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Por Redação
3 de fevereiro de 2026

Juros altos e consumo contido: como os supermercados vão driblar o crédito caro em 2026

Com consumidor mais cauteloso e capital mais caro, varejo aposta em eficiência, gestão de mix e foco em valor para preservar margens

A manutenção de juros elevados projeta para 2026 um cenário de crédito mais restrito e consumo contido, afetando diretamente a dinâmica do varejo alimentar. Embora supermercados lidem com produtos essenciais e mantenham resiliência em volume, o desafio passa a ser outro: sustentar rentabilidade em um ambiente de custos pressionados, menor acesso ao crédito e consumidores cada vez mais sensíveis a preço.

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Nesse contexto, o papel do crédito muda dentro do setor. Compras menos impulsivas, carrinhos mais planejados e maior seletividade forçam o varejo a abandonar estratégias baseadas apenas em repasse de preços. A prioridade passa a ser eficiência operacional, controle rigoroso de custos e decisões comerciais mais inteligentes, capazes de equilibrar margem e competitividade.

Para Natalia Andrello, CMO da Orgânico Natural, o momento exige uma visão estratégica mais ampla. “Os supermercados estão passando por um momento desafiador, com custos de energia, logística e matérias-primas mais altos e um consumidor cada vez mais sensível a preço. Por isso, o reajuste de margens não acontece apenas por meio de aumentos de preço, mas por decisões estratégicas que combinam precificação inteligente, eficiência operacional e foco em valor”, afirma.

Na prática, isso se traduz em uma revisão profunda da operação. “Significa revisar preços por categoria, negociar com fornecedores e melhorar a gestão de estoque para reduzir perdas, sempre com o cuidado de não afastar o cliente”, explica a executiva. Em um ambiente de crédito caro, qualquer ineficiência se transforma rapidamente em pressão sobre o caixa, tornando a gestão de estoques e capital de giro ainda mais crítica.

No caso da Orgânico Natural, a resposta ao cenário de juros altos tem sido pautada pela responsabilidade e pela preservação do posicionamento da marca. Atuando com produtos que combinam saúde, bem-estar e sustentabilidade, a empresa evita repasses automáticos de custos e prioriza ações estruturais. “Nossa estratégia tem sido proteger o valor da marca e a qualidade do portfólio, mesmo diante da alta de custos”, destaca Natalia.

Entre as principais frentes estão a otimização da cadeia de compras, com fortalecimento das parcerias com fornecedores, a construção de um mix equilibrado, com bom giro e margem sustentável, e o ganho de eficiência em processos e escala para manter competitividade no ponto de venda. Essas iniciativas ganham ainda mais relevância em um cenário em que o crédito caro limita investimentos e reduz a tolerância a erros.

Para 2026, o consenso no setor é que o consumo seguirá mais racional e planejado. Supermercados que conseguirem combinar disciplina financeira, inteligência comercial e proposta clara de valor estarão mais preparados para atravessar um ciclo prolongado de juros altos. Como resume Natalia Andrello, trata-se de entender o momento do mercado sem abrir mão de qualidade, responsabilidade e sustentabilidade financeira no longo prazo.

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