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Economia
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Por Redação
19 de março de 2026

Varejo recua 3,1% em fevereiro, mas consumo essencial sustenta o setor

Queda mensal e retração de 2,2% no ano refletem crédito restritivo, enquanto itens básicos e mercado de trabalho garantem resiliência

O varejo brasileiro começou 2026 em ritmo mais moderado, com queda de 3,1% nas vendas em fevereiro na comparação mensal, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Em relação ao mesmo período do ano anterior, a retração foi de 2,2%, refletindo um ambiente ainda desafiador para o consumo.

“Apesar de o mercado de trabalho seguir bastante resiliente, com desemprego próximo das mínimas históricas e avanço da renda, o consumo continua pressionado por um ambiente financeiro restritivo”, afirma Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone.

Na prática, o desempenho mais contido está diretamente ligado ao patamar elevado de juros, ao crédito mais caro e ao alto nível de comprometimento da renda das famílias. Esses fatores limitam o consumo, especialmente em categorias mais dependentes de financiamento, como bens duráveis.

Ainda assim, alguns indicadores apontam para a resiliência do setor. Na comparação anual, segmentos ligados ao consumo essencial apresentaram crescimento, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que avançaram 2,5%, além de artigos farmacêuticos, com alta de 1,7%. O resultado reforça a prioridade do consumidor em itens básicos, sustentando o fluxo nas categorias de maior recorrência.

Outro ponto positivo vem do desempenho regional. Mesmo em um cenário de retração agregada, sete estados registraram crescimento na comparação anual, indicando uma recuperação mais disseminada e oportunidades localizadas de expansão para o varejo.

No recorte mensal, todos os oito segmentos analisados apresentaram queda, com maior impacto em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (17,9%), Combustíveis e Lubrificantes (6,5%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (5,3%). Também registraram retração Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (3,3%), Móveis e Eletrodomésticos (3,2%), Material de Construção (2,8%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (2,3%) e Artigos Farmacêuticos (1,6%). O movimento reforça a seletividade do consumo, mas também evidencia espaço para recuperação à medida que as condições financeiras se tornem mais favoráveis.

O início de 2026, portanto, sinaliza um período de ajuste para o varejo, mas com fundamentos que seguem positivos. Mercado de trabalho aquecido, renda em avanço e demanda consistente por itens essenciais sustentam o setor, que tende a responder de forma gradual conforme o ambiente de crédito evolua ao longo do ano.

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