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Por Kátia Bello
25 de março de 2026

Da EuroShop ao varejo brasileiro: o que realmente importa para o futuro das lojas

Confira o novo artigo exclusivo de Kátia Bello, arquiteta e CEO da OpusDesign, para a SuperVarejo

A EuroShop 2026, realizada em Düsseldorf, na Alemanha, reafirmou seu papel como o principal palco global para discutir o futuro do varejo. A feira reúne empresas, especialistas e varejistas do mundo inteiro para apresentar soluções em tecnologia, arquitetura comercial, visual merchandising e experiência do consumidor.

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Mais do que apresentar inovações tecnológicas, a edição deste ano mostrou que o varejo está vivendo uma transformação mais profunda: a forma de pensar o espaço físico das lojas mudou. O ponto de venda deixou de ser apenas um local de exposição de produtos e passou a ser um ambiente estratégico que integra experiência, operação, comunicação de marca e tecnologia.

Para o varejo brasileiro, especialmente o supermercadista, a grande reflexão não é apenas acompanhar as tendências globais, mas entender como aplicá-las de forma prática e eficiente dentro da nossa realidade.

Entre todas as soluções apresentadas na feira, algumas têm grande potencial de aplicação no Brasil. O que mais se destacou foi o uso do layout como ferramenta estratégica de vendas, com projetos desenvolvidos a partir do estudo do comportamento do consumidor dentro da loja. Também ganharam força setores mais voltados à experiência, como padarias ampliadas, áreas gastronômicas e espaços de convivência. Outro ponto relevante foi a presença crescente de comunicação digital integrada ao ambiente físico e soluções de autoatendimento que ajudam a tornar a operação mais ágil.

Uma mudança clara observada na feira foi a forma como o varejo internacional passou a enxergar o espaço físico das lojas. Se antes o foco era apenas a exposição de produtos, hoje o ponto de venda é pensado como um ambiente de experiência e relacionamento com o consumidor. A loja também se consolida como um importante canal de comunicação da marca, capaz de fortalecer identidade e criar conexão com o público.

Em relação às edições anteriores da EuroShop, percebe-se uma evolução importante: a tecnologia está mais madura e aplicada de forma prática. Em vez de soluções futuristas difíceis de implementar, a feira apresentou tecnologias integradas ao dia a dia das lojas, voltadas para resolver questões reais como eficiência operacional, gestão de estoque, fluxo de clientes e redução de filas.

Entre as inovações em arquitetura comercial que mais chamaram atenção estão os projetos que valorizam a experiência sensorial dentro da loja. Iluminação estratégica, materiais naturais, comunicação visual integrada e percursos de compra mais intuitivos aparecem como elementos fundamentais para tornar o ambiente mais atrativo e facilitar a jornada do consumidor.

Alguns projetos apresentados também se destacaram por integrar varejo, gastronomia e convivência em um mesmo espaço. Em muitos casos, supermercados passaram a funcionar quase como centros de experiência, onde o consumidor pode comprar, consumir alimentos no local e permanecer mais tempo dentro da loja. Esse conceito é particularmente inspirador e tem grande potencial de crescimento também no Brasil.

A integração entre loja física e digital apareceu de diversas formas nos projetos apresentados. Etiquetas eletrônicas nas gôndolas, totens interativos, aplicativos conectados à jornada de compra e sistemas de autoatendimento mostram como o digital pode complementar a experiência dentro do ponto de venda. Nesse sentido, o omnichannel já está bastante incorporado ao desenho das lojas, com áreas específicas para retirada de pedidos online, lockers inteligentes e serviços que conectam diferentes canais.

A presença da tecnologia também impacta diretamente o trabalho do design da loja. Projetar um ponto de venda hoje exige considerar infraestrutura para soluções digitais, integração com sistemas operacionais e a criação de experiências mediadas por tecnologia. O projeto de lojas passa a ter um papel ainda mais estratégico, conectando design, operação e inovação.

Outro aspecto importante observado na feira foi a busca por soluções arquitetônicas que tornem as lojas mais eficientes do ponto de vista operacional. Layouts que facilitam a reposição de produtos, melhor organização dos fluxos de circulação e iluminação eficiente contribuem não apenas para melhorar a experiência do cliente, mas também para reduzir custos e aumentar a produtividade das equipes.

A sustentabilidade também foi um tema bastante presente nesta edição da EuroShop. Materiais recicláveis, mobiliário modular e sistemas de iluminação de baixo consumo apareceram com força nos projetos apresentados. Mais do que uma preocupação ambiental, a sustentabilidade está sendo tratada também como uma estratégia de eficiência econômica e redução de desperdícios.

Nesse contexto, também chamou atenção o destaque para lojas mais flexíveis e modulares. Estruturas que permitem mudanças rápidas de layout ou adaptação de categorias ajudam os varejistas a responder com mais agilidade às transformações do mercado e às novas demandas do consumidor.

Para os varejistas brasileiros, a principal lição da EuroShop é que o ponto de venda precisa ser pensado de forma cada vez mais estratégica. Tecnologia, design, arquitetura, experiência e operação precisam estar integradas. Muitas vezes o setor investe em inovação tecnológica, mas ainda não explora todo o potencial do design e do layout como ferramentas para aumentar vendas e melhorar a jornada do consumidor.

Algumas tendências vistas na feira devem chegar rapidamente ao Brasil, como a ampliação de áreas gastronômicas dentro de supermercados, o uso mais frequente de comunicação digital nas lojas e projetos cada vez mais voltados à experiência sensorial do consumidor.

A visita à feira também traz importantes insights para os projetos desenvolvidos pela Opus Design. Entre eles estão o aprofundamento do estudo da jornada do consumidor, o uso mais estratégico da iluminação e da ambientação e a integração cada vez maior entre design e eficiência operacional.

Se fosse necessário resumir os principais aprendizados da EuroShop 2026 em três pontos, eles seriam claros: a loja física continua extremamente relevante, mas precisa oferecer experiência e valor ao consumidor; a tecnologia só faz sentido quando melhora a operação e a jornada de compra; e a arquitetura estratégica se torna um dos principais diferenciais competitivos no varejo atual.

A EuroShop reforça que o futuro do varejo não depende apenas de grandes inovações tecnológicas, mas da capacidade de integrar design, operação e experiência. Para o varejo brasileiro, o desafio é transformar essas tendências globais em soluções práticas, capazes de criar lojas mais eficientes, atrativas e alinhadas às expectativas do consumidor contemporâneo.

Pense nisso! @katiabelloopus

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