Por Redação
1 de abril de 2026Itens de Páscoa apresentou crescimento de 5% no faturamento no início de março
Ovos de chocolate lidera com alta de 110,5% em volume, já a sardinha enlatada cresceu 29,2% impulsionada pela Quaresma
A Páscoa, uma das principais datas sazonais do varejo alimentar, já começa a impactar o consumo nas semanas que antecedem a celebração. Dados da Scanntech, empresa de inteligência de mercado, mostram que o conjunto de categorias mais relacionadas à Páscoa, que inclui itens como ovo de Páscoa, chocolates, bacalhau, peixes, frutos do mar, azeite, vinho, entre outros produtos, registrou crescimento de 5,1% em faturamento na semana sazonal (01 a 07 de março de 2026), em comparação ao mesmo período do ano passado, apesar de retração de 2,6% em unidades vendidas e 1,5% em volume.
LEIA TAMBÉM
IA na estratégia da Páscoa e ajuda o varejo a prever demanda e reduzir rupturas nas gôndolas
Páscoa que vende: como o PDV virou grande motor da data
A categoria de ovo de Páscoa lidera com folga o ranking de crescimento. No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, o faturamento cresceu 105,5% em comparação ao mesmo período de 2025, com expansão de 75,5% em unidades e 83,0% em volume. O preço por unidade subiu 17,4%, enquanto o preço por quilo avançou 12,3%, reflexo tanto da maior procura quanto da pressão inflacionária sobre os ingredientes da categoria.
Considerando somente a semana de 01 a 07 de março de 2026, a procura pelo produto foi ainda mais intensa, com alta de 124,7% em faturamento, 94,4% em unidades e expressivos 110,5% em volume. O tamanho das embalagens avançou 8,2% em relação ao ano anterior. "O crescimento no tamanho médio de embalagem do ovo de Páscoa chama atenção. O consumidor está comprando produtos maiores, o que pode indicar tanto a busca por um presente mais sofisticado quanto uma forma de racionalizar o custo por quilo. São movimentos aparentemente opostos, mas que convivem na mesma cesta", comenta Matheus Tavares, gerente de Inteligência de Dados da Scanntech.
O chocolate (em barra e bombons) apresentou crescimento de 7,0% em faturamento no acumulado dos dois primeiros meses, mas queda de 12,5% em unidades e 6,0% em volume, reflexo de uma alta significativa de 22,3% no preço por unidade. Já a cobertura de chocolate registrou crescimento de 3,2% em faturamento, mas queda de 13,9% em unidades e 15,6% em volume, com o preço por quilo subindo 22,3%. Na primeira semana de março, o chocolate acelerou para alta de 17,3% em valor, enquanto a cobertura de chocolate cresceu 30,1%.
Proteínas e outros produtos atrelados à Páscoa
O período pré-Páscoa também aquece a categoria de peixes e frutos do mar, associados à Quaresma, quando parte da população evita o consumo de carne. A sardinha enlatada registrou crescimento de 29,2% em faturamento e 15,2% em unidades no acumulado de janeiro e fevereiro. O peixe fresco cresceu 17,6% em faturamento e 12,6% em unidades, enquanto frutos do mar avançaram 14,5% em faturamento e 8,3% em unidades. O atum também se destacou, com alta de 10,9% em faturamento e 4,5% em unidades.
O bacalhau, consumo tradicional da Semana Santa, apresentou crescimento de 7,8% em faturamento no acumulado de janeiro e fevereiro, mas recuou 5,5% em unidades, evidenciando forte pressão de preços, com alta de 14,1% no preço por unidade e 17,6% no preço por quilo. Na semana de 01 a 07 de março, essa pressão se acentuou: o preço por quilo subiu 35,4%, e o volume recuou 20,1%, sinalizando que parte dos consumidores está postergando ou reduzindo a compra do produto.
Enquanto a maioria das categorias da cesta pré-Páscoa registra crescimento, azeite e creme de leite apresentaram comportamento distinto. O azeite recuou 18,8% em faturamento no acumulado de janeiro e fevereiro, mesmo com pequena alta de 1,4% em unidades vendidas, refletindo queda relevante nos preços. Na semana de 01 a 07 de março, a queda no faturamento chegou a 16,6%. O creme de leite também cedeu 8,5% em faturamento no acumulado, apesar do aumento de 3,1% em unidades vendidas, com o preço por unidade caindo 11,3%.
Coco ralado, leite de coco e creme de avelã também registraram queda em unidades no acumulado, com altas de preço comprimindo o volume de compra. O grão-de-bico foi a única categoria com queda tanto em faturamento (-3,1%) quanto ligeira retração em unidades (-0,7%) e no preço por unidade (-2,4%).
Os dados consideram o desempenho das categorias mais relacionadas à Páscoa, incluindo: atum, azeite, bacalhau, chocolate, cobertura de chocolate, coco ralado, creme de avelã, creme de leite, frutos do mar, grão-de-bico, leite de coco, ovo de Páscoa, peixe, sardinha enlatada e vinho.
