Artigo 10:51 - 08 de setembro de 2020

Os reflexos da pandemia do novo coronavírus no mercado de bens de consumo massivo (FMCG) já podem ser medidos com mais precisão a curto prazo, e um novo levantamento da Kantar mostra quatro pontos centrais da evolução do comportamento de compra no país até o mês de junho. Desde o início do lockdown, o carrinho do brasileiro ficou mais cheio, com 1,6 mais categorias do que o segundo trimestre do ano passado. Apesar das restrições, as famílias estão fazendo, em média, uma visita a mais ao ponto de venda e, nessas ocasiões, buscando mais promoções e reduzindo a escolha de marcas premium para equilibrar a fatura. Ao todo, 2,2 milhões de lares passaram a priorizar os produtos em liquidação e as marcas premium perderam 7% em volume de unidades, ao mesmo tempo em que as marcas próprias cresceram 47% em relação ao mesmo período de 2019. Ao lado delas, marcas mainstream e mais baratas também vêm ganhando cada vez mais espaço nas prateleiras.

Somados a esses comportamentos, há também outras mudanças extremas e mais gerais na forma de consumo nacional. São elas o aumento do valor gasto em compras de abastecimento desde março, a transferência dos hábitos out of home para o ambiente in home, o incremento de snacks e mais tempo gasto na cozinha devido à necessidade de ficar em casa e o incremento nas compras de produtos de higiene pessoal e limpeza do lar.

Todos esses pontos juntos explicam o aumento nos valores de compras in home, mas a pergunta que fica é: no longo prazo, manter esse crescimento será sustentável? De acordo com o levantamento, a tendência é de retração de gastos e o aumento dentro do lar não compensa a queda do que não tem sido gasto fora dele.

Apesar disso, a pandemia trouxe alguns comportamentos que prometem ficar, caso dos deliveries. Entre os brasileiros, 53% deles têm usado o serviço entre 2 e 3 vezes por semana e 19% pretendem continuar com esse ritmo quando bares e restaurantes já estiverem completamente liberados na rotina. Muitas famílias dizem que passaram a gostar da nova maneira de consumir esse tipo de produto no conforto de casa.

Outro novo costume é consumir online. O e-commerce foi o canal que mais cresceu no longo prazo, apesar de ainda ser tímido no país e representar apenas 0,6% no acesso de compras. No curto prazo, foram os formatos de distribuição locais e de proximidade, junto dos atacarejos, que ganharam mais famílias adeptas durante os primeiros meses de pandemia.

Deborah Maeda é Especialista em comportamento do shopper e Diretora de Retail e Clientes, com atuação na consultoria estratégica e tática dos clientes varejistas e indústria em suas diferentes áreas.


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