Por Redação
24 de março de 2026Logística reversa: o supermercado como hub da economia circular
De ponto de venda a de coleta, varejo assume protagonismo ambiental e transforma obrigação em vantagem competitiva
A logística reversa deixou de ser um bastidor operacional para ocupar lugar estratégico no varejo alimentar. Em um cenário de economia circular, o supermercado já não é apenas o destino final do produto. Ele passa a ser o elo central no retorno de embalagens, resíduos e mercadorias à cadeia produtiva.
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Para Andreia Pedrosa, diretora comercial da LMX Logística, a mudança é resultado direto da evolução do consumidor e da pressão regulatória. “A logística reversa deixou de ter um papel apenas operacional e passou a ser o que diferencia você do concorrente. O cliente não avalia mais só a experiência de compra, mas o comprometimento real da empresa com sustentabilidade e responsabilidade pós-venda”, afirma.
O supermercado ocupa posição estratégica por três fatores principais. O primeiro é a proximidade com o consumidor final. Como principal ponto de contato entre marcas e clientes, a loja se transforma naturalmente em ponto de coleta e orientação. Pilhas, eletrônicos, óleo de cozinha usado e embalagens recicláveis encontram no varejo um canal acessível de descarte adequado. Mais do que conveniência, isso fortalece a percepção de cuidado e transparência.
O segundo fator é a pressão regulatória e os compromissos ambientais. Com o avanço da legislação e metas de ESG, redes supermercadistas assumem protagonismo na estruturação de sistemas de retorno, muitas vezes liderando consórcios com indústrias, cooperativas e operadores logísticos. Na prática, a loja vira um hub operacional: recebe resíduos, consolida volumes, organiza triagem e conecta o material à indústria recicladora.
O terceiro ponto é estratégico: eficiência. Processos bem estruturados ampliam a rastreabilidade de produtos e resíduos, reduzem perdas e avarias, geram dados para decisões mais rápidas e otimizam fluxos de devolução. O que antes era visto apenas como custo passa a representar redução de despesas e ganho de reputação — além de aumentar o fluxo na loja, já que pontos de coleta incentivam a recorrência.
Para Andreia, o varejo se consolida como protagonista porque ocupa o ponto mais estratégico da cadeia, que é onde o consumo acontece. “Ao estruturar processos de retorno, coleta e reaproveitamento, o supermercado contribui para a economia circular, melhora sua eficiência operacional, reduz custos e fortalece a marca”, analisa.
