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Por Redação
29 de maio de 2026

Por que a marca própria precisa contar mais do que vender

Supermercados descobrem que narrativas fortes são decisivas para transformar marcas exclusivas em preferência de compra

As marcas próprias já conquistaram espaço físico relevante nas gôndolas brasileiras. Ganham share, ampliam categorias e avançam em faturamento — a ponto de o setor projetar movimentação de R$ 153 bilhões em 2025 no país. Mas existe uma fronteira ainda mais estratégica para o varejo: deixar de ser apenas uma opção disponível e passar a ser uma marca desejada, lembrada e escolhida antes mesmo da comparação de preços.

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É nesse ponto que marketing e storytelling entram como ativos centrais da operação. Segundo Maria Júlya, head de Marketing da T&D Sustentável, empresa BlueTech referência em gestão hídrica no Brasil, o maior erro das marcas próprias está em acreditar que preço competitivo e boa qualidade são narrativas suficientes. “Quando todas dizem a mesma coisa, nenhuma cria memória. O consumidor não ignora a marca porque não gostou dela; ele ignora porque ela não disse nada que valesse ser lembrado”, afirma.

O desafio se torna ainda mais evidente em um ambiente saturado por estímulos visuais e excesso de informação. Se antes bastava comunicar economia, hoje o shopper precisa enxergar propósito, personalidade e identificação. Para Maria Júlya, toda marca própria capaz de gerar engajamento real precisa se sustentar em quatro pilares: mensagem clara, conflito real, personagem identificável e coerência com o posicionamento da rede que a abriga.

A mensagem clara responde ao que a marca representa além do que vende. O conflito mostra qual tensão cotidiana ela resolve na vida do consumidor. O personagem dá rosto e pertencimento à narrativa. Já a coerência garante que embalagem, tom de voz, campanha e experiência de compra conversem entre si. “Sem esses elementos, a comunicação ocupa espaço na prateleira, mas não ocupa espaço na cabeça de ninguém”, resume.

Um exemplo citado por especialistas em branding é o da Cimed, que conseguiu transformar um segmento essencialmente comoditizado em território de conexão emocional ao humanizar sua liderança, mostrar bastidores e associar a marca a uma linguagem próxima da cultura pop. A lição para o varejo é direta: em mercados onde o produto parece igual, a história passa a ser o diferencial mais difícil de copiar.

Esse raciocínio também vale para as marcas próprias supermercadistas. Em vez de apenas informar atributos técnicos, torna-se necessário construir uma identidade reconhecível: quem é essa marca, o que ela defende, como fala e por que merece confiança.

Maria Júlya reforça que histórias vendem porque simplificam decisões. “O consumidor não precisa de mais um produto. Precisa de um motivo para escolhê-lo.” E esse motivo raramente nasce em uma tabela comparativa. Nasce quando a marca consegue criar vínculo antes mesmo do carrinho.

Acesse o Especial do Mês de maio e confira todas as matérias sobre: Marcas próprias como diferencial competitivo

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