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Varejo
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Por Redação
22 de julho de 2026

Embalagens a vácuo de carnes impulsionam eficiência no varejo

Frigoríficos investem em tecnologia, logística refrigerada e novos formatos para atender supermercados que buscam mais produtividade, segurança alimentar e praticidade para o consumidor

A forma como a carne chega às gôndolas dos supermercados vem passando por uma transformação significativa. Impulsionado pela busca por maior eficiência operacional, redução de perdas, padronização dos cortes e mudanças no comportamento do consumidor, o modelo de abastecimento com carnes embaladas a vácuo ganha espaço nas redes varejistas e inaugura uma nova dinâmica entre frigoríficos e supermercados.

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Embora o açougue tradicional continue desempenhando papel importante, principalmente no atendimento personalizado, especialistas apontam que os dois formatos tendem a coexistir, cada um atendendo diferentes momentos de compra e perfis de consumidores.

Para Luciano Borges, diretor Comercial de Autosserviço da MBRF, a evolução da categoria está diretamente relacionada à necessidade de tornar as operações mais eficientes. "A demanda por carnes embaladas a vácuo vem crescendo de forma consistente, impulsionada pela busca do varejo por maior eficiência operacional, padronização e redução de perdas”, afirma. “O consumidor também passou a valorizar atributos como qualidade, segurança dos alimentos e praticidade, fatores que fortalecem essa categoria”.

O varejo vem adotando operações cada vez mais industrializadas, com a evolução do modelo tradicional para operações cada vez mais industrializadas, especialmente em redes que buscam otimizar processos, reduzir a manipulação nas lojas e garantir uma experiência mais uniforme entre diferentes unidades. “Isso não significa a substituição completa do açougue tradicional, mas sim uma convivência entre modelos”, pondera o executivo.

Na avaliação de Rodrigo Fossalussa, superintendente Comercial da Frimesa, a transformação também acompanha a mudança no perfil do consumidor. "A demanda por carnes embaladas a vácuo tem crescido de forma acelerada e consistente e temos observado o varejo migrando para modelos de abastecimento mais industrializados”, diz. Para ele, essa evolução é impulsionada por mudanças no comportamento do consumidor, que busca conveniência, rapidez e segurança, além da necessidade dos supermercados de otimizar suas operações”.

Vale ressaltar, ainda, que a percepção do consumidor também mudou. "Antes, a carne embalada a vácuo era vista pelo consumidor com certa desconfiança, e hoje, porém, é sinônimo de higiene e conveniência, já que muitas vezes o ele dispõe de menos tempo para ir ao balcão do açougue, o que favorece a agilidade do 'pegar e levar'", acrescenta Fossalussa,

Ganhos para toda a operação

Além da conveniência para o consumidor, a industrialização do abastecimento traz impactos diretos para a gestão das lojas. Para a Frimesa, ao receber os cortes já porcionados e embalados, o supermercado reduz etapas operacionais e melhora o desempenho do setor. "Dessa forma, transformamos o açougue do supermercado em uma operação altamente eficiente, pois o supermercadista ganha em padronização, controle de estoque e produtividade, liberando espaço físico na loja, reduzindo o desperdício e aumentando a segurança.”, explica o executivo.

Na MBRF, a eficiência também está ligada aos avanços em logística e padronização. "Há avanços na logística refrigerada, no planejamento de abastecimento e na padronização dos cortes, que tornam a operação mais eficiente para o varejo, o que facilita o controle de estoque, melhora a disponibilidade dos produtos nas gôndolas e contribui para uma exposição mais atrativa ao consumidor”, complementa Borges.

As inovações não se restringem à conservação dos alimentos. A embalagem passou a exercer papel estratégico na experiência de compra e ainda melhora a comunicação com o consumidor, pois apresenta os atributos do produto, oferecem maior transparência e destacam informações importantes, contribuindo para uma decisão de compra mais rápida.

Apesar do crescimento, especialistas afirmam que a expansão do modelo ainda depende de mudanças culturais e investimentos. Para a MBRF, um dos principais desafios está na adaptação da operação. "A adoção de um modelo mais industrializado exige planejamento, revisão de processos e integração entre indústria e varejo”, diz Borges, que ressalta, ainda, que o varejista precisa considerar os ganhos operacionais além do custo do produto. "É necessário considerar benefícios como redução de perdas, maior produtividade da equipe, padronização dos cortes e melhor gestão do estoque”, afirma.

Na visão da Frimesa, também persistem desafios relacionados ao comportamento do consumidor e à infraestrutura. "O consumidor brasileiro ainda valoriza muito o contato visual e o diálogo com o açougueiro, sem contar que ainda existe o mito de que a carne do balcão é mais fresca do que a embalada na indústria”.

Além disso, manter a cadeia de frio em um país de dimensões continentais exige investimentos elevados. O investimento em maquinário de ponta para embalagens e materiais de alta barreira eleva o custo inicial de produção, exigindo escala para que o preço final seja competitivo frente ao modelo tradicional.

O futuro será de convivência

O crescimento da categoria será impulsionado por conveniência, qualidade e eficiência.

Entre as tendências apontadas para os próximos anos estão a ampliação de cortes premium, produtos marinados, porções menores, embalagens inteligentes com QR Codes para rastreabilidade, certificações de origem e soluções voltadas a diferentes perfis de consumo.

"A previsão é de crescimento contínuo das carnes embaladas a vácuo, impulsionado pela busca por conveniência, qualidade e eficiência operacional. Esse crescimento acontecerá de forma complementar ao açougue tradicional”, sugere Borges

Já Fossalussa defende um modelo para cada tipo de consumidor e ocasião. "Acreditamos que o modelo tradicional de açougue deve se transformar em um espaço premium ou de experiência, focado em cortes nobres, atendimento consultivo e churrasco, enquanto o autosserviço dominará o abastecimento do dia a dia”, conclui.

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