Por Redação
28 de maio de 2026Vendas nominais do varejo avançam e podem crescer nos próximos meses
Projeção aponta alta de 1,6% em maio, 3,6% em junho e 3% em julho na comparação com os mesmos períodos do ano anterior
As vendas nominais do varejo brasileiro devem manter trajetória de crescimento entre maio e julho de 2026, segundo o Índice Antecedente de Vendas (IAV-IDV), divulgado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). A projeção aponta alta de 1,6% em maio, 3,6% em junho e 3% em julho na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. Em abril, o indicador registrou crescimento de 1,8%.
O levantamento reúne expectativas de faturamento de empresas associadas ao IDV, que representam aproximadamente 20% das vendas do varejo nacional. Apesar do avanço nominal, os dados ajustados pela inflação medida pelo IPCA indicam retração real de 2,9% em maio, 1,0% em junho e 1,6% em julho. Em abril, porém, houve crescimento real de 2,6%.
O cenário é acompanhado por sinais de melhora na confiança do consumidor. Em abril, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou um ponto e atingiu 89,1 pontos, o maior nível desde dezembro de 2025. No mesmo período, o IPCA registrou alta de 0,67%, impulsionado principalmente pelos grupos de alimentação e bebidas e saúde e cuidados pessoais.
“Com relação à taxa Selic, o Copom a reduziu em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. Esse foi o segundo corte consecutivo realizado na taxa, que totaliza queda acumulada de 0,50 ponto percentual em 2026”, explica Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV. Segundo ele, a decisão reflete a desaceleração da atividade econômica, a inflação ainda pressionada e um ambiente global marcado por incertezas.
Entre os segmentos acompanhados pelo índice, todos apresentaram crescimento em abril. O setor de hipermercados e supermercados avançou 0,9% e deve registrar altas de 0,7% em maio, 3,3% em junho e 3,6% em julho. Já o atacado apresentou crescimento de 0,7% em abril, com projeções de alta de 1,6%, 3,0% e 2,6% nos três meses seguintes.
Os maiores avanços previstos estão nos setores de artigos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos, que devem crescer 6,3% em maio, 10,6% em junho e 11,1% em julho, e em móveis e eletrodomésticos, com projeções de alta de 11,1% em maio e 10,4% em junho.
Para o IDV, os resultados refletem um ambiente de consumo ainda resiliente, sustentado pelo mercado de trabalho, oferta de crédito e recuperação gradual da confiança dos consumidores, embora os efeitos da política monetária continuem limitando um crescimento mais acelerado da atividade econômica.