Por Thaissa Gentil
23 de janeiro de 2026Por que o off-site virou o próximo passo do varejo como plataforma de mídia
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Durante anos, a discussão sobre mídia no varejo esteve concentrada em performance e conversão. O foco era claro: transformar tráfego em venda, capturar o último clique e comprovar retorno por métricas já conhecidas. Em 2026, esse modelo começa a mostrar seus limites.
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Com orçamentos cada vez mais pressionados e decisões examinadas de forma mais criteriosa por marcas e áreas financeiras, o desafio do varejo deixou de ser apenas fazer a mídia funcionar. A pergunta agora é outra: onde, de fato, a mídia gera valor incremental para o negócio?
É nesse contexto que o off-site ganha protagonismo — não como um novo canal, mas como um movimento estratégico que reposiciona o varejo como plataforma de mídia.
O novo papel do varejo na cadeia de valor da publicidade
À medida que o retail media amadurece, as marcas passam a esperar mais do varejo do que exposição no momento da compra. Elas querem ampliar alcance, influenciar decisões antes do carrinho e construir demanda ao longo de toda a jornada.
Isso exige do varejo um papel mais ativo no funil, indo além da conversão imediata. Não se trata de abandonar o on-site — ele continua sendo fundamental —, mas de reconhecer que ele é finito. Há um limite claro para o crescimento quando a atuação se restringe ao ambiente próprio do varejista.
Do on-site ao off-site: o que muda na prática
No contexto do retail media, off-site refere-se à ativação das audiências do varejo fora de seus próprios ambientes digitais — como site e app — em canais externos e premium. Essa abordagem permite que o varejo leve sua inteligência de dados para além da “prateleira digital”, atuando também no topo e no meio do funil.
Na prática, isso significa alcançar consumidores em ambientes onde eles passam tempo e constroem preferências, como plataformas de vídeo, áudio, social e discovery — casos de Netflix, Spotify, Pinterest e TikTok.
Mais do que ampliar presença, o off-site permite ao varejo reposicionar sua proposta de valor. Ele deixa de vender apenas espaço e passa a oferecer alcance qualificado, baseado em dados proprietários e comportamento real de compra.
Off-site como decisão estratégica — não como expansão de canais
O ponto central não é simplesmente “estar em mais lugares”. O off-site representa uma decisão estratégica para varejistas que querem se consolidar como plataformas de mídia relevantes para marcas nacionais e globais.
Ao ativar audiências fora do próprio ambiente, o varejo:
● Amplia sua capacidade de gerar demanda;
● Reduz a dependência exclusiva de poucos grandes canais;
● Fortalece sua posição como parceiro estratégico das marcas.
Mas há um risco claro nesse movimento.
Onde a maioria ainda erra: ativar sem provar valor
Ativar off-site, por si só, não resolve o problema central do mercado. O erro mais comum é tratar essa expansão como um exercício de escala, sem a capacidade de provar impacto real de negócio.
Relatórios mostram números, campanhas performam, mas permanecem perguntas fundamentais:
● Quem comprou por causa da mídia?
● O que teria acontecido sem essa exposição?
● Onde houve crescimento incremental — e onde apenas houve redistribuição de vendas?
Responder a essas questões exige uma mudança de patamar em mensuração e colaboração de dados. Métricas tradicionais ajudam a acompanhar performance, mas não explicam valor. Para isso, é preciso cruzar dados de forma segura, governada e interoperável, conectando exposição a resultado real.
Nesse cenário, a colaboração de dados deixa de ser um diferencial e passa a ser infraestrutura — o meio pelo qual varejo e marcas conseguem ativar, medir e escalar com confiança.
O off-site como campo de prova do varejo
Em 2026, o off-site será o espaço onde o varejo mostrará se é apenas mais um canal de mídia ou se é, de fato, uma plataforma capaz de gerar e provar valor para as marcas.
Não vencerá quem apenas vender mais mídia, mas quem conseguir demonstrar, de forma consistente, onde a mídia realmente fez diferença para o negócio. É essa capacidade de provar impacto — e não apenas de entregar alcance — que separará as operações maduras das demais.
