Notícia 16:23 - 21 de junho de 2019

Cada vez mais presentes na mesa do brasileiro, as batatas fritas congeladas mostram potencial de avanço pelo país, atendendo aos mais variados perfis de consumidores

Ao lado da dupla preferida dos brasileiros, o arroz e o feijão, elas ganham destaque e aparecem cada vez com mais frequência no prato dos brasileiros. Também fazem bonito acompanhando aquele sanduíche, na combinação com uma bebida. As batatas fritas estão cada vez mais presentes nas refeições e contam com as mais variadas apresentações – palito, canoa, rústica, noisette, smiles, crinkle e outras tantas versões –, para agradar aos diferentes perfis de público e acrescentar sabor às diversas ocasiões.

Se antes o preparo era, basicamente, associado à fritura, alternativas mais saudáveis – versões para forno e fritadeiras sem óleo, conhecidas, popularmente, como air fryer – vêm ganhando força e impulsionando o consumo desse e de outros acompanhamentos, como mandiocas, onion rings, polentas e nuggets.

O mercado de batatas congeladas apresentou crescimento significativo nos últimos anos, impulsionado pela mudança de hábitos da população, que prefere alimentos de preparo cada vez mais rápido, e também pelo maior gasto com refeições fora do lar.

Atualmente, a versão mais consumida do produto ainda é a batata pré-frita congelada, com praticamente 90% desse nicho, com destaque para o formato palito. Mas os cortes variados ganham maior penetração dia após dia

A diretora de marketing e trade marketing da McCain, grande player desse seg- mento, Victoria Gabrielli, diz que o mercado de batata pré-frita congelada aumentou na casa dos dois dígitos, nos últimos dois anos, além de, no ano passado, fechar com alta de 22% no varejo, mesmo com toda a crise que estava assolando o país. “Essa evolução, na contramão do mercado, foi resultado de uma mudança de hábito do consumidor, que, cada vez mais, encara o produto congelado como um aliado no dia a dia; principalmente na conversão da batata in natura, fator que ajudou a aumentar a penetração da categoria nos lares nos últimos tempos”, diz.

A executiva brinca dizendo que a batata frita é um dos itens mais democráticos e amados pelo brasileiro, por se tratar de um símbolo da paz na alimentação, pois une vegetarianos, veganos e carnívoros.

“É consumida desde a infância e por todas as classes sociais, pois é um produto acessível em preço e sabor”, ressalta.

Nota-se que há uma mudança contínua na percepção do consumidor quanto à fritura dentro de casa, principalmente durante a semana, devido a uma dieta mais balanceada. Também há uma transformação no perfil de moradia dos brasileiros. Esse contexto faz com que as indústrias busquem alternativas para atender ao público.

Há uma tendência crescente de morar em apartamentos menores em grandes capitais, onde o cheiro de comidas mais gordurosas acaba se dissipando pela casa e pode causar incômodo

“A partir dessa mudança do consumidor, estamos inves- tindo em uma linha de produtos específicos para serem preparados no forno, com a mesma experiência de sabor e crocância que se espera de uma batata frita, mas sem sujar a cozinha”, pontua Victoria.

O gerente comercial da Bem Brasil, Walter Takano, situa mudanças importantes ocorridas nos últimos sete anos nesse mercado. “A faixa etária dos consumidores está se ampliando cada dia mais, o que tem relação com a praticidade, a rapidez no preparo e a maior oferta de cortes especiais”, diz, acrescentando que, em muitos casos, o produto substitui, até mesmo, o arroz e o feijão.

Grupo Alvorada Supermarket acredita que, nos próximos anos, outros tipos de cortes de batatas, como noisette e rústica, ganhem projeções no mercado

Na Aurora, há a preocupação de aliar praticidade e sabor, sem esquecer do equilíbrio alimentar. Segundo informações do departamento de marketing da empresa, a companhia incentiva os consumidores a optarem por uma alimentação balanceada, com equilíbrio entre consumo e gasto calórico. A empresa reforça que as batatas são nutritivas, ricas em vitamina B1, vitamina C e sais minerais.

No ponto de venda

Diversas ações costumam ser realizadas em parceria com a indústria no PDV, desde as mais comuns, como pontos extras e inserções em tabloides, até degustações com promotoras e ações em food truck na entrada dos supermercados. Apostar nesses recursos é fundamental para mostrar os atributos de qualidade dos produtos, assim como a diferenças entre as linhas existentes.

Para a exposição no PDV, Victoria, executiva da McCain, indica que o ideal é blocar por marca, partindo dos SKUs de cortes diferentes do palito tradicional. “Isso porque são categorias de maior potencial de desenvolvimento e que ajudam no trade up da categoria, com valores e margens maiores para o varejista”, lembra.

O planograma varia de acordo com o tamanho, tipo de ponto de venda e se possui freezers horizontais ou verticais. “Tais informações serão fundamentais para a orientação de quantos SKUs dentro do mix do portfólio aquele PDV é capaz de suportar, dando visibilidade mínima a todos os itens”, classifica Victoria.

Já no departamento de marketing da Aurora, a indicação é de que as batatas fritas congeladas e afins sejam expostas junto aos vegetais congelados, puxando a exposição do setor como categoria âncora. Dessa forma, o ideal é que tenham bom posicionamento em gôndola, com maior espaço de exposição versus outros vegetais. Outra recomendação é adotar um ponto extra no início de cada mês, para aumentar o giro de compras, além de investir em exposições temporárias de cross merchandising com hambúrgueres.

Cada formato de loja deve adotar uma estratégia diferente. Os atacados de autosserviço podem investir em um mix de embalagens e 2 kg (80%) e embalagens de 400 g (20%). No autosserviço o indicado é trabalhar com embalagens de 400 g

Para a Avivar Alimentos, o ponto de venda representa a construção de uma identidade visual na criação de um elo entre a marca e o cliente. “Alinhamos com o lojista a definição do sortimento de produtos no PDV, uma vez que se trata de uma relação sell in e sell out em um relacionamento B2B e B2C, porque, tanto o cliente varejista quanto o shopper serão beneficiados com as ações de marketing da nossa marca”, explica o diretor comercial, de exportação e marketing da Avivar Alimentos, Diogo Costa. O porta-voz da companhia avisa que, no caso da batata palito, disponível em embalagens de 400 g e 2,5 kg, é montado um planejamento de disposição estratégica dos itens nas gôndolas frias do segmento de batatas e acompanhamentos, bem como a aplicação de material de merchandising nesses espaços.

Em ocasiões especiais, realizamos, em parceria com o lojista, a distribuição de brindes promocionais e sorteios, online (por meio dos canais digitais da empresa nas mídias sociais) e offline (rádio da loja)”, conclui.

Pontos extras, ilhas, cross merchandising em pontos de alto fluxo e compras de impulso são outras ações de marketing realizadas pela Avivar no PDV

A criatividade é essencial para atrair o consumidor de batatas fritas congeladas e afins. No PDV, as ações de merchandising trazem ótimos resultados. Sugerir receitas para ocasiões de consumo diferentes, ou seja, para o acompanhamento de um prato de dia a dia ou um lanche especial de final de semana, funciona bem, sem contar que ainda ajuda a aumentar o tíquete médio com a compra de outros itens.

A Bem Brasil direciona as estratégias de merchandising no ponto de venda apoiada em três vertentes: com base no pedido do lojista, conforme a necessidade de crescimento/fortalecimento da empresa e em parceria com o lojista – nesse caso com foco específico em incremento no volume de vendas.

É indicado que as batatas fritas congeladas sejam expostas junto aos vegetais congelados, puxando a exposição do setor como categoria âncora

“No processo de construção e planejamento da ação, primeiramente, define-se o objetivo a ser alcançado, estrutura-se a mecânica da ação e de que maneira os resultados obtidos serão mensurados. Por isso, fazemos ações de degustação, sell in, sell out, tabloides promocionais, promotores de merchandising, ‘comprou ganhou’ etc.”, declara Takano, gerente comercial da Bem Brasil.

Ele acrescenta que a comunicação contempla, inicialmente, tratativas com o lojista, seguidas pela divulgação aos consumidores, produzida por meio de materiais de comunicação no ponto de vendas (banners, cartazes, wobblers etc.), ou, até mesmo, via mão de obra especializada (a exemplo de promo- tor e demonstradora).

Para o presidente da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), Eduardo Terra, as ações de merchandising são essenciais para a categoria. “A parceria entre indústria e varejo é mandatória para educar e conquistar o consumidor, de modo a criar estratégias diferenciadas que induzam à compra desses produtos, que, normalmente, são feitas por impulso, para estimular que sejam incorporadas à rotina”, diz.

Oportunidades do segmento

Nos lares brasileiros, é grande a oportunidade da categoria de batatas fritas, visto que possui apenas 33% do nicho. “O primeiro passo é apresentar ao consumidor os benefícios da categoria versus a batata in natura, enfatizando quanto à conveniência e à qualidade que o produto final apresenta”, sugere Victoria, da McCain.

Segundo a porta-voz, após a entrada desses consumidores na categoria, será importante mostrar a gama de SKUs que poderão atender a cada ocasião de consumo diferente na rotina, aumentando, assim, a frequência de consumo.

As expectativas das empresas para este ano estão positivas. Na opinião de Victoria, a projeção de alta é de pelo menos 6% no período. Na Avivar, os planos são ainda mais audaciosos, com perspectiva de avanço de duplo dígito.

“Estimamos um crescimento de 20% em 2019, aumentando as opções com foco praticidade e conveniência”, pontua Costa, diretor comercial. Ele destaca que a empresa está de olho nas tendências de mercado para avançar no país. “Nossas equipes de pesquisa, desenvolvimento e marketing estão sempre em campo para compreender a aceitação e o fluxo de circulação de novas tendências alimentares dentro do mercado nacional e internacional”, frisa.

Ele explica que o mercado de batatas possui, no entanto, o desafio de superar a forte concorrência com o produto importado, que tem presença marcante no mercado nacional

O gestor comercial do Grupo Alvorada Supermarket, rede fluminense com mais de 20 lojas, Leandro Gonçalves, exclarece que as ações em parceria com a indústria têm trazido bons resultados em vendas, com incremento médio anual em torno de 25% e liderança das batatas do tipo palito, estrategicamente colocadas na ilha de congelados, próximas aos pratos prontos.

“O maior desafio é agregar valor nessa categoria de batatas (fritas) congeladas, incluindo outros tipos de cortes, como noisette, rústica etc., pois 90% do consumo está diretamente ligado à batata palito congelada”, afirma o gerente. “Acredito que, nos próximos anos, a tendência é que isso seja estendido aos demais SKUs similares da categoria”, completa. No Varanda Supermercados, rede com três lojas em regiões nobres da capital paulista, a categoria concorre diretamente com os nuggets. “A batata frita congelada ainda lidera em vendas, sendo o fator custo determinante para a decisão no momento da compra”, ressalta o presidente e fundador da empresa, Argeu Tavares de Souza.

Outras versões de acompanhamentos

A batata palha e os snacks são outro nicho em ascensão, como acompanhamentos dos mais variados pratos. A expansão desses itens, de 2017 para 2018, foi da ordem de 140%. Os dados são da coordenadora de marketing e de trade da empresa Da Terrinha, conhecida pela atuação no segmento de tapioca, Paula Valverde Refaxinho.

“Considerando a preocupação dos consumidores com produtos mais saudáveis, em 2017 lançamos uma linha para atender aos diferentes gostos, que incluem produtos como chips de mandioca, ba- nana salgada e batata-doce palha”, diz Paula.

A Da Terrinha promove diferentes ações direcionadas a esses itens nos supermercados. “Além das exposições nos pontos naturais, onde a batata palha de 120 g é destaque, provocamos, junto aos lojistas, a montagem de pontos extras e ações de cross merchandising em outras categorias, por exemplo, a batata palha próxima aos pães para hot dog, os snacks perto de bebidas saudáveis etc.”, indica a porta-voz da companhia, deixando claro que, independentemente da versão do acompanhamento, é fundamental apostar em ações no PDV.

por Tatiana Ferrador


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