Artigo 12:07 - 29 de agosto de 2019


A expressão startup unicórnio foi criada por uma empreendedora em Seattle chamada Aileen Lee. Sua intenção era mostrar que startups bem-sucedidas eram muito raras. Eram como unicórnios: lindos, incríveis, todos gostariam de ver, mas nunca ninguém viu. Hoje no mundo dos negócios é a empresa que em pouco tempo já consiga um valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares. Foram empresas como Moville, Nubank, Stone que fizeram uma desrupção no mercado já tradicionalmente ligado no automático. Todas elas se questionaram: por que não podemos fazer algo diferente? Por que tem de ser desta forma?

Além de empresas unicórnio, o animal virou sensação. Transformou-se num dos brinquedos mais vendidos o ano passado (2018) e várias empresas lucraram com roupas estampadas, acessórios para cabelos, mochilas, etc....Só se viam unicórnios nas lojas de varejo. No início do ano vi uma pesquisa mostrando que o queridinho da vez seria a lhama. Passados alguns meses, empresas antenadas já começaram a estampar o mamífero. Produtos de beleza, camisetas começam a aparecer na vida dos brasileiros e aposto que até o fim do ano, vamos cansar de olhar lhamas...

Comparativamente eu pergunto: sua empresa é lhama ou unicórnio? Digo isso, pois quando eu era pequena, neta de japoneses, ouvi minha mãe dizer: “Você é mulher. Quando se casar, você não será mais da família”, querendo dizer que perderia o meu sobrenome e por isso, não poderia dar continuidade a linhagem advinda dos meus antepassados. Mas sempre me perguntei: por que não pode ser diferente? Por que tem de ser desta forma? Chamaram a minha atenção muitas vezes, mas segui meu caminho questionando padrões estabelecidos, ou seja, o mesmo padrão do pensamento das startups unicórnio.

Ao mesmo tempo, sempre antenada a todos os movimentos sobre diversidade, pude encontrar mulheres incríveis que passaram pelos mesmos traços culturais que eu, com frases: “Para mulheres, basta olhar pela janela do banheiro que está ótimo”, “Famílias estão desestabilizadas atualmente porque as mulheres saíram para trabalhar e não cuidaram mais dos filhos” ou pela história de minha avó que queria somente aprender a ler e teve de fugir de casa para ir à escola. Mas se você está antenada, não apenas lendo manchetes e, consequentemente, fazendo análises rasas, pode sair das crenças limitantes.

Continuo: lhama ou unicórnio? Sejam unicórnios e saiam da zona de conforto. Mudem seu mindset. Perguntem por que isso tem de ser assim? E sejam lhamas também. Fiquem antenados nas tendências para aproveitar seu potencial e crescer. Percebam que a mundo precisa de novos olhares para os negócios e quem não se movimentar, sempre estará culpando o outro, a economia, o governo etc...E num momento de tecnologia e desrupção, o varejo precisa acelerar mais seus processos. Como já foi dito num dos artigos aqui mesmo na SuperVarejo, da executiva Patricia Quintiliano: atualmente, apenas 19 das 144 maiores redes supermercadistas possuem uma operação online, segundo a Zebra Technologies, e os poucos aplicativos independentes não tem mais do que cinco anos de existência.

Já fui chamada para refazer o projeto de um site de uma empresa de varejo e depois de muitos estudos, o cliente só diz: “não precisa de tudo isso. Quero igual o site do concorrente”. Ou seja, empresas ligadas no automático. O futuro delas? Também não saberia dizer, mas talvez aconteça o mesmo que ocorreu com muitas que estavam nesta onda: não existem mais!

 

 

Sandra Takata - Com mais de 25 anos de profissão, é jornalista formada pela Universidade Metodista, foi assessora de imprensa da Associação ECR Brasil e Nielsen por mais de 10 anos. Atualmente é sócia da Core Group Marketing e Comunicação, especialista em SEO e Marketing Digital e faz parte do Comitê Executivo do grupo Mulheres do Varejo.