Notícia 14:39 - 15 de janeiro de 2020

Mesmo com a instabilidade econômica dos últimos anos, o mercado nacional de leite foi um dos setores que melhor se desenvolveu. Segundo dados do Censo Agropecuário, disponibilizado pelo índice Brasileiro de Geografia e Estatística em 2017, a produção chegou a marca de 30 bilhões de litros, crescimento de 62% quando comparado com os dados de 2006. 

Nesta mesma análise pôde-se constatar que, ao passar do tempo, são necessárias menos vacas para produzir a mesma quantidade de leite. Por exemplo, em 2006, eram produzidos 1,6 mil litros de leite por vaca. Já em 2017, a quantidade saltou para 2,6 mil litros por animal. 

Tal crescimento pode ter fomentado um novo meio de produção, ganhando público e atenção do setor: a produção de leite orgânico. No entanto, para se produzir o material, é necessário que o produtor siga uma série de exigências estabelecidas pela Instrução Normativa nº 46, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). 

De acordo com o portal feed&food, uma delas é que a alimentação diária do rebanho contenha, no máximo, 15% de alimentos não orgânicos, e os transgênicos são abolidos.

Para o engenheiro agrônomo da Embrapa, André Novo, também se pode aumentar a produtividade do leite no manejo orgânico, mas que o modo de produção possui exigências. 

“O sistema de produção segue rigorosamente uma série de normas específicas de sanidade, manejo de solo, uso de produtos químicos, conforto e bem-estar animal e controle de insumos permitidos”. Ainda segundo ele, outra norma é a de que todos os animais devem ser, preferencialmente, livres de gaiolas, estábulos, cordas ou qualquer método que impeça seus movimentos naturais. 

Como exemplo dessa ascendente procura, Claudinei Saldanha Júnior e Nilson Saldanha são sócios e produtores de leite orgânico em uma propriedade de 26 hectares. Os mesmos são responsáveis por fornecer leite para uma grande multinacional, produtora de leite em pó. 

“Nosso plantel tem 95 animais. Destes, 76 são vacas adultas, sendo 56 vacas em lactação produzindo hoje 900 litros de leite orgânico por dia. Todas são mantidas a pasto e são suplementadas apenas com milho e soja orgânicos. O controle sanitário também é todo feito com homeopatia”, relata Júnior. 

Referência de sustentabilidade

Na Bahia, uma empresa de pecuária leiteira investiu na ideia de um rebanho mais saudável, que se alimentasse no pasto de forma mais natural e sustentável. No município de Jaborandi, no oeste do estado, estão localizadas as três fazendas da empresa, que detém a maior produção de leite com gado em sistema pastoril do Brasil, como afirma da Agência do IBGE. 

Além de se alimentar naturalmente de pasto, as vacas vivem soltas, sem injeção de hormônios comuns ao confinamento, livre de antibióticos e sem dieta à base de ração. “O resultado é um leite mais saudável e mais rico em nutrientes”, informa o sócio-diretor da empresa, Craig Bell. De acordo com ele, rebanho atual é composto por 2.700 vacas, para a produção e beneficiamento de 12 milhões de litros de leite por ano. 

“A genética do gado, com tecnologia trazida da Nova Zelândia, e o fato de o rebanho se alimentar no pasto garantem a alta qualidade do produto. A isto se soma a máxima eficiência entre a ordenha e o envase, com rigoroso controle”, explica o zootecnista Juliano Almeida. 

Ainda de acordo com o portal feed&Food, o leite cru é retirado em ordenhas mecanizadas e passa por refrigeração instantânea, com armazenamento entre 3 e 5 graus de temperatura, o que inviabiliza o desenvolvimento de bactérias. 

“Além da preocupação muito grande com o que coloca na mesa do consumidor, a empresa assume a responsabilidade com a conservação do meio ambiente, principalmente com relação ao uso de água, e com a questão da sustentabilidade da comunidade local”, afirma Almeida.


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