Artigo 15:37 - 27 de maio de 2019

Os supermercados online são a próxima grande promessa de disrupção no comércio eletrônico. Isso acontecerá menos pelas novidades que essa modalidade de compra apresentará e mais pelo enorme faturamento e espaço que o setor ocupa na vida das pessoas e da economia.

A evolução será lenta, preveem os respondentes da pesquisa realizada sobre o Futuro do Supermercado Online, em janeiro deste ano, com profissionais do varejo supermercadista online e offline. As regras continuarão a serem ditadas pelas exigências dos consumidores no tocante a rapidez das entregas, personalização, praticidade e confiabilidade nos serviços e na origem dos produtos.

Entregas com drones não estão no radar das soluções para o encurtamento do tempo. Nem tampouco o pagamento com moedas virtuais, como os Bitcoins. Já o uso da inteligência artificial na personalização do atendimento, indicação de produtos e evolução dos algoritmos de reposição de itens industrializados farão parte do cotidiano.

A evolução da conectividade dos aparelhos domésticos, também chamada de internet das coisas (IoT), e a democratização dos assistentes virtuais como Siri e Alexa, auxiliará os consumidores no abastecimento de seus lares, aliando praticidade e urgência.

Frente aos avanços na inteligência de abastecimento individual, fica a dúvida: qual o impacto nos estoques e negociações de volume tradicionalmente realizados entre indústria e varejo?

Dentre as categorias com maior tendência à migração para o comércio eletrônico, estão limpeza e cuidados com as roupas e com a casa, higiene pessoal, bebidas e produtos para animais de estimação.

Especialmente os produtos perecíveis deverão ser atendidos por sites especializados em categorias como carnes resfriadas ou congeladas, pratos prontos congelados e frutas, verduras e legumes. Tudo muito segmentado, cada uma dessas categorias.

A exigência pela rapidez aumentará ainda mais, imprimindo pressão na cadeia logística com entregas em até algumas horas depois do pedido ou o oferecimento da retirada em postos estrategicamente posicionados, modalidade também chamada de “click and collect”. Este pode ser um ponto a favor das redes varejistas já consolidadas frente aos aplicativos independentes, ainda pouco expressivos no mercado.

Na esteira da praticidade, aglutinadores eletrônicos de pedido farão o rastreio dos menores preços, prazos e fretes e informarão aos consumidores as melhores opções. 

As compras de supermercado online por dispositivos móveis crescerão e se consolidarão. É como se o formato de proximidade das lojas físicas evoluísse tanto a ponto de estar, literalmente, na mão dos consumidores. Nem por isso, as lojas físicas

deixarão de existir. Essa é a única grande certeza dos especialistas respondentes da pesquisa: ambos os canais, físico e online, coexistirão.

Caberá aos pontos-de-venda físicos uma adaptação para serem não só um local de estocagem, mas também de entretenimento, onde as experiências sensoriais e a apresentação de novidades sejam as estrelas do chão de loja. Ou seja, haverá, no ambiente físico, um fortalecimento daquilo que o online ainda não consegue entregar: experiência sensorial.

Atualmente, apenas 19 das 144 maiores redes supermercadistas possuem uma operação online, afirma a Zebra Technologies, e os poucos aplicativos independentes não tem mais do que cinco anos de existência. Estimativas indicam que o faturamento online gire em torno de R$ 1 bilhão. Ainda assim, este é um mercado promissor. O varejo supermercadista em sua totalidade faturou R$ 355,7 bilhões com 89 mil supermercados e representou 5,2% do PIB nacional em 2018. As projeções globais realizadas pela Statista indicam que, até o ano de 2025, 20% do consumo de produtos de supermercado serão feitos por comércio eletrônico. E a Amazon deverá continuar à frente desse ranking.

Patrícia Quintiliano faz a integração do marketing digital com o varejo online e offline. Atuou em grandes corporações como Grupo Pão de Açúcar, Wal Mart, Hering e Danone. É ex-CMO da startup Superlist, e-commerce de compras recorrentes de supermercado e, atualmente, CEO do LeadGrid, SaaS de geração de leads para e-commerces. Presta mentoria para startups na ACE, a maior aceleradora da América Latina e é líder do subcomitê de Inovação e Tecnologia do Mulheres do Varejo.