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Varejo
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Por Redação
27 de março de 2026

Vinhos ganham protagonismo na Quaresma e na Páscoa e impulsionam vendas no varejo

Busca por rótulos leves, harmonização com peixes e estratégias de exposição no PDV elevam o desempenho da categoria no período

Durante a Quaresma e a Páscoa, o consumo de vinho no Brasil passa por uma mudança significativa, acompanhando a tradição de refeições à base de peixes, frutos do mar e, principalmente, bacalhau. Para o varejo alimentar, trata-se de uma das datas mais importantes para a categoria, com aumento expressivo nas vendas e oportunidades estratégicas de mix, exposição e cross merchandising.

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Segundo especialistas, o consumidor tende a priorizar rótulos mais leves, frescos e gastronômicos, capazes de harmonizar com pratos típicos da época e com refeições familiares — características que favorecem especialmente vinhos brancos, rosés e espumantes.

Brancos frescos lideram a preferência

De acordo com José Mauro Nunes, professor de MBAs da FGV, há um movimento claro em direção a vinhos que acompanhem bem pratos à base de peixe. “Durante a Quaresma e a Páscoa, os vinhos brancos frescos costumam ter ótima saída, especialmente Sauvignon Blanc e Chardonnay jovem. Os espumantes brut também ganham espaço, pois a data está associada a reuniões familiares e celebração”, afirma.

Entre os tintos, a preferência recai sobre opções mais leves ou de média estrutura, como Pinot Noir e Merlot. Outro destaque são os vinhos portugueses, que mantêm forte conexão cultural com pratos tradicionais do período, especialmente o bacalhau.

Na mesma linha, Danilo Bastos, docente da pós-graduação em Gestão do Varejo Alimentar da ESPM e diretor de operações da Rede Valor, observa que o autosserviço registra aumento na procura por rótulos versáteis. “Como muitas famílias priorizam refeições com peixes e frutos do mar, cresce a demanda por vinhos brancos e rosés, que harmonizam melhor com esse tipo de cardápio”, explica.

No varejo, também apresentam bom desempenho rótulos do Chile, Argentina, Portugal e do próprio Brasil, reconhecidos pelo consumidor e com boa relação entre preço e qualidade.

Data estratégica para a categoria

A relevância comercial da Páscoa para o vinho é significativa. Dados do setor indicam que cerca de 20% das vendas anuais da categoria ocorrem nos meses que antecedem a data, e na Semana Santa o volume pode crescer mais de 20% em relação a semanas comuns.

Segundo Clóvis Góes, gerente de vendas da Vinícola Góes, os vinhos brancos leves são os mais procurados justamente por sua compatibilidade com os cardápios tradicionais.

Além disso, cresce o interesse por versões sem álcool. Frisantes e espumantes zero álcool vêm se consolidando como alternativa para consumidores que buscam moderação, tendência que ultrapassa o período religioso e se estende ao longo do ano.

Mix deve equilibrar giro, margem e clareza

Para o supermercado, a montagem do sortimento é decisiva para capturar o potencial de vendas da data. Um mix eficiente precisa combinar tradição, custo-benefício e facilidade de escolha.

Entre os itens considerados indispensáveis estão:

  • Vinhos portugueses
  • Brancos leves e frescos
  • Rosés
  • Frisantes e espumantes
  • Tintos leves e versáteis
  • Opções com boa relação preço-qualidade nas faixas intermediárias

De acordo com Danilo Bastos, diferentemente das lojas especializadas, o autosserviço deve evitar excesso de rótulos com baixo giro, que podem confundir o consumidor e dificultar a decisão de compra. “O supermercado precisa trabalhar com um sortimento objetivo e fácil de entender, priorizando produtos alinhados à ocasião de consumo”, observa.

Cross merchandising potencializa resultados

O vinho é uma categoria altamente dependente do contexto de consumo, o que torna o cross merchandising uma das estratégias mais eficazes para aumentar vendas e ticket médio. Durante a Quaresma e a Páscoa, exposições próximas à peixaria, ao bacalhau ou a produtos como azeites, massas premium e queijos funcionam como gatilhos naturais de compra. Para José Mauro Nunes, a comunicação também desempenha papel essencial.

“Sinalizações com sugestões de harmonização, como ‘Bacalhau + vinho português’ ou ‘Peixes grelhados + Sauvignon Blanc’, reduzem a insegurança do consumidor e estimulam a compra”, destaca.

Clóvis Góes acrescenta que a exposição conjunta ajuda o cliente a visualizar a experiência completa da refeição, facilitando a decisão.

Visibilidade e orientação são decisivas no PDV

No ponto de venda, ações temáticas e organização por ocasião de consumo tendem a apresentar melhor desempenho do que exposições genéricas.

Entre as estratégias mais eficazes estão:

  • Ilhas promocionais de Páscoa
  • Pontas de gôndola temáticas
  • Pontos extras próximos a peixes e frutos do mar
  • Comunicação com dicas de harmonização
  • Degustações (quando operacionalmente viáveis)

Outra oportunidade é posicionar espumantes e frisantes próximos a chocolates e sobremesas, explorando o caráter celebrativo da data.

Vale a pena, ainda, evitar alguns erros comuns que podem comprometer a categoria. Especialistas alertam que alguns equívocos recorrentes reduzem o potencial de vendas:

  • Exposição sem lógica de consumo
  • Sortimento excessivo sem curadoria
  • Mistura de estilos sem orientação ao cliente
  • Ofertas desalinhadas ao perfil do público da loja

Para Danilo Bastos, o papel do supermercado não é transformar o consumidor em especialista em vinho, mas facilitar sua escolha. “Quando o varejo conecta o produto à ocasião de consumo, o vinho deixa de ser uma compra eventual e passa a entrar com mais frequência no carrinho”, conclui.

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