Artigo 17:53 - 22 de julho de 2019

Não importa o tamanho da sua organização. A única certeza que podemos ter é que você precisará de informações confiáveis para tomar melhores decisões. Isso porque a concorrência ficará ainda mais acirrada e há muito tempo não se dá apenas dentro do mesmo formato, mas sim por categoria com diferentes formatos. De acordo com um estudo da Nielsen Homescan, apresentado no Apas Show 2019, a família brasileira e 2006 visitava 3,1 pontos de venda e, em 2018 já visitava 8 diferentes pontos de venda, mais do que o dobro! A operação também está mais complexa com diferentes formatos de loja e associado a isto podemos juntar a precificação. Para precificar é necessário considerar os denominados packs virtuais para competir com o atacarejo, os preços diferenciados praticados nos programas de fidelidade (programas de relacionamento com os clientes) e tem os preços dinâmicos do e-commerce, sem contar os descontos dos tabloides e as lâminas para ações pontuais de lojas. Chega de complexidade? Claro que tem mais, mas vamos parar por aqui!

Os riscos na tomada de decisão

Nesse ambiente complexo, veloz, com redução do número de cupons fiscais emitidos, um menor número de itens em cada um e até com o risco de o cliente visitar um menor número de vezes a loja, qualquer erro na promoção pode comprometer o resultado do mês. Tomar decisões acreditando que a fórmula do passado é uma garantia de sucesso no futuro pode ser um grande equívoco. Por outro lado, adotar novas ferramentas e acreditar que serão perfeitas pode ser uma grande frustração. Entretanto, inovar em processos e experiência do cliente não é uma opção. Aqui vale o espírito empreendedor: erros serão cometidos, mas que sejam percebidos o mais rápido possível e os ajustes precisam serem feitos rapidamente. Esse é o espírito do nosso tempo.

No dia-a-dia de um supermercado, que disponibiliza cerca de 12 mil itens e aproximadamente duas centenas de categorias, temos constatado que as empresas fazem promoções de preço, mas por alguma razão operacional, não são alterados de volta para os praticados antes das promoções e comprometem a margem da loja. Além disto, equívocos na quantidade comprada, especialmente para períodos promocionais, levam a empresa a ficar superestocada em alguns produtos e com falta em outros. Normalmente, os produtos da curva A apresentam rupturas e das curvas B e C apresentam excesso de estoque, o que também comprometem o resultado da loja.

A empresa orientada por dados

Para reduzir o erro no processo de tomada de decisão, os executivos e proprietários precisam se apoiar em dados. O uso da informação permite entender o que aconteceu e fazer ajustes de rota. O aprendizado em usar informações básicas para tomar decisões cria o alicerce para construir uma cultura de análise de dados, o que permite avançar e construir cenários sobre potenciais impactos de uma escolha, até antes mesmo de executá-las. Hoje, a tecnologia permite inclusive fazer experimentos (pilotos), o que alguns denominam como testes AB para fazer escolhas.  Tudo isso muito rápido. Há também startups que já disponibilizam ferramentas em que basta colocar os dados de uma loja e, fazendo uso de inteligência artificial, analisar o giro de estoque, elasticidade de preço, margem praticada e desejada, etc. Essas ferramentas geram relatórios que permite uma visualização rápida da situação e fazer ajustes rápidos.

Rever processos e automatizá-los

Entretanto, temos encontrado empresas que adquirirem ferramentas que incorporam inteligência artificial, que as levam a tomar decisões equivocadas porque a empresa está analisando dados de qualidade ruim, mal parametrizados ou sem nenhum critério analítico. Há também empresas que estão automatizando processos sem antes revisá-los e estão “automatizando o caos” e com o risco de cometer erros em maior velocidade.  No outro extremo, há empresas que estão paralisadas e entendem que essa história de empresa orientada por dados não é para ela, “só para os grandes”. Esse é um grande erro!

Confiar nos dados

Rever processos e executá-los com métodos bem claros é fundamental. Ter dados (fatos) dependem da operação. Um exemplo comum é os dados de estoque no sistema. É comum, nos dados das empresas se ter estoque negativo ou virtual. A existência dessas situações leva os executivos a não confiarem na informação e preferirem se guiar pela intuição ou criar processos paralelos que geram mais confusão ao invés de corrigir a raiz do problema. A questão é que não há mais espaço para tomarmos decisões com base em informações ruins, na nossa opinião ou no que achamos, pelo que foi comentado no começo deste artigo.  Há que se revisar e corrigir os processos, há que garantir que os mesmos sejam executados com disciplina e de maneira correta – o treinamento é essencial para que a empresa possa começar a usar os dados com segurança.

É famosa a frase de William Edwards Deming: “o que não é medido não pode ser gerenciado” Além disso, os dados nos permitem saber “onde estamos” e, estabelecer metas de “onde queremos chegar” e permite o monitoramento do desempenho para se fazer os ajustes de rota. É como se fosse o “Waze” da gestão.

Portanto, para a sua organização ser competitiva, a precisão dos dados é fundamental! Sem dados confiáveis, o risco é maior. Essa dura realidade não ocorre apenas no Brasil. Em um artigo na revista Harvard Business Review* o tema foi abordado e algumas questões críticas, a saber:

- Os processos em áreas problemas, que geram gastos significativos, lentidão nas operações e são repetitivos, já foram automatizados? Se isso não for feito, há o risco de tomar decisões equivocadas?

- Sua organização além da automação básica, tem uma visão estratégica para a solução de problemas complexos?

- Seus gestores gastam muitas horas recolhendo dados em planilhas Excel em busca de erros humanos?

- Sua empresa tem metas claras para desenvolver uma análise estruturada e condições de centralizar os processos de manipulação de dados, de modo a padronizar como os dados são coletados e evitar que sejam inseridos mais de uma vez, comprometendo a integridade/acuracidade dos dados?

Fazer o básico bem feito é essencial para se confiar nos dados e consequentemente ser uma empresa orientada por dados, desenvolver ou contratar profissionais especializados em utilizar o big data, aplicando os conceitos relacionados com inteligência artificial e algoritmos.  Entretanto, para que as decisões tomadas com base em informação contribuam para a inovação e melhores resultados é fundamental contar com processos automatizados e profissionais com competência em métodos analíticos.

 

 

Olegário Araújo e Fábio Nunes

Cofundadores da Inteligência360

*Acesso ao artigo da Harvard Business Review


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