
Por Redação
29 de agosto de 2025Momento de experimentar para escolher
Em um cenário econômico desafiador, as marcas próprias se consolidam, não apenas como alternativas acessíveis, mas também como opções emocionais e estratégicas para o consumidor
Em momentos de instabilidade econômica, o consumidor se vê desafiado a repensar seus hábitos de consumo, priorizando escolhas mais racionais e acessíveis. Nesse cenário, as marcas próprias ganham destaque como uma solução de ótimo custo-benefício. Segundo Cintia Schaimberg Medvedovsky, fundadora da Ziggle, agência especializada em licenciamento de marcas e personagens, esse movimento ocorre porque, ao confiar no ponto de venda, o consumidor tende a transferir essa confiança para os produtos da marca própria, enxergando neles uma alternativa segura, não apenas mais barata.
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O fator preço, embora central, não atua sozinho. A percepção de valor desempenha papel decisivo nesse processo de escolha. Cintia destaca que, quando essas marcas conseguem associar personagens licenciados e elementos de desejo aos seus produtos, há uma transformação imediata na forma como o consumidor os enxerga. Um bom exemplo são os ovos de Páscoa da marca Delicce, vendidos pelas Lojas Americanas: com personagens infantis conhecidos, esses produtos se tornam objetos de desejo, sem necessariamente exigir um aumento expressivo de preço.
Esse tipo de estratégia acelera a mudança no perfil de consumo. A marca própria deixa de ser vista como uma opção temporária e passa a ocupar lugar fixo no carrinho de compras. O consumidor, ao perceber que está levando para casa um produto de qualidade e, muitas vezes, com apelo emocional ou cultural, passa a preferi-lo mesmo quando o cenário econômico melhora. Cintia explica que, quando há o envolvimento de licenças bem trabalhadas, como personagens ou marcas reconhecidas, cria-se um vínculo ainda mais forte, que vai além do racional e se conecta com elementos de identidade, nostalgia e pertencimento.
Além disso, as marcas próprias vêm investindo cada vez mais em design atrativo, inovação e posicionamento estratégico nas gôndolas. Esses fatores contribuem para reforçar a percepção de valor e elevam a categoria a um novo patamar, antes dominado exclusivamente por marcas tradicionais. O consumidor moderno, mais informado e atento, percebe esse movimento e responde positivamente a ele.
A fidelização, portanto, não é fruto apenas do preço competitivo. Ela nasce da confiança conquistada, da experiência de uso e, principalmente, da capacidade da marca própria em gerar valor simbólico. Quando bem posicionadas, esses produtos constroem um relacionamento duradouro com o consumidor e estabelecem um laço que resiste inclusive à recuperação da economia.