Newsletter
Receba novidades, direto no seu email.
Assinar
Varejo
...
Por Redação
23 de março de 2026

Cervejas de baixa caloria crescem até 40% em volume e ganham espaço no varejo alimentar

Categoria já avança no Brasil enquanto mercado de bem-estar movimenta US$ 5,6 trilhões no mundo

O mercado brasileiro de cervejas passa por uma transformação impulsionada pela busca do consumidor por equilíbrio entre prazer e bem-estar. Nesse cenário, as versões de baixa caloria deixam de ser nicho e começam a ganhar escala, com impacto direto nas estratégias de indústria e varejo. O movimento acompanha uma tendência global. Segundo o Global Wellness Institute, o mercado de bem-estar já movimenta cerca de US$ 5,6 trilhões.

LEIA TAMBÉM

Dados da Scanntech mostram que a categoria de cervejas de baixa caloria avançou cerca de 40% em volume no último ano, acompanhando o crescimento de outras bebidas associadas à saudabilidade, como versões zero açúcar e sem álcool. Além disso, a empresa aponta aumento da demanda por cervejas premium e pelas versões com menor teor calórico, dentro de um movimento mais amplo de busca por qualidade e equilíbrio no consumo.

A tendência reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. “Hoje, saúde e bem-estar deixaram de ser apenas uma preocupação estética e passaram a fazer parte do estilo de vida”, afirma Jussara Calife, diretora de Trade Marketing do Grupo Heineken. Segundo ela, esse movimento não reduz o consumo da categoria, mas redefine sua dinâmica. “O consumidor continua valorizando sabor, aroma e qualidade, mas passa a buscar opções que se encaixem melhor em diferentes momentos do dia. As cervejas de baixa caloria permitem manter o ritual social da cerveja com escolhas mais leves”, diz.

Esse posicionamento se reflete no portfólio da companhia, que inclui rótulos como a Amstel Ultra, cerveja puro malte com cerca de 30% menos calorias em relação à versão regular e zero glúten, além de alternativas como Heineken 0.0 e Sol Zero, ampliando as possibilidades de escolha para diferentes ocasiões de consumo.

Essa mudança também altera as ocasiões de consumo. Em vez de concentrar o consumo em momentos específicos, como finais de semana, a cerveja passa a ocupar novos espaços. “Vemos um comportamento de alternância. Dependendo da ocasião, o consumidor escolhe entre uma cerveja tradicional, uma versão de baixa caloria, zero glúten ou zero álcool”, explica Calife.

Com isso, categorias mais leves ganham espaço em contextos como almoços de trabalho, happy hours durante a semana e eventos diurnos, além de situações que exigem moderação, como quando o consumidor vai dirigir. Há ainda avanço do consumo em ocasiões ligadas ao bem-estar, como encontros ao ar livre ou momentos após atividades físicas.

Para a indústria, o desafio está em entregar esse novo perfil de produto sem comprometer a experiência. “O principal desafio é garantir que a redução de calorias preserve a qualidade do produto e a experiência sensorial da cerveja”, afirma a executiva. “Por isso, o desenvolvimento dessas cervejas exige tecnologia e processos produtivos muito precisos.”

As projeções indicam que o movimento deve se intensificar. Dados da IWSR Drinks Market Analysis apontam que o segmento de bebidas low e no alcohol deve crescer cerca de 7% ao ano nos próximos anos, consolidando-se como uma das frentes mais dinâmicas da indústria de bebidas.

No varejo alimentar, o avanço dessas categorias já começa a impactar decisões de sortimento e exposição. Com o consumidor mais seletivo e disposto a alternar escolhas, cresce a demanda por portfólios mais diversificados e alinhados a diferentes ocasiões de consumo. “Estamos caminhando para a naturalização dessas escolhas. O consumidor não quer mais categorias rígidas, mas sim liberdade para escolher de acordo com o momento”, afirma Jussara.

Para o varejo, a leitura é direta. A ascensão das cervejas de baixa caloria não apenas amplia o mix, mas também reposiciona a categoria dentro da loja, abrindo espaço para novas estratégias de valor, conveniência e experiência no ponto de venda.

Deixe seu comentário