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Varejo
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Por Redação
18 de fevereiro de 2026

Supermercado como primeiro emprego: setor forma talentos

Varejo supermercadista segue como porta de entrada no mercado de trabalho. Entenda o papel do supermercado como primeiro emprego

Supermercado como primeiro emprego sempre ocupou um papel estratégico na formação profissional no Brasil, funcionando como uma das principais portas de entrada para jovens em busca da primeira experiência no mercado de trabalho. Entretanto, mesmo mantendo esse histórico, o setor supermercadista enfrenta um cenário desafiador: há milhares de vagas abertas e, ao mesmo tempo, dificuldades crescentes para preenchê-las. Nesse contexto, entender por que o supermercado continua formando profissionais apesar das transformações no mercado ajuda a explicar tanto a relevância social do setor, quanto a necessidade de modernização nas relações de trabalho.

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Neste conteúdo, serão abordados os seguintes tópicos:

  • Supermercado como primeiro emprego e a escassez de mão de obra
  • Mudanças no comportamento dos jovens trabalhadores
  • Supermercado como formação de habilidades profissionais
  • Desafios de imagem e a percepção do setor
  • Estratégias de atração, retenção e diversificação de perfis
  • O crescimento regional e a ampliação das oportunidades
Supermercado como primeiro emprego e a escassez de mão de obra

O supermercado como primeiro emprego segue sendo uma referência histórica, porém o setor convive com um paradoxo evidente. Mesmo com cerca de 350 mil vagas abertas em todo o país, redes supermercadistas enfrentam dificuldades para contratar. O cenário de desemprego em patamar historicamente baixo — com taxa de 6,6% — alterou profundamente a lógica de oferta e demanda no mercado de trabalho. Ou seja, se antes o trabalhador buscava emprego, agora são as empresas que precisam buscar o trabalhador.

Além disso, funções operacionais como operador de caixa, atendente e repositor concentram a maior parte das vagas em aberto. Esses cargos, tradicionalmente associados ao supermercado, representam atividades essenciais para o funcionamento das lojas, mas nem sempre despertam o interesse imediato dos novos perfis profissionais.

Mudanças no comportamento dos jovens trabalhadores

Certamente, um dos fatores que mais impactam a escolha do supermercado como primeiro emprego é a mudança no comportamento dos jovens. Muitos deles passaram a priorizar trabalhos informais, atraídos principalmente pela flexibilidade de horários e pela autonomia. Nesse sentido, o modelo tradicional de jornadas rígidas e escalas fixas perde competitividade frente a outras alternativas de renda.

Entretanto, essa escolha não elimina o papel do supermercado como primeiro emprego como espaço de aprendizado. Pelo contrário: ela evidencia a necessidade de o setor se adaptar às novas expectativas, oferecendo formatos mais flexíveis e alinhados às diferentes realidades dos trabalhadores.

Supermercado como primeiro emprego e a formação de habilidades profissionais

Mesmo diante dos desafios, o supermercado permanece como uma verdadeira escola profissional. A rotina operacional desenvolve competências que vão além da execução de tarefas básicas. Atendimento ao cliente, trabalho em equipe, disciplina, organização, gestão do tempo e resiliência fazem parte do aprendizado diário.

Além disso, muitos profissionais iniciam em cargos operacionais e constroem trajetórias consistentes dentro ou fora do setor. O setor supermercadista permite contato direto com processos logísticos, controle de estoque, rotinas administrativas e relacionamento interpessoal, habilidades altamente valorizadas em diferentes áreas do mercado de trabalho. Portanto, ainda que alguns enxerguem essas funções como temporárias, elas funcionam, na prática, como base para o desenvolvimento profissional de longo prazo.

Desafios de imagem e a percepção do setor

Entretanto, a percepção do supermercado como primeiro emprego enfrenta obstáculos importantes. Parte dos candidatos associa o setor a jornadas rígidas, esforço físico intenso e poucas oportunidades de crescimento. Essa visão, muitas vezes, afasta talentos logo nas etapas iniciais do processo seletivo.

Nesse sentido, especialistas em marca empregadora destacam que o desafio não está apenas na falta de profissionais, mas na atratividade do setor. Ou seja, se a imagem transmitida não reflete as oportunidades reais de desenvolvimento, o interesse naturalmente diminui. Trabalhar a cultura organizacional e alinhar discurso e prática torna-se essencial para reposicionar o supermercado como uma escolha estratégica, e não apenas circunstancial.

Estratégias de atração, retenção e diversificação de perfis

Diante desse cenário, redes supermercadistas têm adotado estratégias alternativas para fortalecer o supermercado como primeiro emprego. Uma delas é a diversificação do perfil de contratação. Jovens em busca da primeira oportunidade seguem relevantes, porém há um movimento crescente de inclusão de profissionais acima dos 50 ou 60 anos, que demonstram maior disponibilidade, comprometimento e experiência no atendimento ao público.

Além disso, o setor busca parcerias institucionais, como iniciativas voltadas a jovens que concluíram o serviço militar obrigatório. Esse tipo de ação reforça o caráter formador do supermercado como primeiro emprego, ao oferecer vagas com possibilidade de desenvolvimento profissional estruturado.

Outro ponto fundamental é a flexibilização de jornadas. Adaptar horários, revisar escalas e ampliar modelos de contratação ajuda a tornar o supermercado como primeiro emprego mais compatível com a realidade atual dos trabalhadores, especialmente dos mais jovens.

O crescimento regional e a ampliação das oportunidades

O fortalecimento do supermercado como primeiro emprego também pode ser observado em regiões onde o setor cresce acima da média. Em Campinas (SP), por exemplo, o número de vagas ofertadas para supermercados e atacados aumentou mais de 200% em um ano. Esse crescimento está diretamente ligado à chegada de novas redes, à abertura de unidades e à intensificação da atividade econômica local.

Funções como operador de caixa, repositor, atendente, açougueiro e padeiro lideram a expansão das oportunidades. Além disso, benefícios como vale-transporte, vale-alimentação, seguro de vida e plano de saúde tornam o primeiro emprego mais atrativo para diferentes perfis, desde jovens até aposentados que buscam complementar renda. Esse movimento reforça que o supermercado como primeiro emprego não se limita a uma fase inicial da vida profissional, mas pode atender múltiplas demandas ao longo da trajetória de trabalho.

Supermercado como primeiro emprego: formação, desafio e futuro

Em síntese, o varejo continua desempenhando um papel central na formação de profissionais no Brasil. Apesar das dificuldades para preencher vagas, o setor segue oferecendo aprendizado prático, desenvolvimento de competências e oportunidades reais de crescimento.

Entretanto, para manter essa relevância, é fundamental que as empresas avancem na modernização de suas práticas de gestão de pessoas, comunicação e recrutamento. Alinhar expectativas, flexibilizar modelos e fortalecer a marca empregadora são passos decisivos para que o supermercado permaneça como uma escolha estratégica para quem inicia ou reinventa sua trajetória profissional. Assim, mais do que uma porta de entrada, o varejo segue sendo um setor de formação, transformação e construção de carreiras.

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