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Varejo
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Por Redação
8 de outubro de 2026

A batalha do Ultra-Fast Delivery: o supermercado na era dos 15 Minutos

Varejo alimentar amplia a disputa pela conveniência e transforma tempo, proximidade e eficiência operacional em elementos centrais da experiência de compra

A corrida do varejo alimentar para encurtar a distância entre a necessidade do consumidor e o produto coloca o ultra-fast delivery no centro de uma transformação que vai além do prazo de entrega: enquanto operações como a Daki estruturam dark stores para ganhar velocidade e eficiência, modelos como o da Minha Quitandinha apostam na disponibilidade imediata e na proximidade física.

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Segundo Maria Victoria Ferner, diretora Comercial da Daki, a velocidade depende de uma operação desenhada especificamente para reduzir deslocamentos e integrar diferentes etapas. “A dark store é pensada para velocidade desde a concepção. Diferente de uma loja tradicional, construída para o consumidor circular, na Daki todo o espaço é organizado para a operação. Os produtos de maior giro ficam mais próximos da área de preparação, a reposição acompanha a demanda em tempo real e o fluxo do pedido é desenhado para reduzir cada deslocamento”, diz.

Na visão da executiva, tecnologia e integração operacional são determinantes para sustentar a promessa de rapidez conforme o volume de pedidos cresce. “A tecnologia conecta essas etapas. Estoque, demanda, separação e logística operam de forma integrada, o que nos permite manter a regularidade do prazo mesmo com o crescimento do volume de pedidos. A velocidade que o consumidor percebe é consequência de uma operação muito precisa nos bastidores”, destaca Ferner.

Quando minutos deixam de ser suficientes

De acordo com Nathália Marçal, head de Marketing da rede autônoma Minha Quitandinha, a disputa pela conveniência envolve uma dimensão que ultrapassa a velocidade da entrega. “O ultra-fast delivery resolve o "quando", mas não resolve o "agora". Existe, no entanto, um patamar que nenhum delivery alcança: a distância zero. Nas lojas MQ não há tempo de espera, porque não há intermediação: o consumidor entra, pega o produto e sai.”, afirma Marçal.

Para a executiva, cada formato apresenta uma resposta diferente à conveniência, considerando características como variedade, tempo, disponibilidade e jornada de compra. “Supermercados tradicionais competem em variedade e preço, mas o tamanho do ponto de venda e o esquema de filas tornam a ida ao mercado sempre mais demorada do que o desejado. Dark stores e aplicativos de delivery competem em tempo, mas nem sempre resolvem o problema da forma mais simples: diante de um catálogo extenso, o consumidor pode se perder na jornada, e o que deveria ser prático se torna trabalhoso. Some-se a isso o risco de erros no pedido, algo recorrente nesse tipo de operação”, avalia a head de Marketing da Minha Quitandinha.

Na leitura de Marçal, a mudança de comportamento também abre espaço para compras menores e mais frequentes, especialmente quando o produto está próximo do consumidor. “Já a loja autônoma compete em uma dimensão diferente: disponibilidade e proximidade, 24 horas por dia. Por isso, nossa leitura é que o futuro da conveniência não será "quem entrega mais rápido", e sim "quem entrega mais comodidade". No modelo MQ, o produto está a poucos passos do consumidor, que pode escolhê-lo pessoalmente, aproximando o momento do desejo do momento da compra. O mesmo princípio que impulsionou o crescimento do e-commerce, mas aplicado a itens de baixo ticket e consumo diário: eu quero, eu compro, eu tenho na hora que eu quiser”, salienta.

O supermercado cada vez mais próximo do consumidor

Segundo Ferner, a proximidade dos estoques é uma das bases do modelo de entrega rápida, principalmente porque reduz uma das etapas mais sensíveis da operação. “A proximidade é o que viabiliza o modelo. Com o estoque perto do consumidor, reduzimos a distância da última milha, que é a etapa mais sensível do delivery”, explica a diretora Comercial da Daki.

De acordo com a executiva, entretanto, estar fisicamente perto do consumidor precisa estar associado a uma estrutura operacional capaz de transformar essa localização em produtividade. “Estar perto, porém, não basta. O pedido chega digitalmente, é separado em um ambiente desenhado para esse fluxo e percorre um trajeto curto até o cliente. É essa combinação entre localização estratégica e operação eficiente que reduz o tempo total do pedido e aumenta a produtividade da logística”, observa Ferner.

Na análise de Ferner, a própria frequência de compra evidencia que a conveniência está deixando de estar associada apenas a situações emergenciais e passando a integrar a rotina do consumidor. “O supermercado deixou de ser uma compra concentrada em um único momento da semana. As compras planejadas convivem cada vez mais com compras menores e frequentes, ligadas a uma necessidade específica: o ingrediente que faltou, a reposição da semana, o consumo do momento”, analisa a diretora comercial da Daki.

Eficiência, dados e disponibilidade entram na disputa

Para Ferner, a evolução do "quick-commerce" depende menos de reduzir continuamente o prazo prometido e mais de aperfeiçoar cada etapa da operação. “O desafio é fazer a velocidade e eficiência caminharem juntas. Estoque, abastecimento, preparação, logística e retenção de clientes precisam ser eficientes o suficiente para sustentar o modelo em escala”, afirma a executiva.

Ainda na visão da diretora Comercial, tecnologia, inteligência artificial e precisão operacional devem ganhar espaço na próxima etapa do segmento. “A próxima etapa do quick-commerce passa menos por reduzir minutos no prazo e mais por ganhar eficiência em cada etapa. Os caminhos são previsão de demanda mais precisa, menos ruptura e desperdício, picking mais produtivo e uso crescente de dados e inteligência artificial nas decisões. O diferencial do setor estará na capacidade de crescer com uma operação cada vez mais inteligente, sem abrir mão da conveniência para o consumidor nem da sustentabilidade do negócio”, destaca Ferner.

Segundo Nathália Marçal, a proximidade também depende de inteligência sobre o comportamento de cada consumidor e de cada ponto de venda. “A capacidade de colocar o produto o mais perto possível do consumidor será um dos principais fatores de competitividade do varejo alimentar nos próximos anos. O delivery ultrarrápido reduziu o tempo de espera, mas ainda depende de estoque, horários de operação, logística e intervenção humana, além de estar sujeito a variações na condição em que o produto chega ao consumidor. Já o minimercado autônomo reduz a distância praticamente a zero: está disponível 24 horas por dia, permite acesso direto ao produto e elimina etapas intermediárias da jornada de compra”, conclui a head de Marketing da Minha Quitandinha.

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