Por Redação
25 de junho de 2026Canetas emagrecedoras crescem 239% no Brasil e já transformam o carrinho do consumidor
Estudo da Scanntech aponta que mais de 50% das doses de GLP-1 podem vir do mercado informal e revela impacto no consumo, com queda em categorias de indulgência e avanço de alimentos frescos e suplementos
O avanço dos medicamentos à base de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, já começa a transformar o comportamento de consumo dos brasileiros. Segundo estudo da Scanntech, o uso desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, movimento que também passa a refletir nas compras realizadas nos supermercados.
A análise aponta que o mercado informal pode representar mais da metade das doses de GLP-1 consumidas no país. Para estimar esse cenário, a Scanntech avaliou a evolução das vendas de seringas em farmácias e comparou o comportamento histórico desses produtos com o consumo de insulina, identificando um crescimento acima do esperado.
“Embora não seja possível mensurar diretamente o mercado informal, podemos buscar relações. Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao que seria esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que, possivelmente, mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país, desde o último trimestre de 2025, estejam sendo consumidas fora do mercado formal em farmácias”, explica Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.
No varejo alimentar, o impacto aparece principalmente em categorias associadas à indulgência. O estudo estima que o crescimento do uso de GLP-1 pode reduzir em 0,49% ao ano o volume total de alimentos vendidos nos supermercados brasileiros, com maior efeito sobre bebidas (-0,91%), perecíveis embalados (-0,66%), mercearia (-0,53%) e mercearia básica (-0,43%).
Entre as categorias mais afetadas estão cerveja (-1,03%), petiscos e snacks (-0,82%), chocolate (-0,72%), biscoitos (-0,63%), goma de mascar (-0,55%), refrigerantes (-0,55%) e balas e pirulitos (-0,51%).
Por outro lado, a mudança no comportamento alimentar abre espaço para novas oportunidades. O levantamento indica crescimento em categorias como alimentos frescos (+11,5%), academia e bem-estar (+9,6%), suplementos proteicos (+9,1%), água com e sem gás (+7,9%) e vitaminas e suplementos (+7,4%).
A pesquisa quantitativa realizada pela Scanntech com mais de 2 mil adultos mostra que 6% dos brasileiros já utilizam medicamentos à base de GLP-1. O perfil predominante está concentrado em mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil.
Além do emagrecimento, os principais motivos declarados para o uso incluem perda rápida de peso, controle do apetite e manutenção do peso. O estudo também aponta que parte dos hábitos adquiridos durante o tratamento tende a permanecer: entre os usuários atuais, 54% afirmam que alimentação saudável se tornou uma prioridade.
Para Priscila Ariani, o movimento representa uma mudança mais ampla no comportamento do consumidor. “Um dos aspectos mais relevantes observados na pesquisa é que parte das mudanças nos hábitos alimentares persiste mesmo após o fim da utilização do GLP-1. Entre os usuários atuais, 54% afirmam que alimentação saudável é prioridade, enquanto os índices registrados entre ex-usuários permanecem acima dos observados entre quem nunca utilizou o medicamento”, afirma.
