Por Redação
1 de outubro de 2026Carrefour amplia capacidade de inteligência para antecipar riscos e prevenir incidentes
Nova estrutura cruza informações operacionais, meteorológicas e de infraestrutura para apoiar decisões preventivas nas lojas
A complexidade da operação do Grupo Carrefour Brasil, que reúne diferentes formatos de negócio e milhares de pontos de monitoramento em todo o país, levou a companhia a transformar seu modelo de gestão de riscos. O antigo Centro de Controle Operacional deu lugar a uma estrutura de inteligência que combina dados, tecnologia e atuação integrada de diferentes áreas para identificar sinais de possíveis ocorrências e apoiar respostas antes que elas evoluam para situações de maior impacto. À frente da iniciativa, Elizeu Lucena, diretor de Gestão de Riscos e Crises, explica que a mudança representa uma alteração na forma de lidar com os eventos. “O desafio passou a ser entender os sinais, correlacionar informações e agir antes que o evento se tornasse uma crise”, afirma.
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O Centro de Inteligência de Riscos (CIR) reúne informações de diferentes fontes, como registros de incidentes nas unidades, dados meteorológicos, alertas da Defesa Civil e informações relacionadas à infraestrutura das operações. Entram nessa análise indicadores de refrigeração, funcionamento de geradores, geração de energia solar e consumo energético, compartilhados pelo Centro de Suporte, Desenvolvimento e Infraestrutura.
A combinação permite identificar padrões e desvios em meio ao grande volume de informações geradas diariamente pela operação. A companhia também vem utilizando sua base histórica para desenvolver modelos preditivos capazes de estimar a probabilidade, a recorrência e o potencial de impacto de determinados eventos.
A inteligência artificial começa a ser incorporada aos processos de prevenção de perdas e incidentes nas lojas. As soluções ainda estão em fase de testes, e o Carrefour avalia a assertividade dos alertas, a redução de falsos positivos e o valor gerado para a operação antes de associá-las a indicadores consolidados de redução de ocorrências ou prejuízos. Na prática, a tecnologia atua como uma camada de filtragem e sinalização, enquanto a decisão permanece sob responsabilidade das equipes. “A tecnologia e a Inteligência Artificial geram alertas para validação humana”, diz Lucena. Nos projetos-piloto, já são testados alertas automáticos para situações específicas, como presença de fumaça e quedas de clientes. Quando um evento é considerado relevante, a informação é encaminhada aos responsáveis locais de acordo com sua criticidade e natureza.
A proposta é que o CIR não substitua a atuação dos gestores das unidades, mas amplie sua capacidade de identificar e responder a situações que exigem atenção. Em vez de depender da observação manual de milhares de câmeras e fontes de informação, as equipes passam a receber indicações sobre eventos que precisam ser avaliados e tratados conforme os protocolos estabelecidos.
A próxima etapa da iniciativa prevê o aprimoramento dos modelos de predição, a ampliação dos casos de uso de inteligência artificial e a conexão de novas fontes de dados ao ecossistema do CIR. A intenção é fazer com que a estrutura avance de uma atuação voltada à resposta para um modelo cada vez mais preventivo. “O objetivo é avançar cada vez mais na identificação do que aconteceu para a capacidade de antecipar o que pode acontecer e direcionar ações preventivas”, destaca o executivo. Segundo ele, a evolução também deverá mudar a forma de medir os resultados da área, considerando não apenas a capacidade de responder aos incidentes, mas também aqueles que forem evitados ou mitigados antes de ganhar relevância para o grupo.