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Por Joyce Silva
2 de abril de 2026

O “efeito noticiário” e o impacto no consumo

Confira o artigo exclusivo de Joyce Silva, especialista em área fiscal, para a SuperVarejo

O consumidor brasileiro é historicamente traumatizado por inflação. Quando ele vê "Conflito no Irã" ou "Diesel sobe 10%" no noticiário, a reação é emocional antes de ser financeira.

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Em muitas situações ao longo dos últimos anos, já tivemos dúvidas sobre os hábitos de consumo... Será que as pessoas estão comprando por necessidade real ou por pânico?

A partir disso, podemos ter algumas reflexões. Se o pessimismo está alto, elas param de planejar o futuro. Elas não compram o eletrodoméstico novo no varejo, mas gastam o que tem no supermercado para garantir o estoque de comida. O pessimismo trava o crédito, mas pode acelerar o giro de itens básicos.

Mas existe uma linha tênue aqui.

O consumidor aceita pagar mais se ele entende que o custo subiu para todos, ou ele se sente "assaltado" pelo mercado? Qual seria o limite do repasse?

Neste momento, observando o contexto de aumento no preço do diesel, por exemplo, a sensibilidade é alta. O consumidor espelha o pessimismo comparando preços de forma quase obsessiva, e que, apesar de existir, não impacta todos os produtos da mesma forma e o consumidor acaba, mesmo assim, mantendo “pequenos luxos”.

Essa teoria tem o nome de Lipstick Effect (Efeito Batom) e foi criada por Leonard Lauder (ex-presidente da Estée Lauder) durante a recessão de 2001. Ele observou que, embora as vendas de itens caros caíssem, a venda de batons subia, pois as pessoas buscavam um conforto psicológico acessível diante do pessimismo.

Segundo a Euromonitor International, esse fenômeno se repetiu no Brasil durante o período de 2015-2016 e no pós-pandemia (2022), com crescimentos acima de 10% em categorias de "indulgência de entrada", reforçando que, curiosamente, quando as pessoas estão pessimistas com a macroeconomia (guerra, dólar, diesel), elas tendem a buscar pequenos prazeres baratos para compensar.

O pessimismo econômico costuma gerar um comportamento de proteção familiar e comunitária. Compartilhamento de preços, indicações de locais, compras conjuntas, mudanças na rotina para otimizar os gastos... A pergunta que fica é: Será que o consumidor de 2026 está "esperando o pior"? Será que ele não quer, necessariamente, o produto mais bonito e sim o que oferece a maior segurança alimentar e financeira para a família dele?

E ainda existe uma questão mais profunda e estratégica... Será que as empresas estão conseguindo ler esse comportamento rápido o suficiente para ajustar o estoque e preços ou estão tentando vender um cenário de estabilidade?

Gerenciar a ansiedade do consumidor é um desafio cada vez mais presente na nossa sociedade e oferecer segurança, eficiência e empatia nos momentos de instabilidade podem se tornar estratégia de sobrevivência.

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