Por Redação
13 de março de 2026Do campo à gôndola sustentável
Rastreabilidade e produção responsável ganham status estratégico e redefinem a relação entre indústria, varejo e consumidor
No varejo alimentar, a pergunta deixou de ser apenas “quanto custa?” e passou a incluir “de onde vem?”. A rastreabilidade do campo à gôndola tornou-se um dos principais pilares de competitividade, segurança e posicionamento sustentável das redes supermercadistas.
Para José Barreto, CEO da Akio Produtos Alimentícios, o movimento é uma resposta direta a um consumidor mais atento e exigente. “Ele quer saber o que está consumindo e como aquilo foi produzido. Nosso papel é ser a ponte entre o produtor rural e o consumidor final, encurtando esse caminho por meio dos pontos de venda”, afirma.
A Akio já iniciou testes com o novo padrão de código de barras da GS1, agora em formato QR Code, em produtos como Sal de Parrilla e Alho em pó. A tecnologia permite acessar informações detalhadas da cadeia produtiva: desde a região onde o alho foi plantado e colhido até os processos industriais na fábrica. “Além de ampliar a transparência, é uma forma de valorizar o produtor rural, que muitas vezes fica invisível na cadeia”, destaca Barreto.
Se para a indústria a rastreabilidade aproxima o campo do consumidor, para o varejo ela representa gestão de risco e proteção de marca. Edmar Mothé, fundador da Bio Mundo, reforça que o tema deixou de ser mera exigência regulatória para se tornar diferencial competitivo. “Hoje, o consumidor quer entender origem, insumos e impacto ambiental e social. ESG virou critério de decisão”, afirma.
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Na prática, a rastreabilidade fortalece três frentes centrais. A primeira é segurança: sistemas estruturados permitem identificar rapidamente a origem de um lote em caso de recall ou não conformidade, reduzindo impacto financeiro e preservando a confiança do cliente. A segunda é reputação: comprovar boas práticas agrícolas e industriais sustenta a narrativa de responsabilidade socioambiental. A terceira é sustentabilidade como critério de compra, redes priorizam fornecedores com origem regularizada, controle ambiental e governança comprovada.
Para garantir esse nível de controle, a integração entre tecnologia, processos e cultura organizacional é determinante. Entre as ferramentas mais eficazes estão sistemas de gestão com controle por lote, qualificação rigorosa de fornecedores, auditorias periódicas e adoção de Boas Práticas de Fabricação (BPF). Digitalização e ERP integrados permitem rastrear a entrada de insumos, estoque por lote e distribuição, além de gerar relatórios rápidos em situações críticas.
Certificações como ISO 9001 e programas robustos de garantia da qualidade também reforçam a governança e reduzem vulnerabilidades. No segmento de suplementos e alimentos funcionais — onde a origem de extratos, vitaminas e minerais impacta diretamente a eficácia — o rigor é ainda maior.
