Por Redação
12 de março de 2026Indústria de alimentos investe R$ 41,3 bilhões em inovação e manteve crescimento
Balanço de 2025 aponta alta de 6,8% nos investimentos, com foco em modernização e tecnologia; vendas devem crescer entre 2% e 2,5% em 2026
Para sustentar crescimento e competitividade, a indústria de alimentos investiu R$ 41,3 bilhões em 2025, alta de 6,8% em relação a 2024. Desse total, R$ 26,7 bilhões foram destinados à inovação, modernização de plantas industriais e novas tecnologias, reforçando eficiência e sustentabilidade. As projeções para 2026 indicam expansão real das vendas entre 2% e 2,5% e aumento do emprego de 1% a 1,5%, mantendo o setor como um dos principais motores de ocupação no país.
Apesar do aumento de 5,1% nos custos de produção, impulsionado por matérias-primas, embalagens, energia e combustível, a indústria limitou o repasse aos preços finais: enquanto o IPCA geral avançou 4,26%, os alimentos subiram 2,95%, segundo dados da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos).
O setor também manteve a expansão do emprego industrial. Foram criadas 51 mil novas vagas formais, representando 44,6% do total de postos de trabalho gerados na indústria de transformação. A força de trabalho direta chegou a 2,125 milhões de pessoas, e considerando empregos indiretos, em agricultura, embalagens, equipamentos, logística e transporte, a cadeia produtiva totalizou 10,6 milhões de postos. A massa salarial cresceu 9,94%, acima da inflação, aumentando a renda dos trabalhadores.
O mercado interno sustentou o crescimento do faturamento, que atingiu R$ 1,388 trilhão, alta de 8,02% em relação a 2024. Desse total, R$ 1,02 trilhão veio das vendas internas, sendo R$ 732 bilhões do varejo e R$ 287,9 bilhões do food service, setor que retomou participação com crescimento nominal de 8,4% e 10,1%, respectivamente. A produção física totalizou 288 milhões de toneladas, aumento de 1,9%.
A indústria manteve papel estratégico junto ao campo, adquirindo 62% de toda a produção agropecuária do país e 68% da agricultura familiar. No mercado externo, as exportações alcançaram US$ 66,73 bilhões, com crescimento de 0,7%, mesmo diante de desafios tarifários e cenário global mais lento. Os principais destinos foram Ásia (41,1%), China (19%), Liga Árabe (15,4%), União Europeia (13%) e Estados Unidos (9,2%). O saldo comercial do setor chegou a US$ 57,5 bilhões, equivalente a 84,2% do superávit da balança comercial brasileira.
“Em 2026, a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento. Ainda haverá desafios, especialmente do lado dos custos, mas o setor entra nesse ciclo com bases sólidas para crescer de forma sustentável, gerar empregos e seguir cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do país”, afirma o presidente executivo da ABIA, João Dornellas.
