Por Redação
28 de maio de 2026Case internacional: como a Marjane Group modernizou o varejo alimentar no Marrocos
Rede aposta em hipermercados, conveniência, marcas próprias e experiência de compra para enfrentar avanço da concorrência no varejo africano
A trajetória da Marjane Group ajuda a explicar a profunda transformação do varejo alimentar no Marrocos nas últimas décadas. Considerada a maior rede de hipermercados e supermercados do país e uma das empresas mais influentes do norte da África, a companhia consolidou sua liderança ao unir expansão territorial, modernização do varejo e forte adaptação ao perfil do consumidor local.
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Fundada em 1990 e sediada em Casablanca, a empresa introduziu o conceito de hipermercado moderno em um mercado historicamente dominado por pequenos comerciantes, mercados tradicionais e os famosos “souks”. Desde então, tornou-se símbolo da modernização do varejo marroquino.
Para Antônio de Sá, sócio fundador da Amicci, empresa que realiza visitas técnicas frequentes ao país, a Marjane teve papel decisivo nessa transformação. “A Marjane funciona como um símbolo da modernização do varejo marroquino e uma das empresas mais influentes do norte da África”, afirma.
Controlada pelo grupo Al Mada, holding ligada à família real marroquina, a companhia ampliou significativamente sua presença nacional e atualmente opera mais de 200 lojas distribuídas em cerca de 40 cidades do país. Sua estratégia multiformato permitiu atender diferentes perfis de consumidores e ocasiões de compra.
Os hipermercados da bandeira Marjane seguem o conceito clássico de “one stop shopping”, reunindo alimentos, bazar, moda, eletrodomésticos e utilidades em grandes áreas de venda. Já o Marjane Market aposta em supermercados urbanos e de proximidade, enquanto o Marjane City foi criado para competir no segmento de conveniência e compras rápidas. O grupo também controla a Electroplanet, considerada a maior rede especializada em eletroeletrônicos do país.
Expansão multiformato
Nos últimos anos, a companhia acelerou investimentos em formatos compactos, acompanhando mudanças no comportamento do consumidor urbano e o avanço da concorrência no segmento discount. O modelo Marjane City aposta em lojas menores, conveniência, proximidade e mix adaptado ao perfil dos bairros. Segundo dados citados nas anotações, a empresa pretende abrir cerca de 45 lojas Marjane City por ano nos próximos ciclos de expansão.
Um dos aspectos mais relevantes da estratégia da Marjane está justamente na capacidade de combinar modelos europeus de varejo, especialmente franceses, com as particularidades culturais do consumidor marroquino. A influência francesa aparece na organização das lojas, no merchandising, na gestão operacional e no sortimento, reflexo inclusive das antigas parcerias da companhia com grupos como Auchan e Casino.
Ao mesmo tempo, a rede fortaleceu sua identidade local ao valorizar produtos halal, especiarias regionais, alimentos tradicionais e marcas nacionais. De acordo com Sá, esse cuidado pode ser observado diretamente nas lojas. “Nas lojas é possível observar grande variedade de produtos regionais, algo muito valorizado pelo consumidor marroquino”, destaca.
A companhia também ampliou investimentos em marcas próprias e no fortalecimento da indústria local por meio da estratégia “Made in Morocco”, aumentando o sourcing nacional em categorias como alimentos, higiene e limpeza. O movimento fortalece fornecedores locais, melhora competitividade e reforça o posicionamento institucional da empresa como agente de desenvolvimento econômico do país.
Além do varejo alimentar, a Marjane expandiu sua atuação para o segmento imobiliário e de centros comerciais, transformando parte de seus empreendimentos em importantes polos urbanos de convivência. Em diversas cidades marroquinas, os shopping centers da companhia reúnem varejo, restaurantes, cinemas e entretenimento, funcionando como espaços de lazer e encontro para as famílias locais. “Em muitos casos, o complexo da Marjane representa um símbolo de modernidade urbana e um importante ponto de encontro das famílias marroquinas”, afirma Sá.
Apesar da liderança histórica, a empresa enfrenta um ambiente competitivo cada vez mais disputado, especialmente com o avanço do Carrefour no país, operado pelo grupo LabelVie, além da expansão agressiva da rede turca BIM no segmento hard discount. Ainda assim, a Marjane preserva forte reconhecimento de marca, ampla capilaridade e grande relevância institucional dentro do varejo africano.
Hoje, a companhia também investe em e-commerce alimentar, marketplace, logística, integração omnichannel, rastreabilidade, segurança alimentar e experiência do consumidor, reforçando seu posicionamento como uma das principais referências do varejo supermercadista em mercados emergentes.