voltaremos para a conveniência e a multicanalidade em 2022, após as vacinações, segundo nossas pesquisas”.

Quanto ao e-commerce, que somente na P&G já chegou a três dígitos de crescimento, “não dá para ignorar ou no caso do varejo sequer pensar em não ter um canal online. Isso porque se os clientes não diferenciam uma experiência de compra na loja física, da loja online, quando feitas na mesma bandeira, então o importante é que essa compra flua bem, em ambos os casos e em toda a jornada. Portanto os dois canais precisam trabalhar bem, já que um impacta no outro”, esclarece, acrescentando uma dica de ouro para o varejo: “não pratique preços diferentes. Isso também é um tiro grande no pé.”

Outra vantagem do e-commerce, segundo o executivo, é que saber que o cliente permanece em média 2 horas navegando antes de comprar permite ao varejista conseguir vender melhor os produtos de alta performance da indústria. “O que a gente não consegue expor ou explicar na gôndola, pelo site conseguimos deixar o descritivo mais detalhado sobre as vantagens daquele produto, além de divulgarmos os comentários e vídeos, tornando o canal online mais forte para as vendas, em função dos recursos que ele oferece”, defende Bauer.

E para os supermercadistas, um último conselho: “os clientes buscam valor, experiência de compra e a confiança de que aquela loja física, por exemplo, vai ter o que ele procura. Então, o mais importante é que o supermercadista faça a sua escolha de posicionamento entre essas variações e aborde mais, bata um papo com o consumidor ou observe o seu comportamento de consumo. Sem complicações, simples assim”, conclui.

 

 


Veja também