Por Redação
9 de janeiro de 2026IPCA sobe 0,33% em dezembro
Com resultado de 4,26%, inflação encerra o ano no limite superior do teto da meta estabelecida pelo Banco Central
A inflação oficial do país desacelerou em dezembro, mas encerrou 2025 no limite superior do teto da meta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% no último mês do ano, após alta de 0,39% em novembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, o índice fechou em 4,26%, exatamente no teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
O resultado de dezembro foi influenciado principalmente pelo comportamento dos preços de Alimentação e bebidas, que registraram alta de 0,27%. O grupo voltou a pressionar o índice após meses de alívio, refletindo movimentos distintos entre os itens consumidos dentro e fora do domicílio.
A alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de seis meses consecutivos de queda e avançou 0,14% no mês. O movimento foi puxado, sobretudo, pela alta de produtos in natura e proteínas. A cebola subiu 12,01% e a batata-inglesa, 7,65%. As carnes tiveram aumento médio de 1,48%, com destaque para o contrafilé (2,39%), a alcatra (1,99%) e a costela (1,89%). Também pesaram no orçamento as frutas, que subiram 1,26%, impulsionadas principalmente pelo mamão (7,85%) e pela banana-prata (4,32%).
Por outro lado, alguns itens importantes da cesta básica ajudaram a conter uma alta mais intensa. O leite longa vida registrou queda de 6,42%, enquanto o tomate recuou 3,95% e o arroz apresentou redução de 2,04%, amenizando o impacto dos aumentos observados em outros alimentos.
Já a alimentação fora do domicílio voltou a acelerar e subiu 0,60% em dezembro, ante 0,46% em novembro. O avanço foi puxado principalmente pelos preços dos lanches, que tiveram alta de 1,50%, enquanto as refeições fora de casa subiram 0,23%. O resultado reflete a continuidade da pressão de custos no setor de serviços, especialmente em bares e restaurantes.
Para o setor varejista, o comportamento do IPCA ao longo de 2025 indica uma evolução dos preços de bens e serviços que deve influenciar tanto a dinâmica de consumo quanto as estratégias de precificação e gestão de margens. A inflação dentro da meta oficial pode contribuir para maior estabilidade nas expectativas de consumidores e empresas, embora ainda persistam pressões em grupos específicos de despesas, especialmente serviços e custos residenciais.
Especialistas avaliam que o resultado de 2025, combinado com fatores como a recente redução nos preços dos combustíveis e a política monetária restritiva, tende a influenciar as decisões de consumo e investimento ao longo de 2026. Economistas veem o fechamento do ano dentro da meta como um avanço relevante, que pode abrir espaço para cortes graduais nos juros, a depender da evolução do cenário econômico doméstico e internacional.