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Economia
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Por Redação
4 de setembro de 2026

Calor aumenta em 4,1% volume de vendas de bebidas no Brasil

Água, isotônicos, cerveja e gelo estão entre as categorias mais beneficiadas pela alta das temperaturas, enquanto vinho e destilados perdem espaço

A alta das temperaturas tem impacto direto sobre o consumo de bebidas no Brasil. Estudo da Scanntech aponta que, a cada aumento de 1 °C na temperatura, o volume de bebidas sensíveis ao clima cresce, em média, 4,1%. O termo considera categorias cuja demanda é diretamente influenciada pela temperatura, como água, cerveja, isotônicos e gelo. O movimento ganha relevância diante da previsão de intensificação do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, cenário que pode alterar demanda, estoque e exposição de produtos no varejo.

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Entre as categorias que mais respondem positivamente ao calor, a água aparece na liderança, com alta de 5,7% no volume a cada grau adicional de temperatura. Na sequência estão isotônicos, com 5,4%, cervejas, com 5%, gelo, com 4,9%, e energéticos, com 3,8%. Também apresentam crescimento chá pronto (3,4%), sucos (3,3%), água de coco (3,1%) e refrigerantes (2,9%).

O efeito ocorre na direção oposta em bebidas mais associadas ao consumo em temperaturas baixas. Vinho e conhaque registram retração de 3,2% no volume a cada grau adicional, enquanto tequila cai 2,4% e licor, 1,1%. Cachaça, whisky e vodka também apresentam tendência de queda.

Clima entra no planejamento do varejo

A influência da temperatura se soma a fatores sazonais que tradicionalmente movimentam a categoria, como férias, festas de fim de ano e o verão. Para Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech, separar os efeitos do calendário e do clima ajuda a compreender melhor as oscilações de demanda.

“Temperatura e calendário são fatores que se sobrepõem no consumo de bebidas. Férias, festas de fim de ano e o ritmo próprio do verão criam ocasiões de consumo que independem do termômetro, enquanto a temperatura age sobre a necessidade imediata de hidratação e refresco”, explica.

O estudo também mostra diferenças regionais na relação entre temperatura e consumo. O Sul apresenta a maior associação entre as duas variáveis, resultado relacionado à maior amplitude térmica registrada nos estados da região. Na prática, a resposta ao aumento de cada grau é semelhante entre os estados, mas algumas áreas estão sujeitas a oscilações maiores de temperatura ao longo do ano.

Um aumento de 3 °C, por exemplo, está associado a um crescimento de aproximadamente 12,8% no volume das bebidas que respondem positivamente ao calor. O efeito permanece positivo em toda a faixa de temperaturas analisada e se intensifica próximo dos 30 °C.

Com a expectativa de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses, a companhia avalia que o clima deve ganhar peso nas decisões de abastecimento e operação. “Com um El Niño de intensidade elevada previsto para os próximos meses, o clima deixa de ser um imprevisto operacional e passa a ser uma premissa de planejamento”, afirma Passarelli.

Para o varejo, o cenário reforça a necessidade de ajustar pedidos, estoques, mix e exposição de acordo com as condições climáticas. Segundo o executivo, uma semana mais quente já pode alterar a demanda e a disposição dos produtos nas lojas, enquanto períodos prolongados de temperaturas acima da média podem exigir mudanças mais amplas no planejamento comercial.

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