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Varejo
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Por Redação
18 de março de 2026

Com 134 lançamentos, Páscoa apostará na diversificação de chocolates como estratégia principal

Empresas ampliam portfólio, apostam em marcas consolidadas e aceleram a diferenciação para ganhar espaço e impulsionar vendas no varejo alimentar

A Páscoa de 2026 consolida o chocolate como uma das categorias mais estratégicas do varejo alimentar. Em um ambiente de consumo mais seletivo, a indústria avança com crescimento em produção, expansão do número de lançamentos e uma abordagem mais sofisticada de portfólio, ancorada na diversificação como principal alavanca de desempenho.

Dados da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas) mostram que a produção nacional passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025. No mesmo período, o volume de ovos de Páscoa avançou de 45 milhões para 46 milhões de unidades. A sazonalidade também impulsionou o mercado de trabalho, com a criação de 10.558 vagas temporárias neste ano.

“O setor apresentou resultados bastante positivos, com crescimento na produção, no número de itens colocados no mercado e na geração de empregos temporários”, afirma Jaime Recena, presidente executivo da entidade.

Mais do que o avanço nos indicadores, o que chama atenção é a mudança no desenho da categoria. Em 2026, são 134 lançamentos, ante 94 no ano anterior, um salto que evidencia o esforço da indústria em capturar diferentes ocasiões de consumo e perfis de renda. “Nossas indústrias estão atentas às oscilações naturais do paladar do brasileiro e buscam atender uma gama cada vez maior de consumidores”, diz Recena.

Esse movimento se materializa em gôndolas mais fragmentadas e competitivas, onde marcas consolidadas convivem com novas propostas de valor. Nestlé e Garoto, por exemplo, somam 17 ovos de Páscoa e reforçam itens de alto giro, como KitKat, Alpino, Talento e Serenata de Amor, ao mesmo tempo em que introduzem novidades como o ovo Charge. A expansão da linha de tabletes recheados, com sabores como Prestígio, Negresco, Charge e Galak, sinaliza um esforço claro de reduzir a dependência da sazonalidade.

A mesma lógica orienta o portfólio de Lacta, que ultrapassa 25 itens entre ovos, barras e caixas de variedades. A combinação entre inovação em recheios e a manutenção de sabores já consolidados indica uma estratégia de equilíbrio entre experimentação e previsibilidade de vendas. No ponto de venda, isso se traduz em maior presença de embalagens presenteáveis e estímulos à recorrência de compra ao longo de toda a temporada.

Em paralelo, fabricantes como Neugebauer reforçam categorias tradicionais, como caixas de bombons, ampliando a oferta em diferentes faixas de preço. Em um cenário de maior sensibilidade ao valor, esses produtos ganham relevância como alternativas ao ovo de Páscoa, com potencial de manter o giro da categoria.

Outra frente que se consolida é o avanço dos licenciamentos e das parcerias como ferramenta de diferenciação. O Grupo Marilan, por meio da Top Cau, leva ao mercado mais de 30 produtos e aposta em personagens, clubes de futebol e colaborações com marcas como M&M’s, Fini e Paçoquita. A estratégia combina apelo emocional, itens colecionáveis e maior visibilidade no ponto de venda, ampliando o potencial de conversão.

Nesse contexto, a entrada da ZD Alimentos na categoria com o Ovo Moranguete exemplifica um movimento mais amplo da indústria. Trata-se da transformação de marcas já consolidadas em novas plataformas de consumo, uma estratégia que busca capitalizar reconhecimento e memória afetiva para gerar experimentação e ampliar presença em momentos sazonais.

A disputa por atenção nas gôndolas também passa, de forma cada vez mais estruturada, pelo público infantil. A Kinder reforça sua atuação com coleções temáticas como Smurfs, Mundo dos Dragões, DC Playmobil, Casa Mágica da Gabby, Natoons e Jurassic World, mantendo os brindes e itens colecionáveis como eixo central de diferenciação.

Já a Arcor amplia seu portfólio com produtos que exploram novas combinações de sabor e textura, como os ovos Block, Bon o Bon Supreme e Bon o Bon Paçoca. A linha Tortuguita avança em propostas interativas, enquanto licenciamentos como Galinha Pintadinha, Maria Clara & JP, Monster High e Dragões reforçam o apelo junto ao público infantil e familiar.

No pano de fundo, a Páscoa 2026 evidencia uma mudança estrutural na categoria. A dependência de poucos produtos icônicos dá lugar a um modelo mais fragmentado, sustentado por variedade, inovação e segmentação. Para o varejo, isso implica uma operação mais complexa, mas também abre espaço para maior captura de valor, com sortimento ampliado e novas possibilidades de diferenciação no ponto de venda.

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