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APAS SHOW
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Por Redação
20 de maio de 2026

Festival APAS SHOW reúne três dos maiores supermercadistas do país em conversa sobre trajetória e gestão

Chalim Savegnago, José Koch e Pedro Lourenço compartilharam histórias de origem, crises superadas e estratégias de crescimento diante de plateia de supermercadistas

O presidente da APAS – Associação Paulista de Supermercados, Erlon Ortega, recebeu nesta quarta-feira (20) os empresários Chalim Savegnago, José Koch e Pedro Lourenço para um painel sobre trajetória empreendedora e gestão no varejo alimentar. O encontro integrou a programação do Festival APAS Show, conhecido como o maior evento supermercadista das Américas, e reuniu uma plateia de pequenos e médios empresários.

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A conversa percorreu as origens humildes, os momentos de crise e as decisões que transformaram negócios familiares em três das maiores redes regionais do Brasil. Savegnago opera mais de 64 lojas em São Paulo; Koch, mais de 94 em Santa Catarina; e Pedro Lourenço, mais de 400 unidades em Minas Gerais e Espírito Santo.

Chalim Savegnago contou que a empresa nasceu em 1976, em Sertãozinho (SP), quando seu pai, produtor rural que perdia o negócio de beneficiamento de arroz para a concorrência do produto sulista, adquiriu um supermercado de 300 metros quadrados e distribuiu 25% das cotas para cada um dos quatro filhos. "Ele colocou tudo que ele conseguiu. Não tínhamos outra coisa a pensar para não dar certo", relembrou. Em dois anos, a loja dobrou de tamanho. Em 1988, a rede chegou a Ribeirão Preto por uma rua de chão batido, com ventilador de teto e lampião para apagões. Hoje, são 14 lojas na cidade e liderança de vendas no mercado local.

José Koch narrou os 12 anos em que a família vendeu na feira livre de Santa Catarina, depois de convencer os pais a vender uma junta de bois para financiar a banca. O primeiro minimercado de 600 metros quadrados foi inaugurado em 1994. "As adversidades criam a criatividade", disse. A entrada no atacarejo, em 2016, acelerou a expansão e hoje o Grupo Koch figura entre as oito maiores redes de supermercados do Brasil. Koch também alertou para o risco de crescer sem estrutura: em 2008, ao tentar abrir a quinta loja sem fluxo de caixa suficiente durante a crise global, a rede chegou perto do colapso. "Primeiro faça a loja ser rentável para depois crescer. Senão você trabalha enxugando gelo, e ninguém merece."

Pedro Lourenço, filho de lavrador de Paineiras (MG), abriu sua primeira loja em 1996 com dez funcionários e uma caminhonete financiada em várias prestações. Construiu sua estratégia de expansão em cima do que os outros descartavam. "Se estou na festa e todo mundo está de olho na mulher mais bonita, eu estou fora. Fui me reiventando onde ninguém queria", disse. Hoje, o Supermercado BH opera mais de 400 lojas com preço único em todas as unidades, independentemente da distância do centro de distribuição. Em 2025, um incêndio destruiu o CD no Espírito Santo, com prejuízo estimado em 30 milhões de reais em mercadorias. A resposta foi imediata: "Queimou no sábado, no domingo já carreguei mercadoria de BH. Não parei uma loja."

Ao longo do painel, os empresários convergiram em um ponto: a humildade para buscar orientação é fator decisivo. "Pergunte para quem tem mais lojas que você. Ela já passou pela sua dificuldade. O nosso setor é muito solícito", afirmou Koch. Para Ortega, o encontro sintetizou o papel da APAS: "Nossa maior riqueza é poder ter essas conversas."

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